
Eu sigo em frente e fito a imensidão
Nesta pequena embarcação, sozinha
E aguardo ver, pois há de vir eu sei
Aquele a quem eu hei de amar e amar…
A cântaros na alma, meu senhor e rei.
E quantas vezes já se pôs o sol
E eu aqui, na embarcação, sozinha
E ouço o vento que me incita e mostra
As longas horas que perdi – tão minhas
E a navegar seguir eu sigo sem lhe dar resposta.
Que mar! Que céu! Que brisa doce e mansa!
Que acalenta a alma e que me faz sonhar…
A esperar o amor que não me bate à porta
Que inflama o peito cheio de esperança
E que não avisa quando vai chegar.
Então me aconchego na noite serena
E que muitas vezes me sacode e assombra
São ondas gigantes, são ondas pequenas
Quebrando-se ao luar que lhe reluz as sombras.
No remanso eu sonho com meu grande amor
Que chega a sorrir e a navegar contente
E me abraça e beija num doce langor
E me incendeia com um olhar tão quente!
A navegar eu sigo… Lua e sol comigo
Brisa branda e vento sacudindo as ondas
Este sonho antigo que levo comigo
A navegar eu sigo… A sonhar contigo!
Ocupante da Cadeira 19 da Academia Rio-pretense de Letras e Cultura – ARLEC. Autora de “Charlotte Maria, Filha de Lobos”.
