QUEM e o QUE

são HISTÓRIA na

QUEM e o QUE são HISTÓRIA na

O primeiro registro de Carnaval da cidade é de 12 de março de 1905. O Porvir reservou nove linhas de jornal para informar que “devido aos esforços de alguns rapazes, tendo à frente o sr. Ângelo Scardini, incansável quando se trata dessa sorte de divertimentos, os últimos dias consagrados ao deus Momo, não passaram de todo despercebidos, nesta cidade.” Mas é só isso. Não tem nenhuma informação sobre como foi o carnaval na cidade.
Levando-se em conta que o jornal circulava desde julho de 1903, parece que a cidade não tinha nenhuma estrutura para brincar o carnaval naquele início de século. Os anos de 1904 e 1906 não apresentam nem o mais ligeiro comentário sobre a carnaval, que só vai aparecer novamente nas folhas d’O Porvir em 10 de fevereiro de 1907, em forma de artigo, assinado por Felix Pyatt. Nã,o dá para saber se a escrita é original do jornalista socialista e revolucionário francês que morreu em 1889. Seu texto é despido das alegrias do carnaval, assemelha-se mais a uma despedida fúnebre: “eis porque os que se amimam a vir à rua nos dias que decorrem da Epiphania à Cinzas, a querer relembrar os velhos gostos, caem no ridículo da indifferença; bem depressa, se escoam, arrepanhando as vestes rotas, desbotadas!” O autor, seja ele Pyatt ou não, vê o carnaval como uma festa agonizante, que sucumbirá ao moderno século 20.

De 1908 a 1911 não temos exemplares de jornais da época e faltam documentos tanto da Prefeitura como da Câmara para uma pesquisa acurada sobre este outros assuntos históricos. Só voltaremos a ter o carnaval como assunto em 1912, quando, em 18 de fevereiro, O Poder Moderador registra-se que:

“Estamos em pleno domínio de Momo. Hoje é o domingo gordo, é o domingo de Carnaval.
Rio Preto, porém, parece que não dá por isso, tal é a frieza, tal é a pasmaceira porque se nota pela cidade.
Verdade é que a semana foi de luto. Entretanto, prestando o nosso tributo de civismo aos ilustres mortos, temos o direito de atirar as mágoas de lado e fazer renascer ao menos nestes três dias patuscos de Momo a alegria e a troça, em compensação das amargas desilusões, do tédio e das preocupações que nos empolgaram nos 365 dias que acabamos de vencer.
Evohé! Abaixo a tristeza! Viva a alegria!
Momo aí está com as suas alegres brejeirices, e é preciso, se não quisermos passar por in civis que vamos ao seu encontro bonitos e confetes serpentinas e lança perfumes estes artigos e outros muitos que deixamos de mencionar encontra se numa profusão colossal ali no Brito ao largo da Matriz”.

Temos outro salto sem informações, até o carnaval de 1925, quando o corso já estava instalado como tradição. Um retângulo formado pelas ruas Bernardino de Campos, Prudente de Moraes, Antonio Olímpio e Marechal Deodoro, formando duas fileiras de carros. Já, então, a cidade conta com vários clubes sociais como o Automóvel Clube, que oferece três “festivais dançantes (…) que constituirão por certo uma nota chic da sociedade rio-pretense”. Os bailes de carnaval também aconteceram no Grêmio, na Sociedade Italiana Cesare Batistti, no 7 de Setembro, no Club 15 e no 13 de Maio.

A Notícia deu cobertura exemplar ao carnaval, especialmente no corso, onde misturam-se as famílias da elite rio-pretense — árabes, italianos, brasileiros — e os grupos que se fantasiam e outros com fantasias individuais. O jornal destaca o “Grupo dos Piratas” formado pelas moças Sylvia e Palmyra Castagnetti, Maria Antonieta e Merice Botelho, Antonieta e Nenzica Bicalho e Belita Pontes; e o moços, Edgard Pinto de Oliveira, Edmundo e Edmo Botelho, Baptista Castagnetti, Chucki Yasbek, José Aguiar e Donozor Viegas. Mas há também os grupos dos “Dominhocos”, dos “Apaixonados” e outros. A Banda Operária fez sucesso com sua afinação. A abertura do corso coube a quatro caminhões da A Constructora sob o comando do “folgazão e irrequieto” arquiteto Celestino com o “encantador grupo de senhoritas que lhe davam tanta graça.” Pelo que se pode depreender do jornal, o carnaval havia ganhado de vez a população rio-pretense.


Fontes: www.quemfazhistoria.com.br; o porvir, 10/02/1907, pág. 1, edição nº 179; o poder moderador, 18/02/1912, pág. 3, edição nº 36; a notícia, 28/02/1925, pág. 1, edição nº 61