A Companhia Swift do Brasil iniciou suas atividades em São José do Rio Preto em 4 de abril de 1944, na margem esquerda do rio Preto e à direita dos trilhos da Estrada de Ferro Araraquarense, nos fundos da Vila Ercília. Seus prédios, de arquitetura industrial, tem padrão manchesteriano, com 7.000m2 de área construída, dentro de uma área de 30.000m2. E uma torre imponente que pode ser vista de longe. Para a inauguração, vieram a Rio Preto os diretores Douglas Emery e W.J. Montgomery.
A construção esteve sob responsabilidade da empresa paulistana J.P. Urner e, durante as obras, em um acidente de trabalho ocorrido no dia 5 de maio de 1943, morreram quatro funcionários, deixando a cidade consternada. Morreram os trabalhadores João Vitorino Toledo, Jorge Haddad Filho, Pedro Fernandes Filho e José Ribeiro Galvão. Eles foram velados no Centro Operário e foram abençoados pelo padre Jerônimo Brasil. O delegado Antonio Tavares de Almeida, presidente da OAB, fez o discurso fúnebre. O jornal A Folha, publicou editorial de primeira página, no dia 7 de maio, afirmando que outros dois operários haviam perdido a vida em acidentes na mesma obra, meses antes. Ao todo, foram seis mortos na construção da Swift.
Em junho, o jornal A Notícia fez uma campanha para arrecadar fundos para amparar as famílias dos operários, chegando a 28 mil cruzeiros. A maior contribuição foi do Conservatório Musical de Rio Preto que, para comemorar o aniversário de Carlos Gomes, fez uma apresentação com renda revertida aos órfãos. Os alunos e as alunas do Colégio Santo André, do Ateneu Riopretano e do Ginásio do Estado auxiliaram na venda dos ingressos. No total, arrecadaram 3 mil cruzeiros; no palco, o maestro Luiz Biela de Souza Vale e as senhoritas Nelly Homsi e Nailda Boccucia. Naquela época não havia securidade social nenhuma. Os 28 mil arrecadados eram suficientes para comprar 16,5 mil quilos de arroz ou 6.200 galinhas.
A Swift produzia óleo de caroço de algodão e de amendoim. O óleo era transportado em vagão-tanque para Campinas, onde era refinado e enlatado. O óleo de caroço de algodão era enlatado com a marca “A Patroa” e o de amendoim, “A Dona”.
Durante todo o seu tempo de funcionamento em São José do Rio Preto, a Swift foi uma das maiores empresas empregadoras da cidade. No período da moagem do caroço de algodão, ela empregava cerca de 230 funcionários; este número caía para 170, na época da moagem do amendoim.
Por volta de 1949, a fábrica foi desativada, voltando a funcionar em 1951, até paralisar totalmente sua atividade industrial em 1969. Em 1960, ela cessou a moagem do caroço de algodão, passando a produzir apenas o óleo de amendoim. Em 1967, quando paralisou de vez suas atividades, estava produzindo óleo de mamona, que exportava para a União Soviética (Rússia).
Os galpões da Swift foram tornaram-se armazém de milho para a empresa Nargel, de Penápolis, até que, em 1983, o prefeito Manoel Antunes adquiriu, por Cr$ 137 milhões, o complexo. Com a compra, uma comissão opinou que os prédios da Swift deveriam ser reformados e adaptados para realização de eventos culturais.
Um ano antes da compra, em 1982, o diretor regional do Ciesp, Mauro Vecchiato, havia indicado o tombamento da Swift, pela primeira vez, sugerindo sua utilização para realização de feiras comerciais e industriais.
No dia 12/09/1983, o professor Daud Jorge Simão entregou em São Paulo, ao presidente do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo – Condephaat, Antonio Augusto Arantes, o pedido de tombamento da Swift.
Anexado ao pedido, Daud Jorge Simão apresentou um abaixo-assinado de representantes de várias entidades rio-pretenses que estiveram reunidos no dia 08/09/1983 para definir o pedido. Entre os assinantes estavam o deputado estadual Aloysio Nunes Ferreira Filho, o presidente do Ciesp, Mauro Vecchiato; a delegada regional de Cultura, Zezé Aziz; o presidente da ACIRP, Nilton Terruggi; Nilce Lodi, do Comdephact; Noélia de Mello Vieira, do Centro Cultural; Murilo de Moraes Seixas, do IAB; Nivaldo Alcântara, da Adesg; Silas Tiepo, da Sociedade Regional de Ecologia; Luiz Rocco Cavalheiro, Pedro Abilio Cury, Antonio Brás Vernucci, Zequi Elias, Ivo Serigatto, Caio Carvalho, Ana Maria de Souza Polotto, Sergio Augusto Alves de Oliveira, Antonio Hudson Buck de Carvalho, Teodoro de Souza Araújo, Vinicius Nucci Cucolicchio, Humberto Sinibaldi Neto, Romildo Sant’ Ana, Sílvio Pérsio, Marcos de Castro, Elvidio Dianni, José Carlos Galvão (neto de José Ribeiro Galvão, morto no acidente do dia 05/05/1943), Gilberto Zorzi, Margarete Bonadio, Daniel Tarraf Junior, Marco Antonio Pereira, Paulo Lucânia, Moacir Rodrigues Marques, Orlando José Cal, Neiva Maria Ortega Higa, Rosa Maria Abrão, Antonio Molina, Waldner Lui, Pedro Ganga, Eladio Arroyo Martins, Reinaldo Volpato, Alaor dos Santos, Elizabete Caballero, Clóvis Chaves, Christiane Roncato, Tsugugo Toma, Paulo Cesar Naoum, entre outros.
Em 15/08/1998, a Associação Comunitária Amigos de Rio Preto – AMIRRP sob a presidência de Paulo Roberto Doddi, apresentou pedido junto ao Condephaat, solicitando que fosse dado andamento ao pedido feito em 12/9/1983, o que provocou a abertura do processo de tombamento em 17/4/2000. Em junho de 2001, o prefeito Edinho Araújo nomeou Lelé Arantes para o cargo de diretor da Swift, com a missão de acelerar o processo de tombamento e apresentar alternativa de projetos para restauração e ocupação dos prédios. Arantes e Gaber Lopes, novo presidente da AMIRRP, estiveram no Condephaat e conseguiram o desarquivamento do guichê da Swift, no segundo semetre de 2001.
Com isso, o arquiteto Paulo Del Negro, visitou o complexo da Swift e exarou parecer pelo tombamento do chamado graneleiro – com 300 metros quadrados e um vão livre em madeira de 100 metros lineares.
Tombado, o complexo passou por reformas e restaurações. No seu espaço foram realizadas várias feiras e eventos, como as Bienais do Livro. Em um dos seus prédios (não tombado) foi construído o Teatro Paulo Moura.
O graneleiro da Swift é patrimônio arquitetônico do Estado de São Paulo.
Fontes: www.quemfazhistoria.com.br; a folha, 07/06/1943, ed. nº 1.962
