QUEM e o QUE

são HISTÓRIA na

QUEM e o QUE são HISTÓRIA na

A revolução que derrubou o presidente Washington Luís e colocou Getúlio Vargas no comando do Brasil teve forte repercussão em  Rio Preto e mudou o cenário do poder político. A mobilização foi mais legalista (pró-governo), e concentrou em Rio Preto os reservistas convocados para defender Washington Luís.

O governo criou na cidade a Coluna Legalista, em 9 de outubro, tendo Cenobelino de Barros Serra como coronel-comandante, Tertuliano Gavião Gonzaga como major-fiscal, Olavo Gonçalves de Oliveira como capitão-ajudante e o escritor Antônio Tavares de Almeida como tenente para comandar a 1ª Companhia. As adesões à coluna deviam ser feitas na Prefeitura e no Posto Policial.

Cinco dias antes, em 4 de outubro, o jornal A Notícia publicou artigo de primeira página informando sobre “boatos de que rebentará a revolução”. Dois dias depois, o mesmo jornal publicou com destaque um aviso da Delegacia Regional da Polícia informando ao povo que a Polícia “agirá  de maneira enérgica contra toda e qualquer pessoa que, sem razão, espalhar boatos de perturbação da ordem dentro do território paulista”.  No mesmo dia, o presidente do Tiro de Guerra, Theotônio Monteiro de Barros Filho, convocou atiradores e reservistas para fazer o policiamento da cidade.

No dia 10 de outubro, novamente a Delegacia de Polícia mandou publicar aviso nos jornais, informando à população que; 

a situação, dentro e fóra do Estado de São Paulo, é absoluctamente tranquilisadôra, podendo adiantar que o governo da União, pelas forças do Exército, já dominou quasi inteiramente o levante dos elementos da polícia mineira. O facto de estarem sendo alliciados, nesta cidade, elementos civis para a composição de um batalhão significa apenas que o governo se precavem contra qualquer tentativa que venha ameaçar a ordem e a integridade do Estado e do Paiz.

Em 15 de outubro, novo aviso da Delegacia de Polícia informava que o Tiro de Guerra não era mais responsável pelo policiamento da cidade. O comissário regional de Polícia, Salviano Leite Rolim, anunciou que o policiamento fora colocado sob responsabilidade dos diretores da Associação Comercial (ACIRP), da União dos Empregados no Comércio e da Associação dos Chauffeurs (motoristas). No dia seguinte, o governo anunciou que Rio Preto seria o ponto de concentração dos convocados. O secretário do Interior, Fábio Barreto, mandou o prefeito Cenobelino de Barros Serra “arranjar quartel para acomodar elementos mobilizados”.

No dia 27 de outubro, a revolução tornou-se vitoriosa e o governo caiu. Com Washington Luís, caiu o prefeito de Rio Preto, Cenobelino de Barros Serra. O governo provisório de Getúlio Vargas dissolveu os Legislativos, decretando o fim da incipiente democracia da Velha República. No mesmo dia, a Câmara Municipal de São José do Rio Preto se reuniu para, numa sessão, fazer a entrega do edifício da Câmara e da Prefeitura, com todo seu arquivo, móveis e utensílios, ao delegado regional de Polícia, Arthur de Salles Pacheco, representante do Governo Revolucionário. O delegado Pacheco foi encarregado de formar uma Junta Governativa Provisória e nomear um interventor. Dos oito vereadores, estiveram presentes na sessão o prefeito Cenobelino de Barros Serra, o vice-prefeito João dos Reis Meirelles, José Mendes Pereira, Laurentino João Camarero e Victor Brito Bastos, que era o presidente da Câmara. Faltaram os vereadores Frederico Pinto Ferreira Coelho, José de Freitas Caetano e Humberto Delboni.

Victor Brito Bastos, o juiz de Direito Mário Guimarães e Levínio de Souza e Silva, também representante do Governo Revolucionário, fizeram discurso elogiando a conduta do prefeito Cenobelino de Barros Serra e dos vereadores. A extinção da Câmara fora ordenada pelo secretário de Justiça, Plínio Barreto, ao delegado de Polícia, Philadelpho Gouveia Neto. Entre os dias 27 e 30 de outubro, a cidade foi governada por Philadelpho Gouveia Neto, porque o delegado Salles Pacheco ofereceu o governo civil “a diversos elementos de destaque do meio revolucionário” de forma insistente, sem ninguém aceitar. Para os revolucionários, a tarefa de nomear um governante para a cidade era do governo.

Em 30 de outubro, o delegado Philadelpho deu posse a uma Junta Governativa Provisória, formada pelos coronéis Joaquim de Arruda Campos e Fabiano Barreto, e por Honorato Gamero, Justino Moreira, Levínio Souza e Silva, Antônio Cavalcanti de Albuquerque Filho, Octávio Pinto César, Aureliano de Mendonça e Bráulio Barreto. A Junta decidiu dar poderes de interventor civil ao professor e poeta Aureliano de Mendonça.

No dia 22 de novembro, Mendonça decidiu alterar o nome de duas das principais ruas da cidade: para a rua Antônio Olympio (atual Voluntários de São Paulo), ele deu o nome de João Pessoa, e, para a rua Plínio de Godoy, deu o nome de Siqueira Campos. Na justificativa do ato, ele dizia que a mudança era por causa do

grande apreço em que é tida a memória de João Pessoa o heroe martyr do movimento em pról do Brazil maior cuja renovação não pode e nem deve sahir da retentina de todos os brazileiros.

E sobre Siqueira Campos ele escreveu que “é o heroe de Copacabana e o soldado sempre prompto para luctar em pról da liberdade.´”

Logo depois da revolução, a Escola de Comercio D. Pedro II , dirigida por Enoch Moraes e Castro, iniciou campanha para arrecadar dinheiro para ajudar o governo a pagar a dívida externa, abrindo uma conta no Banco do Brasil. As três primeiras doações foram feitas pelo gerente do Banco do Brasil, Izalco Sardemberg, com 20 mil réis; Jonas Alberto de Moraes e Castro, com 20 mil réis; e capitão José de Castro, com 10 mil réis.

No dia 10 de dezembro, chegou a Rio Preto o tenente Jurandyr Magalhães, delegado do Governo Revolucionário. Ele vinha para proceder uma sindicância que indicaria os nomes das pessoas que deveriam ser nomeadas para o cargo de prefeito na região. Para dirigir Rio Preto, ele indicou João Augusto de Pádua Fleury que, em 8 de abril de 1931, pediu exoneração do cargo em solidariedade ao Partido Democrático, recém-criado.


Fonte:
www.quemfazhistoria.com.br