Companhia de Transportes e Melhoramentos Rio Preto S.A –
Sociedade anônima fundada em 31 de dezembro de 1924, por Feliciano Salles Cunha, João Braga e Francisco Alves dos Santos Filho, que formaram o quadro associativo com os rio-pretenses:
Antônio Lopes dos Santos
Cenobelino de Barros Serra
Chaim José Elias
Cipriano José Moreira
Clóvis Botelho Vieira
Crescêncio José Carlos
Dario de Jesus
Fernando Gomes
Francisco Mesquita
Hygino Brandão
João Bassitt
João Gabriel & Irmãos
José Mendes Pereira
José Spínola de Castro
Manoel Antônio Mattos Filho
Modesto José Moreira
Nicolau Araújo
Ottoni de Arruda
Presciliano Pinto de Oliveira
Na verdade, a companhia era uma continuidade da Empreza de Transportes Mirasol, fundada por Feliciano Salles Cunha, em 1914, que mudou seu nome para Companhia de Transportes e Melhoramentos Rio Preto S.A ao abrir seu capital. Feliciano entrou com o monopólio das estradas e dos veículos.
A nova companhia começou a funcionar com 55 veículos, entre as jardineiras para transporte de passageiros e os veículos para transporte de cargas, dominando um monopólio de 656 quilômetros de estradas que faziam a ligação de Rio Preto com 40 localidades da região. A companhia tinha também uma agência Ford e fabricava a carroceria de suas jardineiras. Seu patrimônio foi avaliado em 2.500:000$000 (dois milhões e quinhentos mil réis).
Três anos antes, em 3 de outubro de 1921, Feliciano Salles Cunha havia encaminhado requerimento ao prefeito em exercício de Rio Preto, Neca Medeiros, solicitando privilégios para abrir novas estradas. O teor deste requerimento oferece um retrato do que era a Empreza de Transportes Mirasol:
“o abaixo-assinado, concessionário das estradas de automóveis desta cidade às divisas de Penápolis, e tendo já 160 quilômetros de estradas abertas para os lados do Porto do Taboado, tendo atualmente em tráfego 390 quilômetros devidamente trafegadas pelos automóveis, e querendo ligar mais diversos pontos nos sertões desta Comarca, requer à V.Excia. consentimento para usar estradas de rodagem já existentes em comum com outros veículos, destocando-as, alargando-as e adaptando-as também para automóveis, continuando a conservação das mesmas por sua conta, ficando com o direito de gozar nas mesmas das regalias que tem na sua concessão de estradas para automóveis”.
A primeira diretoria da nova empresa foi eleita em 7 de março de 1925, tendo como presidente o coronel João Braga, vice-presidente Francisco Alves dos Santos Filho, secretário Fernando Gomes e superintendente Feliciano Salles Cunha.
Em 18 de junho de 1926, Salles Cunha deixou a superintendência da empresa, cargo que passou a ser exercido por Luís Antônio Teixeira Leite Júnior. Em outubro de 1930, a direção passou para Domingos Gomes Mendonça e Luiz Maia. Seis anos depois, em 1936 a Companhia encerrou suas atividades. Dois anos antes, durante o governo do interventor Armando Sales Oliveira, as estradas haviam sido estadualizadas. O governo estadual indenizou os donos das estadas em operação, como era o caso das estadas construídas pela companhia rio-pretense.
Esta empresa, idealizada por Feliciano Salles Cunha em 1914, abriu mais de 650 quilômetros de estradas no vasto território que formava o Município de Rio Preto, transportando passageiros para lugarejos distantes como Araçatuba, Penápolis e Porto Taboado. Naquela época, as estradas eram abertas por meio de concessão municipal, os chamados “privilégios” que eram, na verdade, uma concessão de monopólio. O interessado abria os caminhos com custos próprios e tinha o direito de cobrar pedágio dos usuários. Dois de seus pedágios, que na época eram chamados de Porteiras, ficaram famosos na região: o da Curva da Galinha, na saída de Rio Preto para Mirassol, e da Garage, que deu origem à cidade de Bálsamo.
