QUEM e o QUE

são HISTÓRIA na

QUEM e o QUE são HISTÓRIA na

Breve História do Desenvolvimento Econômico –

A preocupação com o desenvolvimento econômico de São José do Rio Preto pode ser averiguada desde as primeiras reuniões dos vereadores, no final de 1894. Porém, o primeiro documento contundente abordando este tema é datado de 1º de junho de 1896, quando a Câmara Municipal enviou extenso memorial ao governo estadual, assinado pelo presidente Pedro Amaral, solicitando urgentes melhorias para o Município de São José do Rio Preto, tais como a criação da Comarca e a abertura da estrada de rodagem para o Porto Taboado. Os vereadores argumentavam, na tentativa de sensibilizar as autoridades estaduais, que o Município tinha mais de duas mil almas (habitantes) e que a implementação dessas melhorias deveria atrair investimentos para a cidade, incentivando a vinda de pessoas com recursos para impulsionar e desenvolver a lavoura. Os números são conflitantes com o Censo de 1872, que apontou uma população de 2.689 habitantes. Com absoluta certeza, o município tinha muito mais que 2.000 habitantes em 1896.

Nos meados da década de 1910, teve início a indústria na cidade, atrelada diretamente à produção agrícola. Eram as máquinas de beneficiar arroz e café.

O primeiro ciclo de desenvolvimento econômico em Rio Preto tem início no segundo semestre de 1912, depois da chegada dos trilhos da Estrada de Ferro Araraquarense (EFA).  A cidade tornou-se, por 22 anos, ponta de trilhos. Os trilhos da EFA permaneceram parados em Rio Preto até 1933. Neste período, toda a produção da região, desde as barrancas dos rios Paraná, Grande e Tietê, vinham para Rio Preto, assim como os passageiros. Embarque e desembarque de pessoas, animais e mercadorias em geral. Durante duas décadas Rio Preto um grande centro de convergência econômica.

Dez anos depois da chegada do trem, em 1922, a cidade tinha 416 estabelecimentos comerciais, seis agências bancárias, sete farmácias, 10 hotéis, 11 máquinas de beneficiamento de arroz e café, 30 médicos, 55 advogados, 20 engenheiros e ­seis dentistas.

De olho no desenvolvimento, em 15 de março de 1926, a Câmara Municipal autorizou a Prefeitura a isentar de impostos por dez anos a empresa que primeiro se apresentasse na cidade para instalar uma fábrica de tecidos, com possibilidade de desapropriação de terreno para facilitar a instalação. Apesar do incentivo, nenhuma empresa se interessou. Poucos dias depois, em 24 de março, o engenheiro Augusto R. M. Gallo pedia concessão de 30 anos para construir um hotel e um teatro, com isenção de impostos e da taxa de água, mais garantia de juros de 8% sobre o capital empregado. A proposta não foi aprovada pelos vereadores.

Dez anos mais tarde, em 23 de fevereiro de 1936, o jornal A Folha publicava convocação para uma reunião que seria realizada no dia 03 de março para a formação de uma sociedade para o “engrandecimento e progresso do Município de Rio Preto”. A convocação foi feita por Augusto Manoel Elias Abufares, José Alexandre Benfica, Noé Pimentel, João Vieira da Silva e Camilo Elias Gauch. Não há notícias que confirmem a constituição desta sociedade.

Na breve legislatura do período getulista, em 15 de fevereiro de 1937, o vereador João Baptista França propôs que se fizesse doação de terrenos, com isenção de impostos por dez anos, como incentivo para atrair indústrias. Quatro meses depois, foi protocolado projeto do vereador Feliciano Salles Cunha, de 1º de junho de 1937, isentando de impostos e taxas e oferecendo subsídios em dinheiro para o industrial que montasse fábrica na cidade. Para fábrica de óleo o subsídio era de 20:000$000 (vinte contos de réis), para charqueadeira, 30:000$000 (trinta contos de réis) e, para tecelagem, 20:000$000 (vinte contos de réis). O projeto foi rejeitado em 02 de agosto.

O desenvolvimento industrial teve início nos anos 40, com a instalação da Swift do Brasil, da Sociedade Algodoeira Nordeste Brasileiro – Sanbra e Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo. Era o ciclo do algodão, que, segundo o historiador Roberto do Valle, foi o grande responsável pelo desenvolvimento econômico rio-pretense.

Em 17 de janeiro de 1948, os vereadores foram em comitiva visitar as instalações do Cotonifício Rio Preto SA, presidido por Murchid Homsi. O cotonifício exportava plumas em fio de algodão para a Argentina. Em 11 de janeiro de 1949, a Câmara Municipal decidiu conceder isenção de impostos para indústrias em geral, mas não houve o sucesso esperado. E para quem pensa que o sonho de uma grande cervejaria é novidade na cidade fica aqui um registro: em 23 de outubro de 1951, o presidente da Câmara, Mário Alves Mendonça convidou diretores da Companhia de Cervejas Vienenses para visitar a cidade e instalar aqui uma filial.

Em 1959, um século após a fundação, a cidade tinha 66.500 mil habitantes, dos quais 43 mil residiam na sede urbana que contava com sete mil edifícios, 270 ruas, sete praças, sete jardins, 24 hotéis, sete grupos escolares com 74 classes, sete templos religiosos católicos e seis evangélicos. No setor da economia rural o município registrava naquele ano a produção de 403.375 sacas de café, 160.800 sacas de arroz, 343.000 arrobas de algodão, 105.000 sacas de milho, 3.680 sacas de feijão, 14.400 abacaxis, 46.250 bovinos, 22.350 suínos e 8.000 equinos. O trânsito tinha 1.068 veículos de passeio, 368 caminhões, 108 camionetes, 57 ônibus, nove motocicletas, 168 bicicletas, 190 carroças e 87 charretes. Na área urbana, o forte continuava sendo o comércio com cerca de 500 estabelecimentos. Vinte anos depois, em 1980, o censo apontava 188.610 habitantes, sendo 85.738 homens e 90.520 mulheres; ou seja, a cidade triplicou em vinte anos.

O impulso industrial tomou o fôlego no final dos anos de 1960 e início dos anos de 1970, quando o prefeito Adail Vettorazzo criou o Programa de Desenvolvimento Industrial – Prodei, instalando o Distrito Industrial Waldemar de Oliveira Verdi, na zona oeste da cidade, ao lado da rodovia Washington Luís e do aeroporto Eribelto Manoel Reino. A primeira providência foi a criação da Comissão Municipal de Industrialização com a finalidade de elaborar e executar o Plano Municipal de Industrialização. Para compor a comissão, Vettorazzo convidou Anésio Vetorasso, Carlos Roberto de Oliveira, Celso Silva Melo, Darcy Arantes, Fadl Al-Haj, José Arroyo Martins, José Pedro Salomão, Labieno Teixeira de Mendonça, Raul de Castro, Rudolph Lenhard e Waldemar de Oliveira Verdi.

Em 28 de março de 1969, esta comissão indicava a necessidade de implantação de um distrito industrial. O prefeito Vettorazzo recorreu ao governo estadual e conquistou a doação de 42 alqueires de uma área do IPA que havia sido seccionada pela rodovia Washington Luís. Em 25 de setembro de 1970, ele assinava a lei nº 1496, criando uma série de incentivos para a instalação de indústrias no Distrito Industrial e criando o Prodei. O primeiro Conselho Diretor do Prodei foi formado por José Barbar Cury, Walter Aielo, Anatol Konarski, Rapiel Parsekian, Waldemar de Oliveira Verdi, José Carlos de Lima Bueno e Celso Silva Melo. Pra se instalar no distrito, a empresa recebia o lote gratuitamente, mas precisava cumprir um cronograma de investimentos e se adequar à legislação de forma a evitar a reversão da área. Nos anos de 1980, um novo distrito foi implantado na rodovia BR 153 – Presidente João Goulart e recebeu o nome do Dr. Carlos de Arnaldo Silva e os primeiros minis distritos industriais.

Em 1997, a cidade contava com 13 mini-distritos em funcionamento, abrigando 513 micros, pequenas e médias empresas. Este programa foi implantado a partir de 1986 pelo prefeito Manoel Antunes, todavia já era previsto no Programa Especial Cidades de Porte Médio, implantado em Rio Preto com dinheiro do governo federal e do Banco Mundial, pleiteado pelo prefeito anterior, Adail Vettorazzo.

O desenvolvimento econômico de São José do Rio Preto, que teve início com a produção agrícola e com o comércio, impulsionados pelo movimento ferroviário, passou pela explosão industrial dos anos de 1970 e agora ampara-se na prestação de serviços, em especial de serviços médicos. A década de 1990 revelou também um acentuado crescimento no setor de ensino universitário, período em que o prefeito Antonio Figueiredo instalou o distrito Ulisses Guimarães, numa área de 108 alqueires também desmembrada do IPA, que abriga atualmente empresas de produção tecnológica, com 40 unidades gerando cerca de dois mil empregos. Ao lado, funcionam o Parque Tecnológico Karina Bolçone que abriga duas incubadoras de empresas, um centro empresarial e um distrito tecnológico com 16 empresas e 1.228 empregados.


Fonte: www.quemfazhistoria.com.br