A União dos Empregados no Comércio foi fundada em 22 de março de 1926, no salão nobre da Sociedade Italiana Cesare Battisti, por um grupo de homens, na maioria patrões, que se reuniu para formar o que, nos primeiros instantes, foi chamada de Associação dos Empregados no Comércio e logo depois rebatizada União dos Empregados no Comércio.
A assembleia de fundação foi presidida por Tibúrcio de Paula, Feliciano Cunha Lima, Nelson da Veiga e Manoel dos Reis Araújo,. Dentre os 35 fundadores estavam presentes Bolívar de Freitas, César Trabagli, Dirceu de Mattos, Eros de Araújo, Joaquim Camargo, Joaquim Estrella Maia, Joaquim Marques, José Saliba, José Úrsulo Nogueira, Lázaro do Amaral, Miguel Sanches Júnior, Odilon Machado, Orlando Vescovi, Pedro Carvalho, Salomão Assef, Severiano de Castro Novaes e Ulderico Toledo Piza.
A entidade tinha como finalidade oferecer educação, lazer e cultura aos comerciários, iniciando também as primeiras reivindicações de caráter trabalhista na cidade. A União foi responsável, por exemplo, pelas mudanças no horário de funcionamento do comércio que, até então, era aberto de sol a sol.
A primeira diretoria foi composta por Nelson da Veiga, presidente de honra; Tibúrcio de Paula, presidente efetivo; Feliciano Cunha Lima, vice-presidente; Severiano de Castro Novaes, primeiro secretário; José Pereira Caldas, segundo secretário; Manoel dos Reis Araújo, primeiro tesoureiro; Benedicto Mesquita, segundo tesoureiro; Altino Corrêa, representante; Joaquim Camargo, Joaquim Estrella Maia, César Trabagli e Sebastião Prado formaram o Conselho Fiscal, tendo José Saliba e Tufy Abufares como suplentes.
A posse aconteceu no dia 28 de março, domingo, no salão da Associação Comercial – ACIRP, cedido pelo presidente Nagib Gabriel, com a presença do prefeito Alceu de Assis e discursos de oradores famosos como o advogado Theotônio Monteiro de Barros Filho (que em 1933 seria eleito primeiro deputado federal pela região de Rio Preto). Menos de três meses depois, em 15 de junho, a União instalou-se em sua sede, na rua General Glicério, n° 22, e promoveu a inauguração no dia 26 de julho, com evento cultural do qual participaram o médico e poeta Floriano de Lemos e declamações poéticas de Jayme Peçanha e Maneco Reis.
Com a instalação da sede, a União passou a organizar, a partir de outubro, uma Biblioteca Popular, iniciando uma campanha de doação de livros. Para comemorar, pela primeira vez na cidade o Dia do Comerciário, foi realizado um “elegantíssimo baile” na sede da Sociedade Jovens Syrios. O baile, que deveria ter sido realizado em 30 de outubro ficou para o feriado de 15 de novembro.
Com direito a palestras, como a do convidado de honra, “o acatado jurisconsulto e catedrático da Universidade do Rio de Janeiro, o sr. dr. Luiz Nunes Ferreira Filho” e as esperadas falas de Monteiro de Barros e Floriano de Lemos, houve o baile e quermesse.
No diz 18 de dezembro de 1926, a União anunciou a abertura de uma escola de contabilidade e, no dia seguinte, anunciava em A Notícia, a abertura das matrículas — gratuitas para os sócios —, oferecendo os cursos comerciais de guarda-livros, contadores e escola primária. Era a Escola de Comércio 30 de Outubro, logo depois, passou a se chamar Escola de Comércio D. Pedro II, dando origem à Faculdades D. Pedro II que, por cerca de 90 anos ofereceu cursos de contabilidade e administração.
Em 22 de março de 1927, houve eleição e Tibúrcio de Paula foi reeleito presidente, tendo como vice-presidente Feliciano Cunha Lima, secretários Severiano de Castro Novaes e Melchiades de Souza, tesoureiros Joaquim Estrella Maia e Oliveira Pimentel, e beneficente, Tuffy Elias Abufares. Para o Conselho Fiscal foram eleitos Francisco Garotti Junior, José Bueno da Silveira, Primo Oliva e João Jorge e, para suplência, ficaram Walfrido de Almeida Rodrigues e Viriato Ferreira de Figueiredo.
Em 8 de abril de 1927, a União encampou uma luta de caráter nacional, levada a efeito pelas congêneres de São Paulo e Rio de Janeiro, para impedir um movimento de um segmentos dos “patrões” contra lei das férias, instituída em 1925 pelo governo federal.
Ainda em 1927, no dia 15 de novembro, foi inaugurado na sede da União, o Posto Médico Dr. Teixeira Leite Júnior, médico contratado pela diretoria para oferecer atendimento gratuito aos comerciários.
Na eleição de 22 de março de 1928, a União apresenta uma novidade: a senhorita Lydia Fran disputou a eleição para integrar o conselho fiscal. Obteve 12 votos e não foi eleita. Tibúrcio foi eleito para o terceiro mandado como presidente; com Primo Oliva para vice, Antonio Gottschall e Francisco de Almeida Viegas, secretários; José Bueno da Silveira e Oliveira Pimentel, tesoureiros; e Tuffy Abufares, beneficente; no conselho Abelardo L. da Silva, Adolpho Strauss, Avante Crocce e João Jorge, tendo como suplentes Feliciano Cunha Lima e Reeve C. Boss.
Em 1929, a escola estava sob a direção do professor Enoch de Moraes e Castro, funcionando nas dependências do Ginásio de Rio Preto, oferecendo, também cursos noturnos femininos de inglês e bordados, pela professora miss E. Porter e datilografia pela professora Alzorina F. Sacramento.
Pedido de demissão do diretor Enoch de Moraes e Castro instalou uma crise no seio da União que, em 18 de março de 1929, realizou assembleia geral. Os sócios presentes à assembleia decidiram rescindir o contrato com o diretor e fechar a escola.
Marcada eleição para nova diretoria, Tibúrcio de Paula que já havia desistido de disputar a reeleição antes da crise da escola, apontou como candidato, Justino Moreira. Por outro lado, Antonio Cavalcante de Albuquerque Filho e Francisco Laurito lideraram uma chapa opositora. Venceu a chapa da situação, Justino Moreira sendo eleito presidente, Cyro de Moura Bicalho vice-presidente; Victório Pavezzi e Hermínio Silva secretários, José de Assis Ferreira Junior e Eduardo Camargo Abreu tesoureiros, e Domingo Francica beneficente. Para o conselho fiscal Ulderico Toledo Piza, Affonso Faria Junior, Hugo Campos e Leonel Kaiser, com a suplência de Paulo Nache e Manoel Casanova.
Eleição em 22 de março de 1930 elegeu a diretoria para o biênio 1930/1931: José de Freitas Mugnaini presidente, Leopoldo Saldanha Murgel vice-presidente, Siciliano Netto e Orlando Vescovi primeiuro e segundo secretários, José Matia Therezo e Antonio Stagliano primeiro e segundo tesoureiros, José Duarte de Almeida diretor beneficente, Alberto José Ismael orador e, membros do Conselho Fiscal Antonio Gigliotti, Waldomiro Pacca e João Cândido de Lima e, suplentes, Cyro Moura Bicalho e Sebastião Toledo Piza.
Ainda em maio, no dia 19, foi realizada eleição da Rainha da União dos Empregados do Comércio: primeiro lugar, Wanda Montoro, em segundo Zazá Braga e em terceiro Ottilia Galante. O concurso foi organizado por Ottilia e por Alzorina Sacramento. Vale lembrar que os concursos de beleza daquela época eram feitos mediante venda de bônus. A candidata que mais vendesse era coroada rainha e não necessariamente a mais bonita.
A partir de 1930, a União dos Empregados no Comércio desaparece das páginas de A Notícia.
O Sindicato dos Empregado no Comércio, o Sincomerciários, não reconhece a União, como sua antecessora.
Fonte: www.quemfazhistoria.com.br; a noticia, 24/03/1926, página 1, edição nº 258, disponível em <https://www.riopreto.sp.gov.br/ged/amfphp/services/obtem_pdf2.php>,
