A bela entrada do IPA. em fotografia de Jocelino Soares, de 8/11/2004

Instituto Penal Agrícola
Em 1944, o governador (interventor federal) Fernando Costa desapropriou uma área de 600 alqueires em São José do Rio Preto para a construção e funcionamento da Escola Prática de Agricultura – EPA. A construção foi iniciada, mas logo o governo estadual perdeu o interesse na instalação da escola.

Seis anos mais tarde, em abril de 1950, o governador Adhemar de Barros enviou à Assembleia Legislativa um projeto de lei solicitando autorização para vender os 600 alqueires da EPA para imigrantes. A Câmara Municipal de Rio Preto reagiu com protestos, com o vereador Alberto Andaló liderando o protesto, exigindo a construção de um aeroporto e da escola no local.

Em 27 de março de 1951, o vereador Felippe Lacerda cobrou da Câmara uma pressão política junto ao novo governador, Lucas Nogueira Garcez, para a conclusão das obras da EPA. Lacerda ressaltou que “desde 1948 esta Casa vem solicitando o término desta obra”. Foi aparteado pelo vereador João Mangini que informou que a escola “está em construção”. Dois meses depois, no maio, a imprensa anunciou que a no local da EPA seria instalada uma penitenciária.

A cidade reagiu contra e, em 15 de maio de 1951, o vereador Felippe Lacerda sugeriu a formação de uma comissão especial, integrada até pelo prefeito Cenobelino de Barros Serra, para ir ao governador Lucas Garcez e impedir que a escola fosse transformada em penitenciária. Dias depois, em 11 de setembro, o vereador Lacerda voltou a alertar a Câmara Municipal, informando que a Secretaria de Viação e Obras Pública do Estado havia aberto uma concorrência para adaptação do edifício da EPA em penitenciária agrícola. Lacerda queria a participação da Câmara contra a iniciativa do governo estadual, mas o vereador Bady Bassitt sugeriu que se acionasse o já então deputado Cenobelino de Barros Serra, na Assembleia Legislativa. Poucos dias depois, em 22 de setembro, o governador Lucas Garcez visitou a cidade e recebeu uma comissão de vereadores, encabeçada por Bady Bassitt, para discutir a situação das obras da EPA. A comissão tentou mostrar que a cidade era contra a sua transformação em penitenciária agrícola. O governador prometeu pensar nos desejos dos rio-pretenses, acalmando os ânimos dos mais exaltados.

Em março de 1952, foi a vez do vereador Aloysio Nunes denunciar na Câmara que tinha informações concretas de que a EPA estava sendo adaptada para abrigar uma penitenciária, mas foi fortemente aparteado pelo colega Francisco Felipe Caputo que disse que a penitenciária seria construída em Gonzaga de Campos.

Em 26 de março de 1955, após três anos de silêncio sobre o assunto e com os rumores cada vez mais fortes da instalação de uma colônia prisional agrícola, a Associação Rural, presidida por Luiz Duarte da Silva, iniciou campanha pública contra a transformação da EPA em Instituto Penal Agrícola – IPA. Um mês depois, em 19 de abril, o deputado Bady Bassitt denunciava na Câmara Municipal de Rio Preto que a transformação da EPA em IPA é um ato de represália do governador Jânio Quadros por ter perdido para Adhemar de Barros em Rio Preto na eleição estadual. Dias depois, em 3 de maio, a Câmara aprovou moção do vereador José Jorge Cury contra a instalação do IPA, com os votos contrários dos vereadores Daud Jorge Simão, Orvásio Rossi Tancredi e Antônio Damas. Mas já era tarde, a decisão estava tomada e a instalação do IPA foi uma questão de dias.

Criado sob protesto da cidade, o IPA recebeu no dia 18 de julho de 1955 os primeiros 30 presos (reeducandos) enviados de São Paulo em dois ônibus da CMTC. O primeiro diretor do IPA, era o promotor público Javert de Andrade, um dos mais ardorosos defensores do regime semiaberto. Javert foi assassinado em 2 de agosto de 1961, pelo preso-reeducando João Pereira Lima, vítima de um complô armado por seus inimigos dentro do governo.

O IPA foi desativado no final de dezembro de 2010 pelo governador Geraldo Alckmin, após 54 anos de funcionamento. Foram seus diretores:

Javert de Andrade de 1955 a 1961.
Rubens Cardoso Machado de 1961 a 1979.
Ibrahim Nelson Bento Lutaif de 3 de agosto a 23 de novembro de 1979
Geraldo Marini de 1980 a 1983,
Armando Casseb
de 1983 a 1999.
Rubens Camilo Moraes a partir de 1999
Ademir Panciera até 2010.


Fonte: www.quemfazhistoria.com.br;