São José do Preto foi um dos principais focos da Revolução Constitucionalista de 1932, que teve entre os líderes, em São Paulo, o advogado rio-pretense Luiz Américo de Freitas, eleito presidente do Instituto Brasileiro do Café – IBC. Mais de 600 rio-pretenses alistaram-se e foram para a frente de batalhas com forte apoio popular. Eles foram convocados pela Frente Única de Rio Preto que era chefiada, entre outros, por Alceu de Assis, Aureliano de Mendonça, Cenobelino de Barros Serra, Ernani Pires Domingues, João Baptista França, Synésio de Mello e Oliveira, Theotônio Monteiro de Barros Filho, Victor Britto Bastos, Coutinho Cavalcanti e Leonardo Gomes.
Luiz Américo de Freitas residia em Rio Preto e era dono de uma grande fazenda na região, onde hoje estão os municípios de Planalto, Buritama, Zacarias, Turiúba e Lourdes, nas margens do rio Tietê. Ao ser eleito para presidir o IBC estadual, ele se tornou um dos líderes estaduais do movimento revolucionário e, quando o conflito terminou, ficou preso nos navios-prisões do governo federal e foi exilado em Portugal, com sua mulher e filhas. Segundo o livro Memória e Sociedade – Lembrança de Velhos, de Ecléia Bosi, um dos entrevistados disse que Luiz Américo de Freitas havia enviado uma pessoa aos Estados Unidos para comprar armas para as forças paulistas. O emissário, que levou na mala 40 mil contos de réis, desapareceu com o dinheiro.
A informação oficial diz que nove soldados constitucionalistas rio-pretenses morreram nos campos de batalha, mas o escritor e historiador Roberto do Valle afirma, categoricamente, no livro Rio Preto na Revolução de 32, que o número de mortos da cidade chegou a vinte.
Morreram “oficialmente” Oswaldo Santini, Antônio Amaro, Cabo Manoel da Visitação Pitta Júnior, Totó Duarte, Carmo Turano, Ipiroldes Martins Borges, Elydio Antônio Verona, Joaquim Marques de Oliveira e João Batista de Araújo.
Antônio Duarte da Fonseca, conhecido por Totó Duarte, serviu na 3ª Companhia do 4º Batalhão 9 de Julho, e morreu em 4 de setembro num combate no morro do Gravy, perto de Itapira.
Antônio Amaro saiu de Tanabi para se alistar no 1º Batalhão de Rio Preto, foi morto em 12 de agosto nas proximidades do Porto Taboado, e teve o corpo jogado no rio Paraná, pelas forças federais.
Carmo Turano era de Uchoa, integrava a 2ª Companhia de Guerra Alta Araraquarense, Batalhão Francisco Glicério, Coluna Romão Gomes, e foi morto em 17 de setembro, em São José do Rio Pardo.
Elydio Antônio Verona servia na 1ª Companhia do 3º Batalhão 9 de Julho e morreu em 26 de setembro (dois dias antes do fim da revolução), na Fazenda Japonesa, em Campinas.
Ipiroldes Martins Borges servia na 3ª Companhia do 4º Batalhão 9 de Julho e morreu em 20 de setembro, em Itapira.
Joaquim Marques de Oliveira integrava o Batalhão Voluntários de Rio Preto e morreu em setembro (não há registro do dia), em Porto Taboado.
João Baptista de Araújo, também integrante do Batalhão Voluntários de Rio Preto, morreu em 10 de setembro, em Campinas.
Cabo Manoel da Visitação Pitta Júnior servia no 1º Batalhão de Rio Preto e morreu em12 de agosto, em Porto Taboado, após ter sido capturado ferido ― foi executado pelas tropas federais.
Cabo Oswaldo Santini, que era do 3º BCP da Força Pública, morreu em 12 de agosto, em Porto Taboado.
Os jornais A Notícia, dirigido por Manoel dos Reis Araújo e Leonardo Gomes, e Oeste Paulista, dirigido por Luiz de Moraes Niemeyer, defenderam os ideais constitucionalistas e fizeram ampla campanha em favor da revolução. No dia 10 de julho, a edição de A Notícia comentava a existência de boatos sobre a revolta. A situação em Rio Preto era tranquila, com o Partido Republicano Paulista – PRP convocando eleitores para uma reunião naquela noite com a finalidade de organizar o seu diretório.
A primeira reportagem sobre a revolução só foi publicada em A Notícia no dia 11 de agosto, na segunda-feira, com edição extraordinária, rasgando manchete em oito colunas e três linhas: “São Paulo dá ao Brasil o mais bello exemplo de civismo, levantando-se, uno, fremente de amor patrio, pela constitucionalização immediata do país”.
No dia 14, o jornal trazia a seguinte informação na manchete: “O Exército Constitucionalista, já no Estado do Rio, encontra-se a 190 quilômetros da Capital Federal”. No mesmo dia, o tenente Bento Casado de Oliveira, comandante da Força Pública, colocava-se à disposição para dar treinamento militar aos voluntários da região de Rio Preto.
Absorvendo o clima de revolução, Rio Preto tornou-se sede do 10º Distrito Estadual do Comitê da Revolução e, em 13 de julho, era realizado um grande comício na praça D. José Marcondes com discursos de Alceu de Assis, Aureliano Mendonça, Felippe Lacerda, José Felício Miziara, Levínio de Souza e Silva, Manoel dos Reis Araújo, Theotônio Monteiro de Barros Filho e Waldemar Faria Motta.
Rapidamente foi formada uma unidade da Cruz Vermelha para atender os revolucionários, alistando-se entre as primeiras voluntárias Aracy Salles, Antonia Cruz, Celina Carvalho, Enyd Gomide, Elta Amaral, Esmeralda Silva, Eunice Parda, Euthalia Maurício de Oliveira, Guilhermina Taves, Isabel Simões, Pérola Silva, Rita Ewbank e Minervina M. Santos.
No dia 19 de julho, o professor Enoch de Morais e Castro, diretor da Escola de Comércio D. Pedro II, criou o Centro Cívico Mineiro, sob a presidência de Antônio de Assis Magalhães e secretariado por Geraldino de Medeiros.
Ainda no dia 19, chegava em Rio Preto o coronel Eduardo Leujene para organizar militarmente a revolução na cidade, tendo como subcomandante o major Cláudio Barbosa.
Em 21 de julho, era formada a Cruzada Gymnasial, arregimentando estudantes para formar grupo de apoio no setor assistencial com pedidos de contribuições, como dinheiro, ataduras e mantimentos. Em 31 de julho, foi formado o Batalhão Esportivo, cuja comissão organizadora era integrada por Bonfá Natale, Oliveira Pimentel Petrônio Sobrinho e Paulo Morais dos Santos. Na arregimentação de forças para ganhar a revolução valia tudo: vários jagunços e matadores de aluguel uniram-se e formaram a “Coluna da Morte”, integrada por bandidos famosos da região, como Aníbal Vieira, Ferraz Negrão, Lino Catarino e seu irmão Ubirajara.
Por iniciativa de Emerenciana Sales, Luiza Marreli Caramuru e Ottília Reis Araújo, foi criada, no início de agosto, a Casa do Soldado, para lhes oferecer café, cigarro, papéis de carta e atender suas pequenas necessidades. O Automóvel Clube, residido por Theotônio Monteiro de Barros Filho, abriu suas portas para as mulheres.
Em 9 de agosto, todas as entidades que eram a favor da Revolução, se agruparam na Comissão Municipal MMDC, sob a presidência do promotor Álvaro de Toledo Barros, com diretoria composta por Adda Taves, Alberto José Ismael, José Mendes Pereira, José Spínola Castro e Octavio de Oliveira Pinto. Em 27 de agosto, o prefeito Eduardo Nielsen nomeou Elias Mussi, Lincoln de Carvalho Macedo e Benedicto Costa para integrar o Serviço de Verificação de Preços da Prefeitura.
No dia 28 de setembro, a revolução chegou ao fim. Os paulistas foram derrotados e Getúlio Vargas prometeu uma Constituição para o Brasil. Com a assinatura do armistício, tropas federais vindas de Minas ocuparam a cidade, perseguindo alguns partidários da revolução. Os mineiros faziam parte de um Esquadrão da Cavalaria da Coluna do coronel Manoel Rabelo, chefiados pelo tenente Zeno Delmas. O delegado Nelson da Veiga foi o único a ser vítima de um disparo de fogo, foi baleado numa das nádegas. Monsenhor Gonçalves, Leonardo Gomes, Aureliano Mendonça e Laudelino da Cunha Viana sofreram agressões físicas, e Manoel dos Reis Araújo Neto fugiu da cidade, auxiliado por Sellmann Nazareth, que era getulista e anti-revolucionário. Também estiveram foragidas outras personalidades de destaque durante a revolução, como o prefeito e delegado de polícia, Eduardo Nielsen.
Em 15 de novembro, às 15 horas, no Cine Theatro São José, foi organizada a Federação dos Voluntários da Zona de Rio Preto. A organização era encabeçada pelo advogado Theotônio Monteiro de Barros Filho e pelo médico Israel Alves dos Santos. A primeira diretoria provisória que deu suporte à Federação era composta também por Synésio de Mello e Oliveira, Mário Valadão Furquim, Mário Clapier Urbinati, Floriano Peixoto Abs, Mário Luiz Frias e Raul Silva. No dia 27 de novembro, foi lançada a ideia da construção do Mausoléu ao Soldado Constitucionalista.
No ano seguinte, em 1933, foram realizadas eleições e a Federação dos Voluntários da Zona de Rio Preto lançou a candidatura de Theotônio Monteiro de Barros Filho, que se tornou o primeiro deputado federal rio-pretense. Alceu de Assis também foi candidato pelo Partido da Lavoura, com sede em Ribeirão Preto, todavia não foi eleito.
Em 21 de junho de 1935, o governo estadual permitiu a construção do mausoléu defronte do Cemitério da Ressurreição, na Ercília. Com a autorização, em 1º de junho de 1937, foi formada uma comissão executiva presidida pelo ex-prefeito Synésio de Mello. O projeto foi executado e construído para receber uma escultura do escultor Hélio Coluccini, de Campinas. O Mausoléu ao Soldado Constitucionalista foi inaugurado em 9 de setembro de 1937. O vereador Alceu de Assis tentou dar o nome de “Esplanada do Soldado Constitucionalista” ao local onde se instalou o mausoléu, mas perdeu na votação.
Em 1968, o mausoléu foi transferido para a Praça Rio Branco, na frente do Fórum, por uma comissão composta por Cleophas Beltran Silvente, Leônidas da Cunha Viana e Leonardo Gomes.
Funciona em Rio Preto a Sociedade Veteranos de 32 ― MMDC ― Núcleo Cel. Nelson de Paula Campos. A sociedade existia havia vários anos, mas somente em 1994 passou a existir de direito, depois de um trabalho realizado por Hélio Pellegrini, que vinha coordenando os trabalhos desde 1980. Antes, entre 1964 e 1980, a sociedade foi coordenada por Valdir de Almeida Rodrigues. Em 25 de janeiro de 1994, a sociedade foi legalizada, tornando-se utilidade pública municipal em 24 de setembro de 1996. A primeira diretoria oficial, foi empossada em 23 de maio de 1995, sob a presidência de Hélio Pellegrini.
Dentre seus presidentes, destacam-se Rubens Martins Godoy e Geovani Spirandelli.
Fonte: www.quemfazhistoria.com.br
