A criação do Município de Rio Preto teve por volta de 1892 com um movimento encabeçado pelo comerciante Pedro do Amaral Campos, mais conhecido como tenente-coronel Pedro Amaral. Com o apoio do coronel Juca Vaz (José Manoel Vaz de Sampaio), chefe político de Jaboticabal e assessorado por Ezequiel Guimarães Corrêa, que havia sido vereador jaboticabalense, Pedro Amaral liderou o grupo da emancipação formado por ele e pelos moradores Antônio Bernardino de Seixas, Basílio Ratters, Bernardino Mendes de Seixas, Emygdio de Oliveira Castro, Francisco Antônio Braga, João Dulcídio Pereira Mesquita, João Francisco de Oliveira, Joaquim Alves  Ferreira Pinto, José Baptista da Rocha, Luiz Francisco da Silva, Luiz Pinto de Moraes, Manoel Mendes de Seixas, Marcolino Marques da Costa, Nicolau Rodrigues de Gama, Pedro Amaral, Porfírio Luiz  de Alcântara Pimentel e Valêncio José Barboza. No grupo estava o fundador João Bernardino de Seixas Ribeiro.

Bernardino de Campos, presidente do Estado de São Paulo, assinou a lei estadual nº 294, no dia 19 de julho de 1894, concedendo a São José do Rio Preto sua emancipação político-administrativa; estava criado o Município, desligando-se definitivamente de Jaboticabal.

Em agosto, a Câmara Municipal de Jaboticabal, nomeou comissão de cidadãos rio-pretenses para administrar Rio Preto até a posse dos vereadores, marcada para 27 de novembro. Integraram a comissão os cidadãos Francisco José Braga, Porfírio Luiz de Alcântara Pimentel e Valêncio José Barboza. Quem administrava o distrito de Rio Preto, até então, era Pedro Amaral, nomeado fiscal pela Câmara de Jaboticabal dois anos, em 1892.
No dia 25 de setembro, os vereadores de Jaboticabal marcaram dia 29 de outubro a realização da primeira eleição municipal de Rio Preto.

Para realizar o pleito eleitoral, os 446 eleitores alistados vieram a Rio Preto os vereadores de Jaboticabal Raphael Picerni, Vicente Luguori e Fortunato Antônio da Silva. O cidadão Belisário Cintra veio com a incumbência de secretariar a votação, que aconteceu na sacristia da Igreja Matriz, sob a presidência de Cláudio Vaz de Arruda.

Os eleitores foram divididos em duas seções: uma presidida por João Mesquita e secretariada por Luiz Francisco da Silva, integrada também por Antonio Germano Baptista Gonçalves, Antonio Silvério Baptista e Porfírio Pimentel; e a outra presidida por Pedro Amaral, secretariada por João Bernardino e integrada por Marcolino Marques da Costa, Antonio Martins de Oliveira e Antonio Custódio Braga. Vale ressaltar que excetuando Antonio Martins de Oliveira e Antonio Custódio Braga, todos os demais membros das mesas eleitorais eram candidatos.

Ou dado que precisa ser salientado é que dos 446 eleitores, apenas 134 compareceram à votação. A abstenção foi de 69,95%. Um dos motivos do grande número de abstenções foi a distância. Votaram os eleitores que moravam na vila e no seu entorno. Era muito empenho e bastan5te dificultoso para uma pessoa sair Tanabi, Catanduva ou de Avanhandava apenas para votar.

O novo município tinha direito a eleger seis vereadores, dos quais um seria eleito entre seus pares para o cargo de Intendente (prefeito), com a função de executar as ordens emanadas do Legislativo. Naquela época, votava-se na lista de candidatos apontados pelo Partido Republicano. O mandato dos vereadores era gratuito, apenas o intendente recebia um salário em forma de gratificação. As sessões da Câmara aconteciam no primeiro dia útil de cada mês. Disputaram a primeira eleição rio-pretense os seguintes candidatos e suas respectivas cotações:

Pedro Amaral, 99 votos
Porfírio Pimentel, 93 votos
Luiz Francisco da Silva, 92 votos
Valêncio José Barboza, 74 votos
Francisco Antônio Braga, 62 votos
Luiz Pinto de Moraes, 59 votos
Luiz Antônio de Moraes, 3 votos
João Bernardino de Seixas Ribeiro, 2 votos
Ugolino Ugolini, 2 votos
Antônio Germano Batista Gonçalves, 2 votos
Manoel Silvério Baptista, 2 votos
Theodolino José de Paula, 1 voto
Marcolino Marques da Costa, 1 voto

A primeira sessão da Câmara Municipal de Rio Preto foi realizada no dia 27 de novembro de 1894, quando Pedro Amaral foi eleito presidente do Legislativo e Porfírio Pimentel, vice-presidente; e Luiz Francisco da Silva foi eleito intendente (prefeito) e Luiz Pinto de Moraes, vice-intendente. Essa primeira Legislatura teve duração efêmera: de 27 de novembro de 1894 a 7 de janeiro de 1896. Foi um mandato-tampão de 13 meses para que o Município pudesse se adequar ao calendário eleitoral da época.
A segunda Legislatura da Câmara foi eleita em 30 de julho de 1895, com os vereadores tomando posse em 7 de janeiro de 1896. Naquela época, até a Revolução de 1930, o mandato dos vereadores era de três anos e os prefeitos eram eleitos entre eles para mandatos de um ano.

Com a emancipação política, foi adotado o Código de Posturas de Jaboticabal, dando início aos trabalhos legislativos para elaborar seu próprio código, adequado às necessidades do novo município, que ficou pronto somente em 1902. O primeiro orçamento municipal apontou uma receita de 11:230$000 (Onze contos, duzentos e trinta mil réis) e fixou o salário do intendente (prefeito) em 1$500:000 (um conto e quinhentos mil réis ou cento e vinte e cinco mil réis por mês) por ano.

Uma década depois da emancipação, a cidade já figurava na Encyclopedia e Diccionario Internacional, de 1905, na página 9.875. Era uma importante publicação da época. O verbete de São José do Rio Preto apontava o município com 14.000 habitantes, distribuídos em seis distritos de Paz: Tanaby, Ibirá, Avanhandava, Vila Adolpho, Itapirema e Itapura, e mais sete distritos policiais: Guanabara, Monte Bello, Piassava, São Domingos do Cerradinho, São Sebastião da Cachoeira, Cerradão e Três Córregos. É evidente que houve algum erro de informação sobre Rio Preto na Encyclopedia, porque Villa Adolpho e São Domingos do Cerradinho eram o nome de Catanduva até 1914; São Sebastião da Cachoeira e Ibirá também eram a mesma coisa, enquanto que Guanabara e Piassava não têm nenhuma referência histórica com Rio Preto. A Encyclopedia também indicava que o Município era produtor de cana, café, cereais, gado, cavalo e suínos.

Quando São José do Rio Preto foi emancipada, seu território tinha como divisas os rios São Domingos, Turvo, Grande, Paraná e Tietê. Eram aproximadamente 40 léguas de comprimento, de Catanduva a Rubinéia, e 25 léguas de largura, de Icém a Penápolis. Pouco mais de 42 mil quilômetros quadrados (um pouco maior que a Holanda e pouca coisa menor que a Dinamarca).


Fonte: www.quemfazhistoria.com.br