QUEM e o QUE

são HISTÓRIA na

QUEM e o QUE são HISTÓRIA na

Em 5 agosto de 1906, o jornal O Porvir registra que um grupo de amadores, dirigido por Alarico Lex, estava ensaiando o drama “A filha do pescador” e as comédias “Lucas que ri… Lucas que chora” e “Tio Torquatro”. Para o jornal “o theatro é, indubitavelmente, um factor importante de educação moral”. As peças foram exibidas nos dias 31 de agosto e nos primeiros quatro dias de setembro. Segundo o jornal “o grupo se excedeu muito a expectativa geral”. 

Em 1908, os irmãos Alarico e Gilberto Lex, com Belmiro José Gomes e o capitão José Maria, fundaram a Associação Teatral Riopretense, escolhendo o delegado de polícia José de Molina Quartim para presidente e o capitão João Gomyde para secretário. O conselho fiscal foi integrado pelo médico Aristides Serpa, Lindolpho Guimarães Corrêa e José Musegante, que tiveram como suplentes Arlindo Carneiro, Lafayete Spínola Castro e Caetano Albernaz.
Em 17 de abril de 1910, a Câmara Municipal autorizou o prefeito Adolpho Guimarães Corrêa a comprar 15 ações da Associação Teatral, no valor de 100$000 (cem réis) cada, para viabilizar a construção do teatro. Com a venda das ações, a Associação tornou-se uma empresa e adquiriu, ainda em 1910, um terreno na rua Antônio Olímpio (atual Voluntários de São Paulo, com frente para a Praça Rio Branco), chegando a iniciar as obras sobre planta elaborada pelo engenheiro Ugolino Ugolini, que logo ficaram paralisadas. Em 11 de outubro de 1911, O Poder Moderador noticiou a retomada das obras, que novamente foram paralisadas. Entre 1910 e 1912, Gilberto Lex, que era vereador, tentou fazer a Prefeitura encampar as obras do teatro. Foi trabalho vão.
Em 1927, a Associação ainda existia e tinha como presidente Adolpho Guimarães Corrêa e Belmiro José Gomes como secretário. Em 2 de dezembro de 1943, os sócios da Associação se reuniram e decidiram pela dissolução da instituição, abrindo concorrência para a venda do terreno com “o prédio em construção em ruínas”. O jornalista Benedicto Tavares de Oliveira foi nomeado liquidante.

A primeira apresentação teatral profissional na cidade ocorreu em 5 de outubro de 1911, pela Companhia Carrara, de Arthur Carrara, que vendeu antecipadamente 150 ingressos para três espetáculos, com a peça “Beijo de Judas”.

Houve várias tentativas de construção de um teatro na cidade. Gaudêncio Maia, dono do Eden Parque, por exemplo, pediu, em 16 de outubro de 1925, isenção de impostos por dez anos para construção de um teatro. Seu projeto previa a construção do Cine Teatro São José.

No ano seguinte, em 12 de julho de 1926, Jesus Vilanova Vidal pediu doação de um terreno da Prefeitura, na rua Antônio Olympio, com isenção de impostos por dez anos, para construir um teatro. Na verdade, ele queria o terreno que pertencia à Associação Teatral. A Prefeitura lhe disse não.

Formado em setembro de 1933, o Grupo Dramático Riopretense, por um grupo de jovens negros, ligados à Sociedade Homens de Cor – União faz a Força

O professor Nelson Castro funda em 01 de setembro de 1954 o Grupo Dramático Roberto Vidigal, com alunos da Escola Senac Paiva Meira. Meses depois, mudou o nome para Grupo Teatral Riopretense – GTR que revelou artistas como Ewerton de Castro. Funcionando de forma ininterrupta desde 1955, o GTR é, segundo seu diretor Manoel Neves Filho, o grupo de teatro mais antigo do Brasil em funcionamento. O GTR teve seu próprio teatro na Vila Itália, que foi adquirido pela Prefeitura e rebatizado para Teatro Municipal Nelson Castro. O grupo mantém o Teatro GTR,  nas dependências do Centro Social do Parque Estoril

Três décadas mais tarde, o vereador José Jorge Cury apresentou na Câmara Municipal, em 1955, um projeto de lei para construção de um teatro. A Câmara aprovou o projeto e, em 18 de setembro de 1956, destinou no orçamento de 1957, uma verba de CR$ 1 milhão para as despesas iniciais. Mas, o prefeito Alberto Andaló vetou o projeto e a Câmara confirmou o veto, derrubando o sonho do teatro.

Em 17 de junho de 1958, o vereador José Jorge Júnior retomou o assunto da construção do Teatro Municipal, recebendo o apoio imediato dos vereadores Orlando de Arruda Barbato e Fábio Homem de Mello. Fábio informou à Câmara que existia disponibilidade de verbas no governo estadual, afirmando em discurso que “o Município que rejeitar o empréstimo do governo estadual para a construção do teatro tirará uma certidão negativa de cultura”. Seu argumento valeu tanto que, em 27 de janeiro de 1958, saiu o decreto-lei estadual liberando as verbas para a construção do teatro. Todavia, nada de teatro. Não estava na visão do prefeito Andaló, em que pese Fábio Homem de Mello ser seu grande aliado na Câmara.

Somente em 1966, o prefeito Lotf João Bassitt encomendou do arquiteto Eiras Garcia o projeto da obra e, em 1970, o governo estadual liberou a primeira verba para a construção do Teatro Municipal que ganharia o nome de Humberto Sinibaldi Neto na sua inauguração, em 30 de janeiro de 1973, no penúltimo dia da administração de Adail Vettorazzo.

O teatro tinha 423 cadeiras, seis camarins, palco de 12 metros com 18 metros de profundidade e sete metros de altura. Entre 1984 e 1985, o espaço da entrada ganhou pintura do artista plástico Hudson Buck de Carvalho.

Em 1965, José Eduardo Vendramini e Vicente de Paulo Barbosa fundaram a Federação de Teatro Amador da Alta Araraquarense – FETAR, que funcionou até meados da década de 1970. Foram presidentes da FETAR o advogado Waldemiro Naffah, Humberto Sinibaldi Neto, José Eduardo Vendramini, Miguel Ângelo Fortunato e Celso Lui. Naquele mesmo ano, foi criado o Teatro Estudantil de Rio Preto – TERP, por um grupo integrado, entre outros, por Beatriz Sanches Varella, Carlos Capeletty, Claudio Lucchesi, José Eduardo Vendramini, José Joaquim Degásperi, Leopoldo Micelli e Sonia Góes.

Fundado em 20 de maio de 1967, por alunos do Instituto de Educação Monsenhor Gonçalves o Teatro Amador de Comédia – TAC. Entre os fundadores estavam Antonio Potenza Filho, Walter Circuitane, Hypolito de Almeida Filho, Marisa Antonio, Ernesto Henrique da Silva, Lourdes Potenza, Aparecida Arlete Leite, Maria Lúcia Fim, Maria Luiza Potenza, José Francisco Cetroni e outros.

Em 1969, Antonio Clineu Silva, Dinorath do Valle, Fábio Marques dos Santos, Humberto Sinibaldi Neto, José Eduardo Vendramini, José Reinaldo Barbosa, Raildo Viana e Ricardo Albuquerque, apoiados pelo prefeito Adail Vettorazzo, realizaram a primeira versão do Festival Nacional de Teatro Amador, de 6 a 17 de julho, no anfiteatro da Basílica Nossa Senhora Aparecida, com participação de grupos teatrais vindos de Curitiba, Ubatuba, Santos, Sorocaba, São Carlos, Bauru, Ribeirão Preto, Penápolis e Rio Preto. O grupo de Penápolis venceu o primeiro festival.
Em 1970 e 1971, os vencedores foram os atores de Fortaleza. Em 1973, o festival foi paralisado pelo prefeito Wilson Romano Calil, voltando a ser realizado somente em 1982, dez anos depois, pelo prefeito Roberto Lopes de Souza. No ano seguinte, em 1983, Manoel Antunes suspendeu mais uma vez o festival, retomando-o no ano seguinte. Em 2000, foi realizado o 20º Festival Nacional de Teatro que, a partir de 2001, se tornou Festival Internacional de Teatro.
A realização do Festival Internacional de Teatro – FIT, em 2001, no primeiro ano da administração de Edinho Araújo, foi o resultado de uma parceria firmada entre o SESC-Rio Preto e a Secretaria Municipal de Cultura, com modificações profundas na estrutura do antigo Festival Nacional de Teatro. O novo modelo permitiu a vinda de espetáculos internacionais e artistas de reconhecimento nacional. O 1º FIT, em julho de 2001, foi aberto com o espetáculo “Les Bonnes”, da França, com direção de Yoshida Oida, com Ismael Ivo, Koffi Kôkô e Ziya Azazi. Em 2025, o SESC deixou a parceria para a realização do FIT.

Em 30 de janeiro de 1973, pelo prefeito Adail Vettorazzo, inaugura o Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto, com 423 cadeiras, seis camarins, palco de 12 metros por 18m de profundidade e 7m de altura; projeto elaborado pelo arquiteto Eiras Garcia.

Em 21 de junho de 2012, o prefeito Valdomiro Lopes da Silva Junior inaugura, nas dependências da Swift, o Teatro Municipal Moura,  com capacidade para 964 lugares. Foi batizado com o nome do músico brasileiro Paulo Moura, nascido em São José do Rio Preto.


Fontes: www.quemfazhistória e várias edições dos jornais rio-pretenses.