QUEM e o QUE

são HISTÓRIA na

QUEM e o QUE são HISTÓRIA na

No dia 7 de fevereiro de 1908, o prefeito Adolpho Guimarães Corrêa sancionou a lei municipal nº 58, concedendo redução no imposto sobre as “machinas” de beneficiar café e arroz. No artigo 1º a lei estabeleceu que:

“Fica o senhor Antônio Paes de Camargo isento do pagamento da taxa adicional de 30% de sua máquina de arroz. Ficando mais a taxa fixa a que o mesmo está sujeito, no corrente exercício com a redução de 10%.”

Também foi aprovada a lei nº 59, concedendo as mesmas reduções a Roberto Brandt para a instalação de sua máquina de beneficiar café. As leis foram publicadas n’O Porvir, de 16 de fevereiro de 1908, edição nº 227. Brandt já era dono de uma ferraria na cidade, desde 1904. E, Paes de Camargo, teria como sócio o capitão e fazendeiro Dionísio Ferreira Diniz.

Outra tentativa de industrialização de São José do Rio Preto é de 1926, quando a Câmara Municipal decidiu autorizar o prefeito Alceu de Assis a conceder isenção de impostos por dez anos para a instalação de uma fábrica de tecidos. Não há informações sobre a existência de um possível interessado, mas o que se pode afirmar é que oficialmente não houve registro de interesse.

Em 26 de julho de 1936, A Folha informou que as Indústrias Matarazzo estavam colocando suas raízes em São José do Rio Preto. Segundo o jornal, o conde Matarazzo havia aberto negociação para a compra de um terreno ao lado da estrada de ferro e próximo à estação para instalar uma grande fábrica na cidade. Para o jornal, a vinda das Indústrias Matarazzo “será o marco inicial para a instalação da grande indústria entre nós.”

A industrialização ficou esquecida por mais de uma década até que, em 15 de fevereiro de 1937, o vereador João Baptista França propôs doação de terreno e isenção de imposto para quem se arriscasse em montar fábrica na cidade. Em junho, quatro meses depois, o vereador Feliciano Salles Cunha apresentou um projeto de lei para que, além de doação do terreno, fosse oferecido subsídio em dinheiro para incentivar a vinda de indústrias: 20 contos para fábrica de óleo e tecelagem e 30 contos para charqueadora. O projeto foi rejeitado dois meses depois, no dia 2 de agosto.

A industrialização só teve início quando a Swift do Brasil escolheu Rio Preto para implantar sua fábrica de óleo de caroço de algodão. Naquela época, a cidade ocupava lugar de destaque como sede de uma região riquíssima na produção de algodão. A Swift inaugurou seus prédios, numa uma área de 40.000m2, às margens dos trilhos da Estrada de Ferro Araraquarense – EFA em 14 de abril de 1944, sob a gerência de Douglas Emery e W.J. Montgomery. O complexo de edifícios da Swift tinha três grandes construções da arquitetura industrial inglesa, típica de região fabril de Manchester: o graneleiro com 3.000m2, o prédio das máquinas com 2.500m2 e o da caldeira e gerador com 1.500m2. A construção esteve sob responsabilidade da empresa paulistana J.P. Urner.

A Swift produzia óleo de caroço de algodão e de amendoim. O óleo era transportado em vagão-tanque para Campinas, onde era refinado e enlatado. O óleo de caroço de algodão era enlatado com a marca “A Patroa” e o de amendoim, “A Dona”.

Durante todo o seu tempo de funcionamento em Rio Preto a Swift foi uma grande empregadora da cidade. No período da moagem do caroço de algodão chegava a empregar cerca de 230 funcionários; este número caia para 170 na época moagem do amendoim.

Logo em seguida, instalaram-se na cidade a Sociedade Algodoeira Nordeste do Brasil (Sanbra) e Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo.

O maior empresário rio-pretense, Murchid Homsi, surgiu na mesma época. Em 1948, Homsi inaugurava o Cotonifício Rio Preto, uma grande fábrica para produzir e exportar plumas em fio de algodão para a Argentina. A inauguração, no dia 17 de janeiro de 1948, contou com a presença de vereadores e do prefeito Cenobelino de Barros Serra. Homsi administrava no início dos anos de 1950 um conglomerado de 10 empresas:
Cia. Rio Preto de Armazens Gerais
Cotonifício Rio Preto S/A
Curtume Rio Preto Ltda.
Homsi, Irmão S/A Comercial, Industrial e Agrícola
Homsi, Reverendo Vidal S/A Comercial e Exportadora
Laticínios Rio Preto Ltda.
Pastifício Rio Preto S/A
Sociedade Algodoeira Rio Preto Ltda.
Sociedade Rio Preto de Café Ltda
Textil Rio Preto S/A

Em 1951, ao preparar a revista Centenário, Basileu Toledo França registrou que a cidade contava com cinco fábricas de móveis, duas de ladrilhos, cinco de refrigerantes e cinco de beneficiamento de algodão e raion, empregando ao todo 853 operários. A Turquetti & Roma  fabricava móveis de ferro tipo americano, Augusto Vulpini produzia semeadeiras de arroz, feijão, milho e amendoim; a Chira S/A fabricava a Manteiga Sabor; Isidoro Pupin começava a dominar o mercado fabricando móveis de aço na esquina das ruas Antonio de Godoy e Marechal Deodoro; entre a fábricas de refrigerantes, figurava a Coca-Cola, produzida pela Refrigerantes Rio Preto Ltda., gerenciada por Roberto Azurem Furtado.

O impulso industrial da cidade parece ter esfriado com a morte de Murchid Homsi em 1959, aos 64 anos. Este impulso foi retomado quase uma década depois, em 1967, com a instalação da delegacia regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo – CIESP. No dia 1 de agosto de 1967, a cidade recebia a visita de João Passos, diretor-adjunto do CIESP de São Paulo, que vinha a convite de Waldemar de Oliveira Verdi e Fadl Al Haj. Passos veio organizar a criação da delegacia e a eleição da primeira diretoria que tomou posse oficialmente no dia 10 de novembro de1967.

Fadl Al Haj, libanês de Beirute, foi um dos maiores entusiastas da industrialização rio-pretense e, ainda em novembro de 1967, tornou público resultado de um censo realizado pelo IBGE sobre a indústria em Rio Preto, apresentando 387 estabelecimentos industriais, sendo 123 indústrias de alimentação (incluindo as panificadoras que são classificadas na categoria industrial), 72 de minerais, 36 do mobiliário, 33 do vestuário, 24 de metalúrgica, 18 de madeira, 15 químicas, 15 editoriais e gráficas, 7 de perfumaria e sabão, 6 de borracha, 6 de couros e peles, 4 de mecânica, 4 de produtos têxteis, 3 de papel e papelão, 2 de material elétrico, um de produtos farmacêuticos, uma de matérias plásticas e oito que não foram especificadas. Para Fadl, este número de estabelecimentos, atrelado à posição geoeconômica da cidade, representava um indicador absoluto para atrair novas indústrias. Seu apelo foi endossado em março de 1968, quando o secretário da ACIRP, Armando Cacciari, conclamou seus diretores a movimentar a sociedade na defesa de uma política de industrialização.

A febre da industrialização que tomou conta dos diretores da ACIRP e do CIESP aumentou no dia 9 de abril de 1968, quando industriais e comerciantes receberam os estudantes de arquitetura José Carlos de Lima Bueno, Caio Tabajara Lima e Carlos Peres Coelho para uma explanação a respeito de um estudo que estavam fazendo sobre o crescimento da cidade. Neste dia, o futuro arquiteto Lima Bueno vaticinou que dentro de 15 anos, mantendo aquele ritmo de crescimento e progresso, Rio Preto seria a terceira cidade mais importante de São Paulo, ressaltando que, para isso, seria necessário que ela se transformasse em um centro industrial com a implantação de pequenas e médias indústrias e aproveitamento da matéria-prima regional.

No dia 4 de fevereiro de 1969, o prefeito Adail Vettorazzo nomeou a Comissão Municipal de Industrialização que deveria coligir dados para a elaboração e execução de um plano municipal de industrialização. Esta comissão foi formada por Waldemar de Oliveira Verdi, Fadl Al Haj, José Pedro Salomão, Labienio Teixeira de Mendonça, Darcy Arantes, José Arroyo Martins, Rudolph Lenhard, Celso da Silva Melo, Carlos Roberto de Oliveira, Anésio Vetorasso e Raul de Castro.

Um mês depois, a comissão sugeriu a implantação de um distrito industrial, apontando o remanescente de uma área do Instituto Penal Agrícola – IPA, de 50 alqueires, encravada entre a rodovia Washington Luís, córrego Piedade, a estrada de ferro, o cemitério e o aeroporto. Também foi sugerida a adoção de uma política de incentivo, que foi normatizada pela lei municipal nº 1496 de 25 de setembro de 1970.

A área pertencia ao Estado e foi necessária movimentação política para recebe-la em doação. Eram tempos de ditadura militar e como o prefeito Adail Vettorazzo era da Arena, partido do governo, não foi difícil conseguir o apoio e a adesão do governador Abreu Sodré, que fez a doação de 42 alqueires. Uma parte ficou para o Horto Florestal.

Recebida a área, Vettorazzo criou o Programa de Desenvolvimento Industrial – PRODEI, em 14 de outubro de 1970, integrado por José Barbar Cury, Walter Aiello, Anatol Konarski, Rapiel Parsekian, Waldemar de Oliveira Verdi, José Carlos de Lima Bueno e Celso da Silva Melo. Cinco anos depois, 35 indústrias já estavam instaladas no Distrito Industrial.

A partir de 1986, houve um redirecionamento na política industrial da cidade. O prefeito Manoel Antunes, orientado pelo secretário de Planejamento, Orlando Bolçone, investiu na implantação de minis distritos para abrigar micros, pequenas e médias empresas. Em dez anos foram implantados 13 minis distritos, beneficiando 801 empresas que geraram, segundo a Secretaria Municipal de Planejamento e Gestão Estratégica, 8.520 empregos. Outros dois distritos industriais foram criados, o “Carlos de Arnaldo Silva”, na margem da rodovia Transbrasiliana (BR 153), saída para Nova Granada, e o “Ulisses da Silveira Guimarães”, na entrada do Instituto Penal Agrícola – IPA, que foi desativado.


Fonte: https:// www.quemfazhistória.com.br