A busca por terras para cultivo de lavoura foi o que atraiu para a região os pioneiros que aqui chegaram por volta de 1820. Todo o território que hoje forma a região de São José do Rio Preto, a partir de Jaboticabal e Araraquara, era habitado por três aglomerações indígenas: os Kainguangue no lado esquerdo do Tietê, em maior número, no atual município de Barbosa; um pequeno grupo de Guarani, no espigão do rio Preto, entre os córregos Canela e Borá, atual centro de São José do Rio Preto (imediações da praça Ruy Barbosa) e os Kaiapó, na margem direita do rio Turvo, onde surgiria mais tarde o vilarejo de Veadinho, atual cidade de Riolândia.

A floresta debruçava-se sobre os espigões dos rios Turvo e Tietê e, por cerca de 40 anos, desde a fundação da cidade, em 1852, a agricultura praticada na região podia ser considerada de subsistência. Poucos lavradores reuniam condições de levar sua produção para os centros urbanos mais próximos: Jaboticabal e Araraquara. Alguns criadores, em especial os que lidavam com suínos e equinos, vendiam seus produtos nas duas cidades.
A partir de 1892, quando o coronel Carlos de Castro, o capitão José Maria e o padre Ferraz conseguiram fazer a ligação de Santana do Paranaíba com Viradouro (pequeno vilarejo existente entre as atuais cidades de Valentim Gentil e Meridiano), estabeleceu-se uma nova rota de comércio que possibilitou a expansão da agricultura rio-pretense. Os três pioneiros mato-grossenses romperam o isolamento de Paranaíba e permitiram aos fazendeiros rio-pretenses o escoamento de seus produtos, em especial o tabaco e o aguardente para aquela região. O outro caminho existente era bastante cansativo e penoso: atravessar o rio Grande na altura do Travessão dos Índios, perto do córrego Veadinho, onde a família de João da Costa Maldonado explorava serviço de travessia à sirga (canoa ou um tablado tipo jangada puxadas por uma corda), e alcançar a “estrada da Farinha Podre”, ligando Uberaba a Santana do Paranaíba. Era uma volta enorme.

Viradouro era um ponto perdido no meio da floresta. Era onde tropeiros e mascates chegavam e retornavam. Não havia como romper a floresta até o rio Paraná. Entre Rio Preto e Viradouro surgiu a vila de Jataí, atual Tanabi. Viradouro era o último ponto de um picadão no meio da floresta feito pelos fazendeiros. Esse picadão serviu, em 1895, para o traçado da comissão do engenheiro Olavo Hummel, que abriu a Estrada do Taboado.

A agricultura em São José do Rio Preto teve impulso com a lavoura do café. No início de 1879, Bernardino Canuto Ribeiro arrendou terras de Vitalino Martins Teixeira, na Fazenda Alegria, para fazer o primeiro plantio de café. Nesse ano, Martinho Isidoro Gonçalves também se arriscou com o café. Ambos sofreram enormes prejuízos, uma vez que seus cafezais em formação foram dizimados por uma geada.

A Câmara Municipal instituiu em 29 de setembro de 1910, uma série de prêmios para estimular o incremento da agricultura no Município, reservando no Orçamento de 1911 verbas para os prêmios divididos nas seguintes categorias:
a) para o lavrador que colher a maior quantidade de trigo, acima de 50 sacas, prêmio de 1:000$000 (um conto de réis);
b) para o que colher a maior quantidade de algodão, acima de 100 arrobas, 500$000 (quinhentos mil réis);
c) para o criador que apresentar o melhor e mais belo exemplar de gado vacum e gado cavalar prêmios de 500$000.
Não há nenhum registro sobre a entrega desses prêmios.

O Álbum de Rio Preto publicado em 1918 e organizado por Raul Silva, demonstra que nos primeiros anos do século 20 predominava na região a criação de gado, com grandes fazendas espalhadas na região, como a Fazenda Aparecida, do coronel José Octaviano de Paula e a Fazenda Cachoeira, de Presciliano Pinto. A fazenda Pentateuco Colombo, dos irmãos Basileu e Cândido Brasil Estrella, era um exemplo: com mil e quinhentos alqueires, tinha 300 mil pés de café, 90 hectares com canaviais e 500 hectares em pastagens, empregando 150 famílias que residiam no local. A sede dessa fazenda tinha olaria, serraria completa, moinho de fubá, máquina de beneficiar arroz e produzia sua própria energia elétrica, além de manter comunicação telefônica com a cidade de Mirassol.

No início dos anos de 1920, a região registrava o plantio de mais de 20 milhões de pés de café, apesar dos estragos constantes causados pelas geadas. É preciso esclarecer que, em 1918, apenas Catanduva havia se tornado município. O território de Rio Preto fazia divisa com os rios São Domingos, Turvo, Grande, Paraná e Tietê.

Sob a direção de Reis Araújo, A Notícia abriu o ano de 1931, publicando no dia 3 de janeiro, um artigo conclamando os agricultores rio-pretenses a plantarem trigo. O jornal diz que, em 1929, o Brasil havia importado 421 mil contos de réis, ressaltando que “essa quantia fabulosa foi para o estrangeiro, prejudicando enormemente a situação econômica nacional”. E diz mais: “Rio Preto, isto é, toda nossa zona, precisa mostrar que pode ainda dar o exemplo com o trigo como já deu com o arroz e outros cereais. O Brasil precisa do nosso esforço exemplo. (…) Muitos lavradores já plantaram trigo aqui e deram-se otimamente.” Para o jornalista, a região deveria ser a nova fronteira do trigo para abastecer o mercado nacional. “Mãos à obra! Plantemos trigo!”

Durante todo o século 20, a agricultura e a pecuária determinaram os rumos do desenvolvimento econômico. Entre os anos de 1940 e início dos anos de 1960, o algodão teve um enorme protagonismo da região, o que refletiu no início da industrialização concentrada no beneficiamento de arroz, café e descoroçoamento do algodão. Várias algodoeiras instalaram-se ao longo da estrada de ferro, para receber o algodão produzido na região, como nos municípios de Álvares Florence, Riolândia, Cardoso, Cosmorama, Palestina. Esse protagonismo do algodão foi dividido com a produção de café que avançou sobre as barrancas do rios Grande e Paraná.

Nos meados dos anos de 1980 e início dos anos de 1990, a laranja dominou a produção agrícola, especialmente nos arredores do município de São José do Rio Preto. Mas, conheceu uma drástica redução. De 1999 para 2000, 350 mil pés foram erradicados e, o café aumentou sua produção de 300 mil, em 1999 para 350 mil pés em 2000. O cultivo de seringueira atingiu 30 mil pés em produção e 15 mil pés novos. No setor da fruticultura, os números do Escritório de Desenvolvimento Rural apresentaram em 2000 o seguinte quadro: 18 mil pés de manga, 4.200 de coco, 5.000 de limão, 2.050 de goiaba e 2.000 pés de uva. Depois chegou a cana.

Segundo dados da Conjuntura Econômica, edição de 2020, página 67, o município fechou o ano de 2019 com 253.080 pés de seringueiras e 85 mil pés de laranja. Esses números, segundo a edição de 2024 da própria Conjuntura não sofreu nenhuma alteração desde 2018. A cana-de-açúcar também não altera seus patamares desde 2021: vem se mantendo em 5.400 alqueires com uma produção de 540 mil toneladas. Em compensação a produção de hortaliças saltou de 92,5 alqueires para 111,5 alqueires em dois anos.

Na pecuária, segundo os números da Conjuntura Econômica e do IBGE, estão em declínio. Das 14.910 cabeças dos bovinos de corte existentes em 2020, saltam para 23.380 em 2022, caíram para 19.572 em 2023 e aparecem no censo de 2024 com 16.940 distribuídas em 322 propriedades agrícolas. Na pecuária de leite houve um declínio e, seguida um aumento: 3.728 em 2020, caiu para 1.231 em 2022 e subiu para 4.893 em 2023. A Conjuntura aponta que o município produziu em 2023 cerca de 600 sacas de milho (de 60 quilos), uma queda de 4.200 sacas em relação aos anos de 2021 e 2022; foram 9.600 toneladas de cana para forragem em 2023, um aumento de 3.100 toneladas em relação aos dois anos anteriores; vem mantendo nos últimos anos três a produção de  540.000 toneladas de cana-de-açúcar e vem sofrendo uma queda progressiva na produção do sorgo forrageira: de 6 mil toneladas em 2021 para 4.800 em 2022 e 1.200 em 2023. A mandioca deu um salto de 28.080 caixas em 2022 para 45. 360 em 2023. O coco experimentou uma queda de 640 mil frutos em 2021 para 480 mil em 2022 e 2023. Outros números do IBGE sobre a agricultura mostram que foram produzidos 746 toneladas de banana, 7.060 toneladas de laranja; 3.950 toneladas de milho forrageiro e 12 toneladas de café arábica.


Fonte: https://quemfazhistoria.com.br; https://cidades.ibge.gov.br/brasil/sp/sao-jose-do-rio-preto/pesquisa/24/76693; conjuntura economica, pág. 67, 2024, edoção nº 39