
O Autódromo Carlos de Campos foi construído por Romoaldo Negrelli em 1926, cuja pista foi usada pela primeira vez em 20 de dezembro de 1926 pelo piloto Arthur Abrigato. Com 1.000 metros de pista, dentro de uma área de 42.500m2 e curvas de 15 metros, estava localizado na atual vila Redentora, ao lado do Estádio Victor Brito Bastos.
Inicialmente seria chamado de Autódromo Brasil, mas Negrelli optou em batizá-lo com o nome do governador Carlos de Campos.
Corriam no autódromo os automóveis Chevrolet A167, de Firmiano Lomba; HSCP 85, de Cenobelino de Barros Serra; Oakland A18, de Elias Madi; Fiat P86, de Manoel Sobrinho; Ford P496, de Romoaldo Negrelli; Dodge P136, de Gabriel Camarero e o Chevrolet P108, de Tito Vianna. Os pilotos mais famosos daqueles anos foram o mecânico esloveno Antônio Svetlic, e o motorista italiano, Nilo Arthur Abrigato.
As corridas geralmente aconteciam aos domingos.
A febre das corridas de automóveis teve início em junho de 1926, quando Firmiano Lomba, dono da Chevrolet de placa A 167, apelidada “hyena do sertão” aceitou desafio de disputar um “raid” de Rio Preto a Mirassol, ida e volta. O desafio foi feito por Francisco de Oliveira, dono da Ford A 44, de nome “pantera negra”. Na aposta, um prêmio de 3 contos de réis. O valor da aposta era equivalente a um terço do preço de um automóvel Oldsmobile, de 6 cilindros. Não há informação sobre o resultado da corrida.
Mas, dois meses depois, em 27 de agosto, A Notícia, informava que o “Autódromo Brasil” estava em construção na Redentora, por iniciativa de Romoaldo Negrelli. Para a sua inauguração, havia a promessa da vinda do conde Eduardo Matarazzo que faria uma apresentação com sua Bugatti.
A cidade estava ufanista e o jornal captou o clima, registrando em primeira página: “O ‘Autódromo’ irá dar muita importância ao nosso meio, já por ser hoje uma verdadeira mania o automobilismo, já principalmente, por ser Rio Preto a primeira cidade do Brasil, que o possuirá”.
A Exposição de Automobilismo realizada em São Paulo, no Palácio das Indústrias, de 1º a 17 de outubro de 1926, sob organização da Associação de Estradas de Rodagem de São Paulo, agitou ainda mais as expectativas dos rio-pretenses.
No dia 22 de dezembro, foram realizados os primeiros testes no autódromo. Os pilotos (chamados de “sportmans”) dos testes foram Firmiano Lomba e Arthur Abrigatto. Pilotando um Oldsmobile, Abrigatto chegou a atingir 90km por hora “causando na assistência uma profunda emoção pelo perigo que correram”.
No dia seguinte, o diretor de provas, Michelino Longo, abriu as inscrições para as corridas da inauguração, informando que haveria também corridas de “bycicletas e motocycletas”. Foram dois dias de festa, 25 e 26 de dezembro. Famílias inteiras no autódromo, acompanhando suas “baratinhas”. Mas, o conde Matarazzo não compareceu.
Para atrair o público e diversificar as corridas, havia provas de pilotos femininas, como Mariinha Jorge, campeã da pista, e Amélia Scaff. Cavalos contra carros, bicicletas contra cavalos, carros contra motos e provas de resistência. Por exemplo, em 30 de julho de 1927, às 11 horas, o piloto “dr. Masbarfer”, dirigindo uma Dodge de corrida, iniciou uma prova de 500 quilômetros podendo chegar a 2.000. Para manter a corrida, o autódromo foi iluminado. O piloto bateu os recordes nacionais na época de 250 milhas e 500 milhas, e de 500km e 1.000km. Tudo foi acompanhado e registrado pelos cronometristas João Velasques Rodrigues e Oswaldo Crippa, os registradores Eduardo Campoó e João de Oliveira Marques, os jornalistas Antonio Muffa, de O Município, e Nelson da Veiga, de A Notícia; e pelo diretor do autódromo, Romoaldo Negrelli.
No entanto, em 7 de agosto, uma prova atiçou os amantes do automobilismo. Alceu de Assis ofereceu uma medalha de ouro para quem vencesse a prova de 100 voltas entre o Dodge pilotado pelo recordista internacional Masbarfer e a Bugatti de Negrelli, pilotada pelo esloveno Antonio Svetlic, dono de uma oficina mecânica em Rio Preto. Svetlic pôs seis voltas à frente do afamado campeão. Tudo filmado pela Demonte Film.
No dia 17 de fevereiro de 1928, Romoaldo Negrelli mudou-se de Rio Preto. Nunca mais falou-se em corrida de automóveis. Segundo A Notícia “o nosso distinto amigo vai ocupar um lugar de realce no Banco de Crédito do E. de São Paulo”. Porém, meses depois, em 25 de dezembro, o mesmo jornal informava que “após longa enfermidade”, Negrelli havia falecido, em 23 de novembro, no Sanatório Europa, na província de Trento, na Itália, aos 32 anos de idade.
