A história começa quase um século antes do surgimento do povoado. Consta que por volta de 1820, Manoel Ponciano Leite já tinha uma grande fazenda, com cerca de 5 mil alqueires, no espigão do ribeirão do Borá. Pouco mais tarde, por volta de 1829, João Antônio de Siqueira comprou cerca de 2.100 alqueires, fixando a fazenda Três Córregos, para onde se mudou sua família.
Somente em 1905, quando a família de João Antônio de Siqueira teria feito a partilha de terras para os herdeiros, foi permitido ao agrimensor Luiz Roncatti reservar uma área de 17 alqueires para doação à Igreja para a construção da capela devotada padroeiro São Bom Jesus, para um cemitério e para a ocupação com vistas a fundar um povoado.
Mas, somente em 1910, um dos herdeiros, Lourenço Braz de Siqueira, teria construído a capela, enquanto Manoel Mano da Silva instalava o primeiro estabelecimento comercial. Outros moradores, como José Rodrigues da Costa, conhecido como Carioca, e José Contador, foram chegando. Segundo o site do IBGE, as primeiras casas de pau-a-pique começaram a ser edificados em 1907.
No dia 25 de abril de 1908, o prefeito de Rio Preto, Adolpho Guimarães Corrêa, recebe o cemitério do bairro Três Córregos para ser administrado pela Câmara e nomeia como zelador Raphael José da Silva. Dias depois, em 7 de maio, o inspetor de caminho do quarteirão de Três Córregos, João Lourenço de Siqueira, encaminha oficio à Prefeitura informando a morte de Luiza Felecidade de Jesus e seu sepultamento no novo cemitério.
O Distrito de Paz foi criado pelo governador Altino Arantes, já com o nome de Potirendaba, no município de Rio Preto em 10 de dezembro de 1919, pela Lei Estadual nº 1.676, com as seguintes divisas: começam no espigão divisor das fazendas Paula Vieira e Cachoeira, no ponto em que é atravessado pela estrada de Ibirá a Rio Preto; seguem por esta estrada até ao córrego do Borá e por este abaixo até à sua barra com o córrego da Borboleta, que fica em frente ao espigão divisor das fazendas Borá e Córrego Grande, à esquerda; por este espigão e espigões divisores das fazendas Borá (ou Boa Vista), Três Córregos (Leites), com Boa Vista e Cachoeira e Paula Vieira, com esta última fazenda até ao ponto onde tiveram começo.
Em 1922, Potirendaba era o quinto maior distrito de Rio Preto em arrecadação: 29:300$000 (vinte e nove contos e trezentos mil réis), equivalentes a 3,6% do total do Orçamento. A Câmara Municipal de Rio Preto nomeou os seguintes subprefeitos entre 1919 e 1926: Antônio Manfredini, Álvaro Damasceno Ribeiro, João Baptista Vetorazzo, Antônio Amato, Alonso de Carvalho Braga e Benjamin Augusto Borges.
O governador Carlos de Campos assina, em 26 de dezembro de 1925, a Lei Estadual nº 2.098 criando o Município de Potyrendaba, com as seguintes divisas: começam na barra do ribeirão Borboleta no ribeirão Borá e continuam pelo espigão e deixa, à direita, as águas do ribeirão Borá e córrego Cachoeira e, à esquerda, as águas do rio Ribeirão, até a cabeceira principal do córrego Itu, descem por este e pelo córrego Cachoeira até a sua barra no rio Cubatão; sobem pelo rio Cubatão e córrego dos Borges até a sua cabeceira principal, certa a do córrego Roteira (ou Paço), descem por esse até a barra do córrego Pedro Martins; sobem por este córrego até a sua principal cabeceira daí, em linha reta, até a cabeceira do córrego José Francisco e continuam pelo divisor que deixa, à direita, as águas do ribeirão Barra Grande e, à esquerda, as do córrego do Leite (ou Três Córregos) e córrego Paula Vieira, até a barra do córrego Limeira, no ribeirão Barra Grande; sobem pelo córrego Paula Vieira e córrego Côxo até a sua cabeceira principal, dessa à barra do córrego Reverendo, no ribeirão Borá, descendo pelo ribeirão Borá até a barra do ribeirão Borboleta, onde tiveram começo.
A instalação do município aconteceu em 21 de março de 1926, às 13 horas, em uma tarde de domingo, com a presença do juiz Antonino do Amaral Vieira, o promotor Álvaro de Toledo Barros, o prefeito de Rio Preto, Alceu de Assis; os vereadores Cenobelino de Barros Serra, Cândido Gonçalves da Rocha, Victor Brito Bastos e Nelson da Veiga, que era também redator de A Notícia; o presidente da Associação Comercial de Rio Preto – ACIRP, Nagib Gabriel e vários funcionários da administração municipal e do Fórum de Rio Preto, e convidados de Potirendaba.
A instalação do município e a posse dos vereadores ocorreu às 13 horas. Foram empossados os vereadores Benedicto Norberto Pupo, Benjamin Borges, Roberto Tedesco, José Bauab, João Lúcio de Lima e Savério Managó.
Usaram a palavra o juiz Antonino do Amaral e o presidente da Câmara rio-pretense Cândido Gonçalves da Rocha. Em seguida, sob a presidência do vereador mais velho, Savério Managó, foi eleita a mesa com o seguinte resultado:
Benedicto Norberto Pupo, presidente; Savério Managó, vice-presidente e Roberto Tedesco, secretário. Benjamin Borges foi eleito prefeito e José Bauab, vice-prefeito.
Após as solenidades, foi realizado um banquete no Cine Rio Branco, oferecido pelos potirendabanos às autoridades rio-pretenses.
