Os negros — pretos e pardos, escravos e libertos — tiveram participação ativa na fundação e construção de São José do Rio Preto. Começando pelo nome da cidade, atribuído ao achamento da imagem de São José de Botas, padroeiro dos bandeirantes.
A imagem do santo, esculpida em madeira, foi encontrada em choça de índios Guarani abandonada, em algum ponto em volta da atual praça Rui Barbosa. Quem encontrou a imagem foram Mariana Ignácia e Maria Magdalena. A primeira era esposa de João Bernardino de Seixas Ribeiro e, segunda, escrava doméstica. Onde estava Mariana, estava Magdalena.
A imagem estava coberta por uma caixa de marimbondos e um tanto chamuscada pelo fogo. Elas limparam a imagem e colocaram na capela. Existem duas versões para a construção da capela. Uma diz que ela foi construída em 1845, portanto, cerca de cinco anos antes da chegada de João Bernardino. Outra diz que ela construída em 1855, após a fundação da cidade.
De uma forma ou de outra, o encontro da imagem de São José de Botas atesta que a cidade foi fundada e construída por três raças: o indígena, que já estava na região, o branco e o negro. Cada uma com sua razão diferente. O Guarani, nômade, subindo em busca da terra sem males, o branco em busca de terras para ocupação e o negro amarrado à escravidão.
Os indígenas viveram lado a lado com os brancos e negros na formação da cidade até por volta de 1885, quando anoiteceram e não amanheceram. Mas, por cerca de 40 anos, eles conviveram e até trabalharam para os brancos. E os negros permaneceram, mesmo após a abolição, em 1888, como aconteceu em todo o país.
Então, é plausível dizer que São José do Rio Preto é o resultado do encontro de três raças e que não há um fundador e sim vários fundadores, entre eles, as mulheres, que tiveram participação fundamental nesta história.