QUEM e o QUE

são HISTÓRIA na

QUEM e o QUE são HISTÓRIA na

NOTÍCIAS GERAIS

Cidade tinha 209 escravos em 1872

Em 1872 foi concluído o primeiro censo imperial do Brasil. Os recenseadores chegaram no pequeno vilarejo de São José do Rio Preto e contabilizou com 2.689 habitantes. Não sabemos se eles contaram os poucos fazendeiros espalhados pela vasta região. Mas, com certeza, os números são bem próximos da realidade da época.

Mais de um quarto da população — 27,96% — era negra. Eram 752 pessoas, sendo 286 pretas e 466 pardas. Dessas, 209 eram escravas, ou seja, 27,79%. O censo revelou que existiam em Rio Preto 140 escravos pretos (71 mulheres e 69 homens) e 69 pardos (36 homens e 33 mulheres).

A grande massa dos moradores era composta de lavradores — contavam-se os fazendeiros e os empregados como lavradores, sem distinção de classe. Eram pouquíssimas as pessoas que viviam no vilarejo e muito menos ainda quem tinha uma profissão como celeiro, sapateiro, costureira. E quando tinha uma profissão definida, via de regra era um escravo.

Alguns historiadores costumam dizer que a escravidão na região “foi branda” porque não existem marcas ou peças de castigos. O 1º Cartório de Notas de Rio Preto, que é do tempo da instalação do distrito de paz, tem vários registros de compra e venda de escravos.
A historiadora Dinorath do Valle, por exemplo, levantou registro de venda no livro nº 1 do Cartório de Paz de Rio Preto, em que Francisco Bernardino de Seixas vendeu uma escrava crioula, de 20 anos de idade, por 2:000$000 (dois contos de réis) para José Antonio de Faria. O negócio foi lavrado no referido Cartório no dia 30 de dezembro de 1864, ou seja, 24 anos antes da abolição. Dois contos era uma fortuna naqueles tempos.