Não é fundo esse poço
que te engole dia a dia
debaixo de estrelas
no meio das filas
entre arranha-céus
que nunca serão teus

Nem é largo o fosso
que se abre a seus pés
entre mansões carcomidas
e fachadas aristocráticas
escondendo recordações
que quase ninguém viu

No entanto
é fundo e largo
e plausível
este sorriso
que você abriu
capaz de derrubar pontes
interceptar mísseis
fazer crível
esta súbita paixão


Poeta, escritor e pintor naïf mirassolense