O povoado de Água Doce, que a partir de 1914 passou a se chamar Icem, não tem uma data definida de fundação. Entretanto, decreto estadual assinado em 18 de março de 1909, pelo governador Albuquerque Lins, criou o distrito policial de Água Doce, no município de Barretos.
Em 1917, a Igreja Católica se referia ao povoado, às vezes, como Icém outras como Água Doce, conforme registros do padre José Antônio Monteiro Felippe de seus batizados.
A história diz que o povoado surgiu a partir de uma doação de terras ao Bispado de São Carlos, feita pelo coronel Domiciano Alves Ferreira, para a formação de um patrimônio. A terra dessa doação teria sido vendida tempos depois para o capitão Jonas Francisco Alves que, por sua vez, vendeu uma parte dela ao coronel Salustiano Custódio da Silveira que, então, é o verdadeiro doador do patrimônio de Nossa Senhora D’Abadia e que deu origem ao vilarejo.
Além do coronel Domiciano, do capitão Jonas e do coronel Salustiano, são considerados fundadores os cidadãos Joaquim Chagas de Matos, Marcolino Antônio Rosa, Isaac Alves Ferreira, Benedito Gonçalves de Deus, David Sabino das Neves e Antônio J. das Neves.
A origem do nome é objeto de diversas hipóteses: uma é a de que no córrego vizinho ao povoado teria tombado um carro de bois carregado de açúcar, que se dissolveu em suas águas. A outra diz que às margens do mesmo córrego Água Doce existiam várias famílias que produziam doces caseiros; e a última, talvez a mais acertada, é a de que o nome se relaciona com a presença dos dois grandes cursos de água doce, os rios Grande e Turvo, que banham suas terras. Consta que o nome Icém vem da língua tupi-guarani “y-ce”, cujo significado seria água doce ou rio doce. E existe uma versão que não é nem considerada, que diz que o nome Icém significa “Instalações das Centrais Elétricas de Marimbondo”.
A troca do nome para Icém e a criação do Distrito de Paz no município de Barretos, aconteceram em 28 de dezembro de 1914, quando o governador em exercício Carlos Augusto Pereira Guimarães, assinou a Lei Estadual nº 1.449, após aprovação do Congresso Legislativo do Estado, com as seguintes divisas: começam no rio Grande, no lugar denominado Pingador, ponto de divisa da fazenda da Barra Grande com a fazenda Posses do Rio Grande, seguem pelo espigão do Pingador até o espigão da fazenda Sant’Anna, por este espigão até encontrar as divisas da fazenda Córrego Rico, continuando por estas até frontearem a cabeceira com mesmo Córrego Rico, do espigão divisor das águas dos rios Turvo e Grande e seguem daí em rumo ao mesmo rio Turvo, descendo por este até a sua barra no rio Grande e seguem finalmente por este rio acima até o seu ponto inicial, no Pingador.
A partir de 7 de dezembro de 1917, quando o governador Altino Arantes sancionou a Lei Estadual nº 1.571, criando o município de Olímpia, Icém passou a ser um distrito olimpiense , situação administrativa que perdurou até a assinatura do Decreto-Lei nº 14.334, pelo governador Fernando Costa, em 30 de novembro de 1944, quando passou a pertencer ao município de Guaraci.
Em 2 de setembro de 1953, o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, deputado Victor Maida e os secretários Jayme de Almeida Pinto e Paes de Barros Neto assinam a Resolução Alesp nº 125, determinando a realização de plebiscito em Icém, marcando o pleito para a 27 de dezembro de 1953.
E três dias depois, em 30 de dezembro de 1953, o governador Lucas Nogueira Garcia assinou a Lei estadual nº 2.456 criando, entre outros, o município de Icém, com as seguintes divisas:
a) Paulo de Faria, começa no rio Turvo, na foz do córrego Pitu, de onde vai em reta ao córrego Turvo – Grande, na cabeceira do córrego Porto Velho, pelo qual desce até a foz Turvo – Grande.
Estado de Minas Gerais, começa no rio Grande, na foz do córrego Porto Velho; segue pelas divisas com o Estado de Minas Gerais até a foz do ribeirão Santana.
b) Guaraci, começa no rio Grande, na foz do ribeirão Santana pelo qual sobe até a foz do córrego Coqueiros, sobe pelo córrego Coqueiros até sua cabeceira; segue pelo divisor entre os córregos dos Fatos e Rico à direita, e o ribeirão Santana à esquerda, até cruzar com o contraforte da margem direita do córrego Antonio Bianco.
c) Olímpia, começa no divisor entre as águas do córrego Rico e o ribeirão Santana, no ponto de cruzamento com o contraforte da margem direita do córrego Antonio Bianco; segue por este contraforte em demanda da foz do córrego de Antonio Bianco, no córrego Rico, pelo qual sobe até a confluência dos seus dois galhos formadores; daí, vai em reta, em direção aproximadamente sudoeste, até a cabeceira mais setentrional do córrego da Areia pelo qual desce até sua foz no rio Turvo.
d) Nova Granada começando no rio Turvo, na foz do córrego da Areia; desce pelo rio Turvo até a foz do córrego Piau, onde tiveram início estes limites.
A instalação do município aconteceu em 1 de janeiro de 1955.
Fonte: Disponível em < rmriopreto.com.br> nas letras D, F e M
