
Acidente automobilístico ocorrido no início da noite de 24 de agosto de 1960, matou 59 estudantes rio-pretenses que integravam a Fanfarra da Escola Técnica de Comércio D. Pedro II.
Os estudantes saíram de Rio Preto por volta das 18h30, em dois ônibus, um levando mulheres, professores e diretores, e outro, os homens. A fanfarra deveria se apresentar no dia seguinte, logo de manhã, em Barretos, em uma festa em homenagem ao dia de Duque de Caxias e ao dia da cidade. Uma hora depois, quando chegavam à ponte do rio Turvo, na altura do quilômetro 27, o motorista Yoshiyuki Hayashi, da Viação Aprazível Paulista – VAP, perdeu o controle do ônibus, caindo no rio, com as rodas para cima.
Dos 64 jovens, apenas cinco e o motorista não morreram. Salvaram-se Ademir Guimarães, Aldo Negrelli, Alcindo Rodrigues, Oriovaldo Procópio de Melo e Gilberto Miranda. Até hoje, esse continua sendo o maior acidente automobilístico já ocorrido no Brasil.
Em 15 de janeiro de 1961, o motorista Yoshiyuki Hayashi foi considerado culpado por negligência, imprudência e imperícia, tendo sido condenado a dois anos e seis meses de detenção pelo juiz substituto Cornélio Vieira de Morais Junior. Hayashi pagou fiança para aguardar resultado de recurso interposto por sua defesa junto ao Tribunal de Alçada de São Paulo que, em 3 de agosto de 1962, por unanimidade manteve a sentença do juiz.
Morreram os jovens:
Aderbal Rodrigues de Souza (2/10/1939)
Airton Batista Medeiros (3/9/1944)
Alaor Genésio Machado (3/11/1941)
Antônio Antunes Filho (23/6/1943)
Antônio Bellini (23/9/1942)
Antônio Simão Martins (25/5/1943)
Carlos Costa Leite (2/1/1943)
Carlos Henriques (10/5/1941)
Célio Álvaro de Souza Santos Júnior (15/3/1945)
Décio Bueno Guimarães (17/4/1943)
Delmo de Oliveira, o Zula (9/11/1944)
Edmundo Nogaroto (16/3/1938)
Élcio Negrelli (18/8/1940)
Ernesto Batista Filho (6/12/1945)
Fernando Gouveia Luiz (25/10/1940)
Francisco Vilella do Socorro (10/10/1943)
Genésio Manoel de Lima Fabrini (11/4/1938)
Guido Calil Sebe (16/7/1943)
Hildebrando Rodrigues da Silva, o Andy (27/1/1941)
Ivan de Oliveira Carvalho (26/4/1942)
Jairo Moreira (20/4/1942)
João Silva Lisboa (5/11/1942)
Jorge Ferrari Ferreira (23/4/1944)
José Antônio Truzzi (27/2/1944)
José Carlos de Freitas (16/5/1945)
José Carlos Monici (5/12/1942)
José Miguel Feres (23/2/1946),
José Luiz Sanches (30/1/1944),
José Neves de Azevedo Filho (29/4/1942)
José Roberto Silva (23/11/1942),
Lourival Aparecido Ribeiro (2/10/1944)
Lourival Ebner Storto (2/5/1943)
Luiz Gonzaga de Andrade (19/11/1942)
Luiz Roberto Rodrigues, o Testa (1/7/1944)
Marden Peres Lopes (20/11/1941),
Mário Amaury Salomé (28/1/1946)
Manoel Jorge Sinodinos (12/3/1943)
Nelson Ferreira da Silva (20/11/1942)
Odilon Saraiva (28/10/1941)
Osvaldo Barbosa (13/7/1942),
Osvaldo Prata (4/9/1931),
Ovanir Dutra da Silva (14/8/1945)
Paulo Hélio Ursini (10/1/1942)
Pedro da Costa (20/9/1943)
Raul Décio Spinelli (6/4/1941)
Roberto Carlos Brandão (11/1/1946),
Roberto Kenzi Sakay (26/9/1940)
Saint Clair de Souza (12/9/1940)
Wagner Gardin (2/1/1945)
Waldemiro Mussi Naffah (4/11/1944),
Waldir Carlos Ferreira (1/3/1944)
Walmi Olivi (2/1/1943),
Walter Buzzini Paternost (24/8/1944),
Wandecir Pereira de Oliveira (15/8/1939),
Wanderley Vieira de Assis (28/7/1942)
William José Guagliardi (25/12/1943)
Wilson Gomes da Silva (25/12/1939)
Wilson Luiz Spinelli (4/9/1943)
Até hoje, esse continua sendo o maior acidente automobilístico já ocorrido no Brasil. Durante toda a noite, bombeiros e voluntários trabalharam para retirar os corpos de dentro da água. Naquela época, o rio Turvo não era assoreado e o leito do rio era bastante profundo. Apenas os pneus do ônibus ficaram acima da linha d’água.
Um série de fatores levou ao acidente. No local, estava sendo construída uma nova ponte e havia um desvio. O motorista estava fazendo sua primeira viagem pela empresa e não conhecia a estrada. Como era estrada de terra e seu ônibus estava logo atrás do outro, a poeira levantada dificultava a visibilidade e, para piorar, estava anoitecendo.
No livro “Eram 59”, uma compilação de notícias e comentários de autoria do professor Nelson Castro, o fotógrafo Jaime Colagiovanni, que documentou o trabalho de resgate dos corpos, ressaltou a atuação de quatro rio-pretenses: Arnaldo Frizeira, Celso Volpon, Galaor Duran e Waib Nassif. Os delegados Tácito Pinheiro Machado, Francisco Ignacio e Wilson Doddi, mais o tenente José Riberto de Godoy, comandante da Força Pública, chefiaram os serviços de resgate dos corpos.
No dia 30 de agosto de 1960, sob a presidência de Orlando de Arruda Barbato, a Câmara Municipal realizou sessão extraordinária em homenagem aos mortos, quando os vereadores aprovaram projeto de lei denominando Avenida dos Estudantes a então Avenida Mirassol, na qual foi construído um monumento com o nome de todos os estudantes mortos (ver fotografia no alto da página). A missa do 7º Dia foi celebrada no estádio Mário Alves Mendonça e oficiada pelo bispo auxiliar D. José Joaquim Gonçalves.
O acidente consternou toda a população de Rio Preto. Trecho de uma reportagem do jornal A Notícia, na edição de 27 de agosto, afirmava que “as proporções dramáticas do acidente do dia 24, atingiram todas as camadas e meios sociais de nossa população. O número de jovens desaparecidos foi muito grande para limitar a área da tragédia. O esporte foi duramente atingido pelo acontecimento brutal que ceifou a vida das mais promissoras esperanças nas diversas atividades desportivas.”
O mundo esportivo rio-pretense perdeu neste acidente os nadadores palestrinos Célio Álvaro de Souza Santos Júnior, Lourival Ebner Storto, Wandecir Pereira de Oliveira, Ovanir Dutra da Silva, William José Guagliardi, Roberto Kenzi Sakay e Jorge Ferrari Ferreira; este último, havia chegado de Lisboa, onde fora representar o Brasil no Jogos Lusos Brasileiros, depois de se ter sagrado campeão Brasileiro e Paulista de Natação. Também morreram Hildebrando Rodrigues da Silva, mais conhecido por Andy, iniciando carreira no América FC, após uma passagem nas divisões menores do Palmeiras, em São Paulo, e o massagista da equipe amadora do Rio Preto EC, José Luiz Sanches.
O Grêmio Literário e Esportivo D. Pedro II perdeu o seu presidente, Genésio Fabrini, que era filho de Ângelo Fabrini, proprietário da VAP. Genésio assinava no Diário da Tarde, uma coluna estudantil, iniciando-se no jornalismo, juntamente com Antonio Antunes Filho. O jornal era dirigido por Nivaldo Carrazone.
A tragédia consternou toda a região e foi noticiada pela maioria dos jornais brasileiros da época. Dona Maria Martins, de 36 anos, mãe do estudante Antonio Simão Martins, faleceu em Paranacity – PR, ao receber a notícia da morte do filho. Ele tinha 17 anos e três meses. Dos 59 estudantes mortos, três tinham menos de 15 anos: José Miguel Feres era o mais jovem deles, tinha 14 anos e seis meses, e Mário Salomé e Roberto Carlos Brandão tinham 14 anos e sete meses. E Walter Buzzini Paternost tinha completado 15 anos naquele dia.
Além da avenida dos Estudantes e da praça defronte o quartel da Polícia Militar, ele tem outras homenagens, como duas praças na região Sul. Uma delas na avenida José Munia e as ruas Dr. Cleo Oliveiro Roma, Dr. Lino Braile e rua Dr. Raul Silva, no Jardim Morumbi (são dois quarteirões, seccionados pela rua Maria Carolina Trevisan Fava, onde foram plantadas várias árvores por familiares) e outra, menor, na avenida Francisco das Chagas Oliveira, onde também foram plantadas 259 mudas de árvores. Há também uma capela construída às margens do rio Turvo onde ocorreu o acidente.
