
Em 6 de agosto de 2002, o bispo D. Orani Tempesta elevou a pequena igreja de São Bom Jesus dos Castores à categoria de Santuário. Por cerca de um século, esta capela vem sendo ponto de peregrinação para romeiros católicos em busca de cura ou para pagamento de promessas e intenções. O costume do romeiro é seguir a pé, no dia 6 de agosto, para participar da missa em louvor ao São Bom Jesus, no pequeno bairro rural, ao lado do córrego dos Castores, dentro do município de Onda Verde.
Segundo a tradição oral, as romarias tiveram início nos primeiros anos do século 20, após a construção de uma pequena capela de feita de tábuas com esteios de aroeira. Uma capela que resistiu ao tempo até ser demolida nos anos de 1970, quando o então prefeito de Onda Verde, David Rahd, mandou construir uma capela de alvenaria. A capela original, feita de madeira, foi uma obra de devoção do morador Thomé Correia de Paiva, que colocou na capela uma pequena imagem de São Bom Jesus, também esculpida em madeira.
Consta que no local chegou a surgir um pequeno povoado, com construção de casas residenciais e comerciais. Mas não há registros oficiais. O registro mais antigo é de maio de 1898, quando Matias de Carvalho Negrão encaminhou um oficio à Câmara Municipal de Rio Preto solicitando do presidente Pedro Amaral autorização para construir um cemitério no “patrimônio de Bom Jesus, na Fazenda Castores”. Seis anos mais tarde, 1 de setembro de 1904, o fabriqueiro da Paróquia de São José, de Rio Preto, Ernesto de Assis Silva Benfica, registrou no inventário paroquial a existência de uma capela nos Castores.
Existem algumas divergências quanto ao início da romaria. Para a Igreja, a romaria teria começado em 1909. Um dos moradores, nascido e criado naquela região, contesta. Faiçal Romano Calil conta outra história. Ele diz que:
“O bairro dos Castores chegou a ter várias construções residenciais e comerciais mas, no início dos anos de 1920, a população foi espantada por uma epidemia de malária. Com muitas mortes, os sobreviventes abandonaram o local e por muitos anos a capela de madeira ficou abandando. No final dos anos de 1930, o meu pai, Romano Calil, então subprefeito de Onda Verde, adquiriu uma propriedade rural que englobava o antigo bairro. A pedido de mãe, Guiomar Romano Calil, ele mandou que a área em volta da capela fosse capinada. Com o entorno limpo, ela e as amigas, também católicas praticantes, Amália Corsatto Gomes e Rita Rossi, convenceram o padre Miguel Revilha, de Nova Granada, a celebrar uma missa mensal aos domingos na velha capela do Bom Jesus dos Castores. As missas eram frequentadas por moradores da vizinhança.
Foi somente em 1942 que teria ocorreu um milagre que chamou a atenção das pessoas. O menino Márcio Rodrigues, de quatro anos, gravemente adoecido por tétano e desenganado pelos médicos, entrou inerte e de corpo enrijecido, nos braços de sua mãe, na capela do Bom Jesus, para ser batizado, para não morrer pagão. Enquanto o padre Miguel Revilha preparava o altar para celebrar o batizado, a pedido de dona Guiomar Calil, que seria a madrinha, o menino saiu do estado de enrijecimento e começou a andar. O fato se espalhou pela região como um milagre realizado, dando origem à peregrinação”.
Entretanto, apesar da riqueza de detalhes, essa história da família Calil não é reconhecida. A Igreja celebra a festa em louvor ao Nosso Senhor Bom Jesus, no bairro do córrego dos Castores, tendo como ponto de partida o ano de 1909. Essa data faz parte pesquisas elaboradas pela professora Nilce Apparecida Lodi, e foi publicada no jornal Diário da Região, em 9 de agosto de 2015. Segundo Lodi, da construção original de uma capela de pau-a-pique teria sobrado apenas um batente de madeira. “Dela se conservou o batente da porta de entrada, com a inscrição ‘1909-3VSBJ’ que significa: ano de 1909 e ‘três vivas ao Senhor Bom Jesus’.”
Com a construção da rodovia BR 153, nos anos de 1960, a romaria se intensificou. Para o bispo D. Thomé Ferreira da Silva, a questão das datas é apenas um detalhe para os historiadores. “O importante é a fé que move as pessoas”, e o que as fazem de sair de casa e caminhar em torno de 23 quilômetros de ida (entre Rio Preto e o Santuário). Muitas pessoas vão e voltam a pé. As missas, no dia 6 de agosto, celebradas o dia todo, são lotadas e, no início da noite, torna-se uma missa campal. A missa de 2017, foi celebrada pelo bispo D. Tomé para milhares de pessoas.
Por muitos anos, a Capela São Bom Jesus dos Castores esteve vinculada à Paróquia São Benedito, de Nova Granada. Com a criação da Paróquia São João Batista, a capela passou a pertencer a Onda Verde. Foi o padre Nino Carta que iniciou uma série de reformas nos Castores, começando com a construção do coreto, quando a renda da festa da romaria passou a ser revertida exclusivamente em benefício da Capela.
No ano de 2002, no dia 6 de agosto, D. Orani decretou que a capela do Senhor Bom Jesus dos Castores se tornasse Santuário Diocesano Senhor Bom Jesus dos Castores. Com isso a capela, que pertencia a paróquia de São João Batista, foi desmembrada e, a partir de então, foi designado o primeiro reitor, padre Nilson Resende, que passou a cuidar diretamente das celebrações, batizados, confissões e bênçãos e, também, da parte administrativa, com um conselho próprio. O Santuário começou ter vida autônoma e, em 2005, o padre Cleomar Bessa da Silva foi nomeado reitor do Santuário.
Com status de Santuário, houve avanços, com maior assistência religiosa e celebrações de missa todos os domingos às 10 horas e todo o dia 6 de cada mês. Em 2017, estimou-se em 50 mil o número pessoas que estiveram no Santuário em um único dia.
