O governador Cardozo de Mello Neto cria o Distrito Policial de Vila Gonçalves, no município de Monte Aprazível, pelo Decreto nº 8.480, assinada em 16 de agosto de 1937, com as seguintes divisas: começam na barra do córrego Cascavel com o ribeirão Santa Barbara, subindo pelo córrego Cascavel até a sua cabeceira; daí, em uma linha reta, até encontrar a cabeceira do córrego Monjolinho, pelo qual descem até sua barra com o ribeirão Ponte Nova e por este acima até encontrar as divisas das terras do coronel Varginha, com os sucessores do capitão Vicente Gonçalves dos Santos e, por estas divisas, até encontrar o espigão divisor da Fazenda Mato Grosso dos Castilhos e, por este espigão, em direção ao montante, até encontrar as divisas de José dos Santos; daí, descem por estas divisas até encontrar a bacia do córrego do Campo, pelo qual descem até a sua barra com o ribeirão das Palmeiras; daí descem pelo ribeirão das Palmeiras até encontrar a estrada velha de Buritama, em uma ponte e, daí, em rumo, até alcançar o espigão divisor da Fazenda Santa Bárbara de Baixo; daí, seguem em rumo, até encontrar o ribeirão Santa Bárbara, pelo qual sobem até encontrar a barra do córrego Cascavel, onde tiveram começo.
A vila Gonçalves foi fundada pelos irmãos Antonio Realino, Belizário, Benevenuto, Eudóxio Sabino, José Antonio, Liberato Abel, Maria dos Santos e Sudária Izolina, filhos do coronel Vicente Gonçalves, cujo patrimônio foi riscado por volta de 1931, tendo como padroeiro São Vicente de Paulo. Para isso, eles construíram uma capela e convidaram o padre Fidelis Orueta, vigário de Monte Aprazível, que celebrou a primeira missa no local, ainda em 1931.
Segundo F. J. Pires Ferraz, que se autodenominava “correspondente-viajante”, em reportagem publicada no jornal A Folha, no dia 19 de setembro de 1937, um domingo, os primeiros habitantes da região onde surgiu o povoado, foram os comerciantes Antonio Alves, Jorge Hajme e Januário de tal que ali se estabeleceram por volta de 1919, e não mais moravam na vila na época da reportagem. Era coisa de “ouvir falar”. A vila só prosperou quando os filhos de Vicente Gonçalves construíram suas casas e a partir da chegada do coronel Francisco Cardoso Primo, já na casa dos seus 62 anos de idade.
Em 1937, o povoado contava com duas farmácias, dois açougues, uma sapataria, uma alfaiataria e um comercio bem desenvolvido. Também havia uma escola mista e um curso noturna, com duas professoras lecionando.
