Concluído em 1872, o primeiro recenseamento imperial do Brasil apontou São José do Rio Preto com 2.689 habitantes. Cerca de 10% da população, isto é, 286 pessoas, eram de origem negra e 466 foram classificadas como pardas. O senso indicou a presença de 209 escravos sendo:
71 mulheres negras
69 homens negros
36 homens pardos
33 mulheres pardas
O advogado e historiador Oiticica Lins, autor do Álbum de Rio Preto, escreveu, em 1919, que os pioneiros Antonio Carvalho e Silva, Luiz Antonio da Silveira e Vicente Ferreira Neto pisaram “o solo rio-pretense , trazendo cargueiros e escravos”.
Segundo o ex-escravo João Antonio Alves de Morais, mais conhecido como João Moura, entrevistado pouco tempos antes de morrer, pelo escritor e historiador Basileu Toledo França, o fundador João Bernardino de Seixas Ribeiro tinha uma senzala ao lado da casa grande, aquela que construiu em 1861, de tijolos coberta de telhas. Na página 45 da “Revista Centenário”, Moura diz, na sua entrevista:
“João Bernardino era um homem bom, decidido e tinha uns 20 escravos. Com uma delas, a Mariana “Desguelada”, ele arranjou muitos filhos e citou o nome de quatro deles: Cândido, Marcolino, Fidelis e Daniel”.
Estes filhos não aparecem no rol dos herdeiros de João Bernardino. Segundo Basileu Toledo França, João Moura faleceu em 22 de fevereiro de 1951, às 13 horas, segundo o jornal A Notícia, no rodapé da página 4, do dia 23 de fevereiro, edição nº 7.170. Ele tinha 108 anos.
havia nascido em 2 de julho mas não se lembrava do ano, provavelmente em 1850. Isso significa que, na época da entrevista, o ex-escravo estava beirando cem anos de idade.
A historiadora Dinorath do Valle, que levantou registro de venda no livro nº 1 do Cartório de Paz de Rio Preto. Francisco Bernardino de Seixas vendeu uma escrava crioula, de 20 anos de idade, por 2:000$000 (dois contos de réis) para José Antonio de Faria. O negócio foi lavrado no referido Cartório no dia 30 de dezembro de 1864, ou seja, 24 anos antes da abolição. O comprador gastou uma pequena fortuna para comprar a escrava. Para se ter uma ideia do valor do dinheiro, basta verificar que, 30 anos depois, dois contos de réis eram equivalentes a 18% do orçamento do Município de Rio Preto.
Fonte: https:// www.quemfazhistória.com.br
