QUEM e o QUE

são HISTÓRIA na

QUEM e o QUE são HISTÓRIA na
A artista plástica Maria Kassis entre as obras que estarão expostas na Casa de Cultura – Foto de Diego Santos.

Entre os dias 1º e 15 de junho, a Casa de Cultura Dinorath do Valle torna-se palco de um encontro íntimo entre o espectador e a subjetividade humana. A exposição “Arte Que Habita Espaços”, da artista plástica Maria Kassis, chega ao espaço cultural com uma proposta clara: convidar o público a desacelerar e mergulhar em uma experiência sensorial profunda, onde sentimentos que desafiam a linguagem verbal encontram refúgio nas artes visuais.

A mostra reúne um conjunto de 20 obras que funcionam como crônicas silenciosas. Autodidata, Kassis utiliza sua produção artística como um exercício de tradução, navegando com fluidez entre técnicas diversas. Em suas telas, o óleo, o grafite, o pastel e o lápis de cor não são apenas ferramentas estéticas, mas extensões de uma narrativa emocional que oscila entre o figurativo e o simbólico.

A linguagem das emoções

O diferencial da obra de Kassis reside na maneira como ela captura o efêmero. Seus personagens e cenas parecem suspensos em um tempo próprio, estabelecendo uma conexão direta com quem os observa. A versatilidade da artista permite que essa carga emocional seja transmitida com diferentes intensidades.

Exemplos marcantes desta versatilidade incluem a tela de uma bailarina na coxia — uma composição a óleo que sintetiza a tensão palpável e a expectativa do instante antes da entrada em cena — e um retrato, executado em lápis de cor, que retrata a maternidade sob o prisma da vulnerabilidade. Nestes trabalhos, a escolha dos materiais ressalta o contraste entre a dor e a alegria, a melancolia e a superação.

Para a artista, o ato de criar é um processo de entrega. “Com cada obra, vivencio uma relação de diálogo, cujos sentimentos são traduzidos em traços e cores”, afirma Kassis. Ela confessa, ainda, uma visão quase transcendental sobre o destino de suas produções: “Gosto de pensar que minhas obras encontram quem precisa delas”.

Arte como experiência viva

Mais do que uma simples exibição técnica, “Arte Que Habita Espaços” reafirma o papel da arte como uma experiência viva. Em uma era de ritmo acelerado e informações voláteis, a exposição propõe um respiro — um convite para que o público não apenas veja, mas sinta as texturas e as histórias contidas em cada suporte.

A mostra é gratuita e promete ser um ponto de parada indispensável para os apreciadores de artes visuais e para aqueles que buscam, através da estética, uma forma de compreender a própria complexidade humana.