QUEM e o QUE

são HISTÓRIA na

QUEM e o QUE são HISTÓRIA na

O presidente da Câmara, Pedro Amaral, principal chefe político da cidade, inaugura no dia 16 de dezembro de 1895, o primeiro serviço de iluminação pública, com oito lampiões a querosene doados, quatro por ele, e pelos cidadãos Benedicto Tavares da Silva Lisboa e José de Assis Pereira e Silva, com dois cada. Era o começo da iluminação pública.

Somente sete anos depois, a Câmara Municipal aprovou a lei nº 8, de 25 de dezembro de 1902, determinando que o serviço de  iluminação pública em Rio Preto fosse feito sempre por concorrência, se possível. A lei dizia que a luz deveria ser acesa às 18 horas no verão e 17h30 no inverno, apagando-se à meia noite.

Anos antes, em 15 de abril de 1898, o coronel Adolpho Guimarães Corrêa e o engenheiro Ugolino Ugolino haviam obtido da Câmara o direito de explorar o Salto do Avanhandava, no rio Tietê. Entre os direitos, figurava projeto de construção de uma usina hidrelétrica para servir a vila de São José do Rio Preto com energia para a iluminação pública. Essa concessão de monopólio perdeu a validade por caducidade.

Em 2 de maio de 1904, o vereador Bernardino Mendes de Seixas apresentou proposta à Câmara para a criação do Serviço Municipal de Iluminação Pública, que possibilitaria ao sistema de iluminação receber lâmpadas de álcool  incandescente. Ele via o sistema como um incentivo aos “lavradores do Município para que se dediquem ao fabrico do álcool industrial”. Ainda em maio de 1904, o intendente Emygdio de Oliveira Castro sancionava a lei nº 18, depois da aprovação pela Câmara, permitindo a instalação das lâmpadas a álcool. E já no mês seguinte, em 18 de junho de 1904, Emygdio de Castro, recebia autorização da Câmara para gastar até 3:000$000 (três contos de réis) para melhorar o serviço de iluminação feita com álcool. Ele comprou um lote de lâmpadas de 80 velas. Essas, lâmpadas, consideradas modernas, foram instaladas nas ruas do Commercio (Coronel Spínola), General Glicério, Prudente de Moraes e XV de Novembro, e no Largo da Matriz (atual praça D. José Marcondes). Quatros anos, depois elas já estavam obsoletas.

No dia 15 de julho de 1908, o prefeito Adolpho Guimarães Corrêa inaugurou a iluminação pública a gás acetileno, consumindo dez quilos de carbureto por noite, o que representava uma despesa diária de 5$000 (cinco mil réis). Cinco meses depois, em 22 de dezembro de 1908, a Câmara concedeu a Luiz de Goes Pietsch privilégio de 30 anos para instalar uma usina de força e luz elétrica, estabelecendo um prazo de 90 dias para assinatura do contrato. O historiador Basileu Toledo França indica que, em 1 de outubro de 1910, caducou o contrato entre Pietsch e a Câmara enquanto que documento sobre as memórias da CPFL diz que Pietsch  perdeu a concessão em 7 de janeiro de 1911, por não ter assinado o contrato.

Em 8 de agosto de 1911, a Câmara aprovou a concessão do serviço de iluminação pública para Ozias Alves da Costa (com os votos contrários de João Odorico Cunha Glória, Gilberto Lex e Luiz Francisco da Silva. Os três vereadores não faziam parte do grupo do coronel Adolpho, que comandava a política na cidade. Esta votação abriu uma crise política que culminou com a cassação do mandato de Cunha Glória e a renúncia Lex e Luiz Francisco dias depois). Em 15 de outubro de 1911, era assinado o contrato entre a Prefeitura e Ozias da Costa.

Quatro mese depois, em 10 de fevereiro de 1912, Ozias Alves da Costa, concessionário da  iluminação pública, argumentando que o custo era elevadíssimo para montar uma usina elétrica, pediu autorização da Câmara para fornecer energia elétrica através de usinas a vapor (autoclave). A Câmara disse não ao pedido, porque o contrato previa eletricidade. Diante da negativa, formou-se em São Paulo, no dia 18 de maio de 1912, a Empreza de Electricidade de Rio Preto. Na verdade, essa nova empresa, que tinha como principal acionista Armando Sales Oliveira, havia comprado os direitos de exploração (privilégios) de Ozias Alves da Costa. Sales Oliveira, que já tinha concessão para fornecer energia em Jaboticabal e Barretos, ao adquirir a Empreza de Electricidade de Rio Preto, obtinha também direito de explorar a cachoeira de Marimbondo, no rio Grande (onde hoje funciona a hidrelétrica de Furnas). Essa nova empresa também incorporou, por compra, a Empreza Telephonica de Rio Preto que, em 18 de maio de 1912, que já era considerada “antiga”.

Apesar da negativa oficial da Câmara, o autoclave (aparelho a vapor sob pressão, movido a lenha) foi inaugurado no dia 15 de março de 1913. O novo sistema feria frontalmente o contrato assinado em 1911. A questão maior era que a Câmara de Rio Preto não tinha forças políticas para enfrentar Sales de Oliveira, que impôs o sistema à cidade. Além de Rio Preto, a empresa tinha o direito de explorar a iluminação pública nos distritos rio-pretenses de Ibirá, Potirendaba e Uchoa.

Com ou sem autoclave, a maioria das casas continuava usando a iluminação produzida pelo querosene, gás acetileno e velas. No dia 18 de agosto de 1913, a Empreza de Electricidade de Rio Preto informou à Câmara que a eletricidade iria demorar mais um pouco porque seus técnicos haviam constatado que era impraticável o aproveitamento da corredeira Dourada, no rio Turvo (Cachoeira do Talhadão) para a instalação de uma usina hidrelétrica. O ideal, segundo a empresa, era mesmo a construção da usina na Cachoeira do Marimbondo, no rio Grande, distante 80 quilômetros de Rio Preto. Dias depois, em 29 de agosto de 1914, a empresa informava à Câmara que a solução, enquanto não fosse construída a usina de Marimbondo, seria manter o “serviço provisório” da iluminação tocada a vapor.

Quase sete anos depois, em 23 de fevereiro de 1921, o prefeito Presciliano Pinto convocou a Câmara em sessão extraordinária para decidir o que fazer com a Empreza de Electricidade Rio Preto. Pelo contrato assinado, a empresa deveria estar fornecendo iluminação na corrente de 220 volts, mas, há tempos, ao invés de aumentar, a empresa vinha reduzindo a corrente. Presciliano informou aos vereadores que havia concedido um prazo até 31 de dezembro de 1920 para a empresa regularizar os serviços. O prazo não foi cumprido e os vereadores decidiram interpelar a empresa judicialmente, concedendo mais 30 dias para a regularização da situação sob pena de encampação.

Um ano e meio depois, em 23 de junho de 1922, a Câmara autorizou o prefeito Presciliano Pinto a assinar contrato adicional com a Empreza de Electricidade de Rio Preto para que a iluminação pública fosse elevada para 25 mil velas, no valor de 25:000$000 (vinte e cinco contos de réis), equivalente a  1:000$000 (um conto de réis) para cada vela/ano. O contrato obrigava a empresa a instalar, nas habitações particulares, medidores de luz com capacidade  de meio kilovolt ampére a 25$000 (vinte e cinco mil réis) por mês e mais 10$000 (dez mil réis) para cada meio kilovolt ampére que fosse acrescido ao primeiro; o preço do quilowatt-hora foi estabelecido em $500 (quinhentos réis) para os consumidores que pagassem sua conta até o dia 10. O aumento no preço da iluminação deveria ser feito em quatro meses para não onerar demasiado a despesa da população consumidora. A empresa se obrigava a fazer as instalações particulares gratuitamente. A Câmara também autorizou a empresa a retirar as máquinas de sua antiga usina, mantendo em sua substituição o contrato apresentado e firmado com a firma A. Rosa & Filho, para o fornecimento de energia elétrica. A Câmara mandou a Prefeitura estabelecer prazo para os serviços da usina na cachoeira do Marimbondo. Em 28 de outubro de 1922, a Prefeitura desapropriou faixa de terra para a passagem das linhas de eletricidade para Mirassol e Engenheiro Schmitt, ampliando o monopólio da empresa.

No dia 5 de novembro de 1925, foi constituída a Companhia Central de Eletricidade de Icém para  a construção da usina de Marimbondo. A Empreza de Eletricidade Rio Preto figurava como uma das maiores acionistas desta nova companhia.

O prefeito Alceu de Assis, no dia 22 de abril de 1925, havia solicitado autorização da Câmara para gastar até 20:000$000 (vinte contos de réis) para o conserto dos lampiões de gás acetileno e para a compra de mais 25 postes de madeira para a iluminação pública do distrito de Nova Granada.

Um ano depois, no dia 2 de março de 1926, requerimento do vereador Ângelo Joaquim Corrêa cobrava  providências da Prefeitura contra a Empreza de Eletricidade Rio Preto,  sugerindo um prazo de um ano para execução do contrato sob pena de nulidade de concessão. Ainda no início de 1926, o jornal A Notícia iniciou uma campanha, através de artigos de primeira página, contra o serviço de iluminação pública da cidade, que era precário. A usina de Marimbondo continuava sendo um sonho e a iluminação pública um pesadelo.

Em 24 de janeiro de 1928, a Empreza de Eletricidade Rio Preto foi adquirida pela Companhia Paulista de Força e Luz – CPFL  — mas o nome da CPFL só apareceu em 1947. E, finalmente, no dia 19 de setembro de 1928, foi inaugurada a Usina do Marimbondo, funcionando na época com 20.000 CV. A capacidade de produção era tão grande que só foi alcançada totalmente dez anos depois. Entre os convidados para a festa de inauguração estava o governador Júlio Prestes, candidato, iniciando sua vitoriosa campanha à Presidência da República (ele ganhou a eleição mas não assumiu, por causa da Revolução de 30).

Essa usina foi desmontada em 23 de janeiro de 1973, para a construção da usina Marimbondo-Furnas, com sua capacidade aumentada em cinquenta vezes.

Em 26 de dezembro de 1929, o prefeito Cenobelino de Barros Serra assinou a Lei nº 721 que o autorizava a contrair um empréstimo de 400:000$000 (quatrocentos mil contos de réis) para pagamento de débitos com a Empreza de Eletricidade. Seis meses antes, no dia 6 de julho de 1929, ele havia nomeado Salvador Cêntola como perito para analisar e oferecer um parecer e contraproposta à empresa. Um ano depois, em 25 de junho de 1930, Cebonelino renovou contrato com a empresa, referendado pela lei 739, de 20/9/1930. Em nome da empresa, assinou Otello Sartini.

Em 1937, a iluminação pública ainda não havia atingido a rua Cândido Carneiro, na vila Bom Jesus, segundo documento encaminhado à Câmara Municipal, com data de 2 de agosto, pelos moradores Américo Lesa, Helena Bassan, Silvina de Jesus, Dalila Gomes Lomba e outros, solicitando a extensão da iluminação até aquela rua.

Em 5 de setembro de 1947, a CPFL finalmente incorporou e assumiu oficialmente a Empreza de Eletricidade de Rio Preto. Três meses depois, foi assinado o decreto nº 24.145, de 01 de dezembro de 1947, outorgando à CPFL a concessão da iluminação pública e residencial em Rio Preto. Acabavam-se definitivamente os problemas da cidade com o fornecimento de energia elétrica, apesar de, em 5 de fevereiro de 1952, o vereador Aloysio Nunes Ferreira protestar contra o programa de racionamento de energia elétrica levado a efeito pela CPFL. Ele também protestava contra os “desmandos da CPFL e da Empresa Telefônica por não prestarem contas à sociedade dos serviços públicos”.

Em 1953, a Câmara Municipal fez vários protestos contra o racionamento de energia elétrica imposto pela CPFL, chegando a indicar ao deputado federal Coutinho Cavalcanti um projeto para a construção de uma usina de eletricidade no rio Turvo. Cavalcanti  adotou a idéia, defendendo na Câmara dos Deputados um projeto sobre a eletrificação do Turvo. A eletrificação do rio Turvo jamais aconteceu. Nos anos 80, surgiram novamente comentários sobre a construção de uma usina hidrelétrica no Talhadão, perto de Duplo Céu, em Palestina. Os comentários provocaram uma onda de reação contrária na região por entidades ambientalistas.

Em 1997, a CPFL foi privatizada.


Fonte: https://quemfazhistoria.com.br