As primeiras apresentação de algo parecido com a arte cinematográfica em Rio Preto aconteceram na última semana de outubro de 1903, quando Francisco Adão instalou em uma sala na residência de Godofredo Hummel Filho “um aparelho de projeção, chamado em que se exibem vistas variadas, de excelente efeito”, registrou o jornal O Porvir. O aparelho era chamado de “lanterna mágica”.
A primeira sessão de cinema ocorreu na primeira quinzena de agosto de 1908. Não há dados sobre o nome dos filmes apresentados, mas sabe-se que a última apresentação teve renda doada à Casa de Caridade (Santa Casa): 102$000 (cento e dois mil réis).
A primeira empresa de cinema estabelecida na cidade foi a Pathé, em 1911, pela firma Barbosa & Vitor. Em 4 de maio de 1912, a Pathé foi comprada por Lindolpho Guimarães Corrêa, Lafayete Spínola Castro e Abner Ribeiro Borges, que mudaram seu nome para Phenix Cinema. Em 1929, o Phenix foi comprado pela Sociedade Cine-Teatral Paulista e passando a chamar-se Cine Capitólio, depois de uma adaptação para apresentação de peças teatrais.
João Baptista e seus filhos José, Lauro, Theodoro e Pedro Demonte fundaram a Cinematografia Progresso, em 21 de dezembro de 1920, para produção de documentários e filmes de ficção. Em 1927, eles filmaram o carnaval de Rio Preto e montaram o filme mudo O Suicídio, com roteiro de Abílio Cavalheiro e letreiros de Alceu de Assis e Sebastião de Toledo, filmado na cachoeira do Marimbondo, no rio Grande. Além de filmes como “Carlito no Brasil” (imitação de Fernando Vidal), “Olympia e seu Progresso”, “Bebedouro e sua História”, eles também filmaram jogos do Rio Preto EC e “Carnavais de Rio Preto”. Em 1927, a empresa foi contratada pela Associação Comercial – atual ACIRP para rodar um filme de propaganda da lavoura cafeeira, registrando as roças e os embarques de café na plataforma da estrada de ferro. José Demonte era o diretor-gerente e Theodoro Demonte o diretor cinematográfico. Os irmãos contavam com a participação do auxiliar Martin Nilson.
Em 19 de julho de 1930, os dois cinemas da cidade, o Capitólio e o São José anunciaram a grande novidade: a chegada do cinema falado, ou sonoro. O Município trouxe uma enorme entrevista, de primeira página, com Braz Cosentino, diretor-gerente da Sociedade Cine-Theatral Paulista, dona do Capitólio. Cosentino vaticinou na entrevista o fim da apresentação das orquestras musicais nas salas de cinema. na mesma edição, na página 4, a Empreza Cinematographica Eden Parque, noticiava que suas duas salas de cinema, São José e Boa Vista, seriam dotadas de sonoridade. Primeiro seria o São José, que aguardava a chegada do aparelho Movietone e Vitaphone, adquiridos nos Estados Unidos, por 100 contos de réis. “Um maravilhoso sistema de reprodução sonora — cantada, falada e registrando quaisquer ruídos — com a mais impressionante exatidão e realidade”, explicou o diretor do Eden.
O projeto de lei nº 24/49 de autoria do vereador Basileu Toledo França, apresentado em 8 de março de 1949, tentava criar o Serviço de Cinema Educativo, para funcionar anexo à Biblioteca Municipal. Ficou no papel.
Entre os dias 2 e 24 de junho de 1956, a Empresa Cinematrográfica Irmãos Curti fechou suas salas de exibição em protesto contra a lei 410, de 15 de setembro de 1955, que regulamentava os impostos para jogos e diversões públicas.
Cinemas de Rio Preto:
Cine São José, instalado em 1928, na esquina das ruas Siqueira Campos e General Glicério.
Cine Capitólio, começou a funcionar em 1928; sucessor do Pathé Cinema.
Cine Rio Preto, inaugurado em 24 de dezembro de 1940, no Edifício Zini, na Bernardino de Campos, com frente para a praça Ruy Barbosa. Este cinema foi inaugurado com 2.144 poltronas, sendo 900 no balcão; com projeto de Rodolpho Fehr, e projeto de ventilação de J.G. Knauer (o mesmo que fez a ventilação do Cine Rex e da Ópera de São Paulo). Construído pelos irmãos argentinos Adelmo, Benedito e Ettore Zini, o cinema teve como gerente o alemão Eurico Grundi; dez anos depois, o cinema foi arrendado para os irmãos Curti.
Cine Boa Vista, fundado e inaugurado 1954, pelos irmãos Curti, rua Tiradentes,
Cine Ipiranga, inaugurado em 10 de março de 1956, por Lauro Demonte (Irmãos Demonte); arrendado em 1968 para os irmãos Curti, foi fechado em 1980.
Cine Esplanada, inaugurado em 25 de maio de 1958, na rua São João, 1764, na Vila Esplanada, Boa Vista, pelos irmãos Magid e Rachid Jamal, com 610 lugares. Foi fechado em 30 de junho de 1974.
Cine Tropical, fundado por Magid Jamal, rua General Glicério 2023, inaugurado em 1 de outubro de 1966; funcionou até 30 de junho de 1974, com 610 lugares.
Cine Meridien, fundado por Ilydio Polachini, em 1977, com 244 lugares, na rua General Glicério 2023.
Cine Capitólio, o segundo com este nome, foi inaugurado em 1976, pelos Irmãos Curti.
Cine Aquarius, auto-cine instalado nas margens da Represa Municipal, ao lado do Sesi, 1976.
Cine Curti, inaugurado em 1984, pelos Irmãos Curti.
Faltam informações sobre os Cines Eldorado, Central, São Paulo.
Fonte: www.quemfazhistoria.com.br; o município, págs 1 e 4, 19/07/1930
