Segundo o site oficial da Prefeitura de Uchoa, em 1890 houve o desmembramento judicial de duas grandes fazendas na região do córrego Grande: a Palmeiras e a São Domingos (ou Moraes). O parcelamento de terras posterior à ação judicial, atraiu a atenção de migrantes mineiros e, depois, imigrantes espanhóis e italianos. Vinte anos depois, Salviano Nunes, provavelmente conhecedor do avanço dos trilhos da Estrada de Ferro Araraquara – EFA, de Catanduva para Rio Preto, decidiu doar uma gleba na margem esquerda do córrego Grande para formar um povoado. Segundo a Igreja Católica, o povoado começou a se formar em 1907, os sites da Prefeitura e do IBGE citam o ano de 1910. Fato é que a gleba foi doada para formar o patrimônio de São Miguel que, inicialmente, foi chamado de Córrego Grande. Os trilhos da estrada de ferro chegaram no final de 1911.
Sobre o nome do novo povoado, o jornal rio-pretense O Poder Moderador, publicou na primeira página, da edição nº 1, em 16 de agosto de 1911: “sabemos, de boa fonte, que d’aqui a muito poucos dias, será aberta ao trafego publico, a estação denominada ‘Ignacio Uchoa’, d’aquella estrada, que fica á distancia de quatro leguas d’esta localidade” (sic). E, em 5 de outubro de 1911, o empresário Manoel J. da Costa Mattos, anunciava n’O Poder Moderador seu serviço de troles entre Rio Preto e a Estação de Ignacio Uchoa.
Com o trem, chegaram também os imigrantes espanhóis, italianos e árabes, como as famílias de Ubaldino Alvarez Perez, Bruno Garisto e os irmãos Calil, Cecílio e Francisco Abdalla.
Em 1913, o engenheiro dinamarquês Arthur Ortenblad, proprietário das terras na margem direita do Córrego Grande, doou o patrimônio de Santa Izabel, próximo à estação de Ignácio Uchôa e iniciou loteamento, onde se instalaram residências, casas comerciais e um hotel, desenvolvendo-se em ritmo maior do que o patrimônio de São Miguel. O nome Santa Izabel é uma homenagem à sua mulher, Izabel Margarida Lerro Ortenblad, nascida em Campobasso, Itália.
Em 26 de dezembro de 1913, o governador em exercício Carlos Augusto Pereira Guimarães, assinou a Lei Estadual n° 1905, aprovada pelo Congresso Legislativo, criando o Distrito de Paz de Ignacio Uchoa com as seguintes divisas: começam na barra do córrego Taquary, no ribeirão de São Domingos, seguem por este baixo até a barra do córrego Palmeiras, por este acima até as suas cabeceiras; daí seguem em rumo até alcançar o espigão, por este espigão até frontear as cabeceiras do córrego Taquary, e por este abaixo até ao ponto onde tiveram começo essas divisas.
Em 1922, Uchoa era o segundo maior distrito de Rio Preto em arrecadação, com 60:000$000 (sessenta contos de réis), equivalentes a 7,4% do total do Orçamento, só perdendo para Mirassol. Em 28 de outubro de 1925, a Câmara Municipal informava aos deputados estaduais que o distrito de Uchoa reunia condições de se tornar Município porque tinha 12.000 habitantes, sendo dois mil só na sede. Dois meses depois, em 19 de dezembro de 1925, os deputados enviaram um ofício à Câmara Municipal de Rio Preto informando que um grupo de proprietários de terra em Uchoa queria passar suas terras para o domínio de Catanduva. Dias depois era criado o Município de Uchoa. A Câmara de Rio Preto nomeou entre 1913 e 1925 os seguintes subprefeitos para Uchoa: Ubaldino Alvares Perez, Joaquim Caetano de Mello, Alípio José Rodrigues, Júlio Bento Rodrigues, Raphael Paulino, Manoel Reverendo Vidal, Antônio Tapajoz Monteiro (1924/1925), Nicolau Lerro e Joaquim Pinto Cintra de Camargo.
O governador Carlos de Campos assina em 30 de dezembro de 1925, a Lei Estadual nº 2.117, criando o município de Ignacio Uchoa com as seguintes divisas: começam na barra do córrego Taquary, no Ribeirão de São Domingos; seguem por este abaixo até a barra do córrego das Palmeiras, e por este acima até encontrar o perímetro que serve de divisa entre as fazendas Barreiro Sujo (ou Barrinha) e (Palmeiras), daí por este perímetro até ao espigão divisório da fazenda São Domingos (ou Moraes) seguem por esse espigão até frontear as cabeceiras do córrego Taquary e por este abaixo, até a sua barra no ribeirão São Domingos onde tiveram começo.
A instalação do Município deu em 28 de março de 1926, com a posse do prefeito Joaquim Pinto Cintra de Camargo, do vice-prefeito João Birolli e dos vereadores Marciano Ferreira da Silva, João Domingues da Silva, Manoel Francisco Fernandes e Belisardo Egydio Andrés.
Na festa da posse, sob a responsabilidade do coronel Manoel Reverendo Vidal, estiveram presentes juiz Antonino do Amaral Vieira, o promotor Álvaro de Toledo Barros, o prefeito de Rio Preto Alceu de Assis e o presidente da Câmara Cândido Gonçalves da Rocha, Cenobelino de Barros Serra, Antônio Tavares de Almeida e cavalieri Romoaldo Negrelli. A festa começou às 10h30 da manhã na fazenda do coronel Reverendo Vidal com uma mesa de doces, café, chocolate etc. Às 12 horas aconteceu a posse, na Câmara, com juiz Amaral Vieira declarando instalado o município de Inácio Uchoa; estavam presentes também Adalberto Netto, prefeito de Catanduva; Antônio Pedroso de Barros, prefeito de Ibirá, e César de Carvalho, prefeito de Tabapuã. Ao fim do seu discurso, o juiz foi longamente aplaudido. Em seguida. usou apalavra Cintra Camargo, prefeito eleito, e depois, Cândido Gonçalves da Rocha, presidente da Câmara de Rio Preto.
Às 16 horas, foi realizado um grande banquete para 104 pessoas, no Cine Central, com mesas dispostas em U e ao som de uma orquestra. A Notícia anotou: “o menu rico e variadíssimo, os vinhos finos e os champanhes vinham completar a esplêndida festa. O serviço foi irrepreensível.”
Os discursos foram abertos pelo diretor do Grupo Escolar, professor Tertuliano Albergário e, depois, falaram o prefeito Alceu de Assis e o vereador Nelson da Veiga, diretor de A Notícia e, finalmente, encerrando os discursos, falou Ubaldino Álvarez Pérez. O delegado Pinto de Toledo esteve representado por Tavares de Almeida e o médico Luiz da Silva Novo representou a Sociedade de Medicina e Cirurgia de Rio Preto.
O governador Adhemar de Barros assina em 30 de dezembro de 1938, para vigorar a partir de 1 de janeiro de 1939, o Decreto Estadual n° 9.775 eliminando da palavra “Ignacio” da toponímia Uchoa. Suas divisas são reescritas da seguinte forma:
- Com Cedral: começam no espigão mestre Cubatão-São Domingos, onde ele cruza com o contraforte que deixa, à direita, as águas do ribeirão Taperão, e, à esquerda, as do córrego da Limeira, vão daí, em reta, à barra do córrego do Betelli, no ribeirão da Alegria (ou São Dominguinhos) e, por nova reta, à cabeceira do córrego do Chiquinho e descem por este até o ribeirão das Palmeiras.
- Com Rio Preto: começam no ribeirão das Palmeiras, na barra do córrego do Chiquinho e descem pelo ribeirão das Palmeiras até sua barra no rio Turvo.
- Com Olímpia: começam no rio Turvo, na barra do ribeirão das Palmeiras e sobem por aquele até a boca do rio São Domingos.
- Com Tabapuã: começam no rio Turvo, na barra do rio São Domingos e sobem por este a boca do córrego do Taquari.
- Com Catanduva: começam no rio São Domingos, na boca do córrego Taquari, sobem por este até sua cabeceira, continuam pelo contraforte que deixa, à direita as águas do córrego de José Inácio, e, a esquerda, as do córrego Bate-Panelas, até cruzar com o espigão mestre São Domingos-Cubatão.
- Com Ibirá: começam no espigão mestre Cubatão-São Domingos, onde ele cruza com o contraforte que deixa, à direita, as águas do córrego de José Inácio, e, à esquerda, as do córrego Bate-Panelas, seguem pelo espigão mestre até entroncar com o contraforte que deixa, à esquerda, as águas do ribeirão do Taperão, e, à direita, as do córrego da Limeira, onde tiveram início estas divisas.
