QUEM e o QUE

são HISTÓRIA na

QUEM e o QUE são HISTÓRIA na

A história do rádio em São José do Rio Preto tem início em 1927, com dois eventos marcantes: a inauguração da audição de rádio na Associação Comercial e pela irradiação pelo rádio por João Fragozo (ou Fragoso).

No dia 18 de abril de 1927, o dentista Raul Silva conseguiu convencer seus colegas da Associação Comercial, Industrial e Agrícola – ACIA, atual ACIRP, onde era primeiro secretário havia menos de um mês (assumiu o cargo em 26 de março, com a renúncia de Abrahão Duque) a comprar um aparelho de rádio-telefônico que era a maior novidade tecnológica do momento. Ele mostrou aos diretores que, com este aparelho, os comerciantes associados poderiam obter informações econômicas em primeira mão, sintonizando a programação da Sociedade Rádio Educativa Paulista.

O projeto era caro na época: 2:500$000 (dois contos e quinhentos mil réis), mas Nagib Gabriel, presidente da ACIA, e o associado José Polachini Sobrinho, entusiasmados com a ideia, decidiram arregaçar as mangas ao lado de Raul Silva e levantar recursos. Foi aprovada a ideia de um empréstimo em forma de debêntures. Lançaram-se 45 debêntures sorteadas entre os associados interessados. Com o dinheiro em mãos comprou-se o aparelho. Três sócios, Alfredo Boccucia, Rodolpho Schmiting e Palmiro Torquato gostaram tanto da ideia que fizeram doação de suas debêntures à ACIA.

Às 20 horas do dia 16 de maio,  um mês depois de aprovada a proposta, chegou o aparelho, e os diretores, associados e jornalistas convidados participaram da primeira audição de uma transmissão radiofônica na história da cidade, sintonizando a Rádio Educativa Paulista.

Todos gostaram e a ACIA assinou contrato com a emissora de São Paulo, passando a sintoniza-la pontualmente às 20 horas, diariamente. Coube a Raul Silva a responsabilidade de ligar e desligar o aparelho.

Uma reportagem especial escrita “por um amador” para o jornal Diário da Araraquarense, publicada em 20 de janeiro de 1935 (edição nº 742), foi feita com o objetivo de oferecer, como enfatiza seu título: “Subsídios para a historia do radio-difusão em Rio Preto – O que se fez desde “Bambú Rachado” à S/A Radio de Rio Preto”. O autor afirma que:

“Quando se escrever o historico da radio-difusão no nosso estado, Rio Preto figurará como tendo sido a pioneira da communicação do ‘sem-fio’ na Zona da Alta Araraquarense.
Foi João Fragozo, jovem radio-telegraphista amador, que aqui residiu nos annos de 1927 a 1929, quem primeiro transmittiu ao mundo todo, o nome de Rio Preto, por intermedio de um pequeno transmissor, por elle construído aqui.” (mantida a ortografia da época)

A reportagem salta o segundo semestre de 1930, informando que nos primeiros dias do movimento revolucionário, Fuad Homsi, que estava se dedicando de forma acurada “ao estudo dos segredos” da rádio comunicação, auxiliado pelo dentista Raul Silva, outro apaixonado pelo rádio, planejou a construção de uma emissora de rádio e foi assim que “numa noite em que se ouviam notícias alarmantes da rebelião, na sintonização de uma estação para outra, se fez ouvir bem: ‘estação experimental de Rio Preto’. Surgia a primeira estação de broadcasting riopretana.” Provavelmente foi uma noite de outubro. O jornalista continua sua narrativa escrevendo que:

“A nova correu célere e dai por diante a estação ‘mignon’, cujo potencial de irradiação mal dava para cobrir a nossa zona urbana, tornava-se de audição preferida pelos nossos amadores de rádio, não obstante as suas imperfeições. Em uma humorística entrevista publicada no ‘Mulambo’, de autoria do artista-boêmio Barreto, a nova emissora foi batizada com o sugestivo nome de ‘rádio bambú rachado’, em afirmação de suas optimas qualidade de modulação…
Bambú rachado’ , teve uma vida curta, mas gozada. Fez sucesso e concorreu para demonstrar, já naqueles tempos, a existência de elementos artísticos aproveitáveis em Rio Preto. Os seus diretores apuravam-se sempre na organização dos programas, tal a quantidade de participantes que desejavam exibir pelo microfone as suas qualidades.
Havia de tudo no ‘studio’: sopranos, tenores, baixos, barítonos, músicos e até um célebre que carrilhão transmitia a hora oficial, em badaladas compassadas, n’uma panela velha, desprezadas frações de 10 ou 15 minutos para mais ou pata menos da hora comunicada!
E era de se ver, então, o povo estacionado à frente da Casa Bueno, a acertar com empenho o relógio!… Durante o dia as visitas à estação, não cessavam e, às vezes, para atender a solicitações, o microfone recebia discursos e saudações que a estação não transmitia, porque não estava funcionando.”

O jornalista relata ainda que a “revolução sulista” tomava grandes proporções e “bambú rachado, que também era revolucionário” começou a demonstrar suas pendências partidárias e, quando chegava ao seu conhecimento de que havia perigo para a emissora, Fuad Homsi “escondia” a estação em “pequena mala de viagem” e a rádio desaparecia. E foi assim que Homsi e Raul Silva passaram quatro anos tocando essa rádio, até que eles decidiram apostar em uma empresa radiofônica e fundaram a “A Voz de Rio Preto”, com 10 watts na antena e alcance controlado para mais de 70 quilômetros, em pleno dia.
E importante: todos os equipamentos da rádio foram produzidos em Rio Preto, como bobinas, condensadores, transformadores e até microfones. A modulação, considerada ótima, mereceu elogiosas referências dos amadores (ouvintes) residentes em outras comarcas distanciadas. Para amparar a nova transmissora, que como a primeira, foi toda construída e custeada por Homsi e Silva, constitui-se o Rádio Clube de Rio Preto, com “elementos de destaque social”.
Mas, por volta de 1934, o governo decidiu regulamentar as transmissões radiofônicas, exigindo que em cidades com menos de 100 mil habitantes as emissoras deveriam possuir um potencial mínimo de 250 watts. Com isso, a rádio de Homsi e Silva deixou de existir.
Raul Silva, que em 1927, havia feito a Associação Comercial instalar um aparelho de rádio na sua sede, não desistiu da radiofonia. Ele foi o responsável pela organização de sociedade anônima que deu origem à Rádio Rio Preto – PRB 8. Segundo Alberto Cecconi, a PRP-B8 foi a 16ª emissora de rádio do Brasil a obter autorização para funcionar.  Por isso era B-8. A Rádio A-8, segundo ele, era de Ribeirão Preto.

Ainda segunda a reportagem do Diário da Araraquarense, a sociedade anônima foi composta com um capital social de 100 contos de réis em ações vendidas a 100$000 (cem mil réis) parcelados em quatro vezes. A reunião de incorporação da sociedade aconteceu na sede da Associação Comercial, às 21 horas do dia 16 de janeiro de 1935. Os primeiros acionistas foram, além de Raul Silva, o juiz Herotides da Silva Lima e os cidadãos Lindolpho Guimarães Corrêa, Edgard Vieira Cardoso, João Vicente Aiello, Philadelpho Manoel Gouveia Neto, Aureliano de Mendonça, Antonio Maria Duque, Theotonio Monteiro de Barros Filho, Alberto José Ismael, Synésio de Mello e Oliveira, José Spinola Castro, Alceu de Assis, Victor Brito Bastos, Celso Caiuby Novaes, Galante & Cia., Álvaro Toledo de Barros, Manoel Domingues, Felippe Lacerda, Altamiro Pisani, Manoel Teixeira, José Maria Rollemberg Sampaio, Braz Consentino, Sebastião Miranda, J.B. Marcondes Machado, Cícero Baldy, Antonio Frias (Nova Granada), Erensto Baffi (Miralua), Elvira Aiello, Antonio Curti e Altino Dias de Carvalho.

No dia 25 de janeiro de 1935, Vasco Tessarollo informava que seria o construtor das antenas da rádio, previstas para ter de 35 a 45 metros de altura, feitas em ferro batido. As duas torres teriam, na altura de 25 metros, um posto de observação para quatro pessoas. Em suas bases, haveria espaço para um pequeno bar e garagem para três ou quatro automóveis. Sem contar que seriam dotadas de para-raios.
A emissora foi inaugurada, silenciosamente, na segunda quinzena de julho de 1935 e, segundo o jornal Diário da Araraquarense, edição do dia 24 de julho, “foi um tanto ou quanto decepcionante a inauguração oficial das audições do Rádio Club de Rio Preto”. Para o jornal, o laconismo da inauguração era incompreensível e incompatível com o espírito do empreendimento.

Finalmente, em 7 de outubro de 1935, o presidente Getúlio Vargas, assinou a autorização para o funcionamento da “A Voz de Rio Preto”, da Rádio Rio Preto S/A, que festejou no dia seguinte, em festa que teve início às 20h, sob o som da banda de música do Circo Seyssel. Coube ao juiz e acionista Herotides da Silva Lima lançar nos ares o prefixo PRB-8, pronunciando que:

“Realizamos neste momento a solenidade do batismo da nossa estação difusora, que tomou o prefixo PRB-8, com o qual passa a vibrar nas ondas misteriosas do infinito, espalhando as alegrias da cidade risonha e jovem. É um momento de emoção e de festa para Rio Preto, que enlevadamente contempla a sua filha mais nova com essa incontida exultação das mães felizes e orgulhosas.”

A parte musical ficou a cargo do maestro Artur Ranzini, de Joaquim Portella, dos músicos do Seyssel e da banda-jazz Paratodos. Cerca de quatrocentas pessoas participaram da inauguração oficial da rádio.
Uma nova rádio somente seria colocada no ar 22 anos mais tarde, em 1957, a Rádio Difusora, sob a direção de Egídio Lofrano.Emissoras de rádios e televisão com sede em São José do Rio Preto:

1930 – Rádio Bambú Rachado

1935 – Rádio Rio Preto – PRB 8

1957 – Rádio Difusora

1960 – Rádio Cultura

1961 – Rádio Piratininga

1962 – Rádio Independência

1970 – Rádio Anchieta

1975 – Rádio Brasil Novo

1980 – Rádio Estéreo Show

1981 – Rádio Centro América

1981 – Rádio Onda Nova

1986 –  Rádio Metrópole

1991 – Rádio Líder

1998 – Rádio Melodia


Fonte: www.quemfazhistória.com.br; diário da araraquarense, 09/10/1935, pág. 4, edição nº 940