QUEM e o QUE

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QUEM e o QUE são HISTÓRIA na
Cleophas Beltran Silvente e família na comemoração de bodas de prata. Foto de Kinichi Sakakibara, junho de 1953, revista Riopretana

Nas terras áridas e ensolaradas de Vera, na província de Almería, na Andaluzia, o pequeno Cleophas talvez não imaginasse que seu destino seria traçado do outro lado do Atlântico. Nascido em 26 de janeiro de 1904, ele trouxe na bagagem a herança andaluza e uma curiosidade intelectual que se provaria insaciável.

Sua formação foi um mosaico de saberes. Antes de se firmar no Brasil, refinou sua técnica no Liceu de Artes e Ofícios de Barcelona. Mas foi em solo brasileiro que sua mente se expandiu para as exatas e as humanas: tornou-se contador em Rio Claro, mergulhou no Direito pela Universidade Federal do Paraná e nunca abandonou o magistério. Cleophas não era apenas um homem de uma profissão; ele era um poliglota de carreiras.

O Ofício da Palavra e o Zelo pela Pátria

Na década de 1920, em Novo Horizonte, ele já mostrava a que veio. Ao fundar a Sociedade Espanhola de Socorros Mútuos, ele não estava apenas criando uma instituição; estava estendendo a mão aos seus compatriotas. Suas crônicas na Coluna Castellana e suas colaborações no jornal A Semana serviam como um fio condutor que unia a cultura de sua terra natal ao pulsar novorizontino.

Mudou-se para São José do Rio Preto, onde tornou-se Como Vice-cônsul da Espanha, fazendo a ponte oficial entre dois mundos, acolhendo histórias de imigração e saudade, garantindo que a chama da cultura espanhola permanecesse viva sob o sol do Noroeste Paulista.

O Mestre e o Legado nas Ruas

Mas foi nas salas de aula do Instituto de Educação Monsenhor Gonçalves que sua influência mais se ramificou. De 1943 a 1967, gerações de jovens rio-pretenses aprenderam com o professor que também era advogado e jornalista. Para Cleophas, ensinar era uma extensão do seu compromisso com a cidadania e com a União Brasileira de Escritores – UBE, da qual foi um dos pilares regionais.

Seu falecimento em 4 de março de 1974 não encerrou sua jornada. Hoje, o nome de Cleophas Beltran Silvente não habita apenas as páginas amareladas dos arquivos da imprensa (como o Diário da Região e A Notícia), mas está gravado no cotidiano da cidade. Ele dá nome uma escola municipal no Jardim Soraya e a uma rua no Jardim Morumbi, as ruas Raul Silva e dos Radialistas Rio-pretenses. O nome de Cleophas continua ali — firme, como um ponto cardeal que orienta a história e a cultura de uma São José do Rio Preto que ele tanto ajudou a construir.


Fontes: Revista Riopretana, nº 01, junho, 1953; wwwquemfazhistoria.com.br; texto elaborado com Gemini