QUEM e o QUE

são HISTÓRIA na

QUEM e o QUE são HISTÓRIA na
Reportagem de uma página e meia conta a história das fundação de Mendonça, no jornal A Folha, no dia 12/10/1938. Arquivo Municipal de SJRio Preto/Hemeroteca Prod. Dario de Jesus

Reportagem de uma página e meia (páginas 5 e 7) da edição nº 367, de terça-feira, dia 12 de outubro de 1938, do jornal A Folha, de Rio Preto, assinada por F. J. Pires Ferraz, conta em detalhes a história da fundação do Município de Mendonça.

Ele começa narrando que o major Lázaro Soares Dias, nascido em Mogi-Mirim, em 23 de junho de 1892*, filho do português Cândido Boava Dias e de dona Anna Souza Soares, nascida em Araras-SP, ficou órfãos dos pais aos nove anos de idade e foi criado em Monte Alto, por seus avós. Aos 19 anos, casou-se com Olivina Venâncio Villas-Boas e mudou para Pirangi.
Em 1917, o casal se mudou para a região do córrego do Bagaço (onde hoje é Nova Aliança) e, quatro anos depois, em 1921, foi para a Fazenda Fartura, perto do córrego Cachoeira. De 1924 a 1927, ele estabeleceu comércio em Monte Belo.
Segundo F.J. Pires Ferraz, em 12 de outubro de 1927, o major Lázaro entendeu-se com seu sobrinho Brasilino Luiz da Silva, que “era proprietário de uma grande gleba de terras de pura mata; e assim pode satisfazer seu velho sonho de fundar um patrimônio, no fundo do sertão.”
O sobrinho permitiu que fosse desmatado meio alqueire de terra, onde Lázaro e Olivina construíram sua casa de pau-a-pique “coberta de palhas”. No dia 20 de maio de 1928**, às 16 horas, foi levantado e fincado um cruzeiro de madeira ao lado da casa. Ainda segundo Pires Ferraz, vários vizinhos e familiares, moradores nas fazendas mais próximas, compareceram para a reza de um terço, em torno do cruzeiro, pelo puxador Baptista de Moraes.
Estiveram presentes ao terço (por ordem alfabética): Abílio Luís da Silva, Américo Brasilino Alves, Ana Villas-Boas, Antônio Alves de Oliveira, Benedicto Bibiano da Silva, Benedicto Teixeira de Melo, Escolástica Villas-Boas, família Mangolin, Germano José do Carmo, João Corrêa , Joaquim Garcia da Silva, José Luís da Silva, Lindolpho Martins, Luciano Corrêa, Luís Fernandes de Abreu, alferes Manoel Gomes Netto, Marcelino Rios, Miguel José do Carmo, Orestes Villas-Boas, Osório José do Carmo, Pedro Luís da Silva, Turíbio Marcheti, Urias Mendes do Prado.
Eles deram ao local nome de Villa Nova do Alto.
Cinco dias depois do terço, major Lázaro conversou com o retireiro José Carlos, que era agregado do deputado estadual Jacintho de Souza (1928 a 1930), ex-prefeito de Taquaritinga (1924 a 1928), parente do coronel Adolfo do Amaral Mendonça. O deputado era dono de uma gleba de 7.500 alqueires, lindeira das terras onde surgiria a futura Vila Nova do Alto. Após a fala com o retireiro, Lázaro manteve contato com o coronel, falou da vila que estava fundando e este resolveu conhecer suas próprias terras.
No dia 3 de junho, o deputado Jacintho viajou para Nova Aliança e foi visitar o rancho do retireiro José Carlos. Contratou Antonio Garcia do Prado e João Totó para que derrubassem 100 alqueires de suas matas a 600$000 o alqueire. E pediu para o major Lázaro encontrar trabalhadores que quisessem plantar café e abrir as roças. Na segunda visita, Lázaro convenceu o deputado a conhecer o descampado da futura vila e tocou no assunto da doação de um pequeno terreno para permitir o surgimento do núcleo urbano. Aprovando a ideia, o deputado doou cinco alqueires e mandou contratar um engenheiro para riscar a planta.
Agradecido, Lázaro perguntou que nome deveria colocar no patrimônio e o deputado teria dito: o nome é Amaral Mendonça e o padroeiro São Jacintho. O nome seria uma homenagem à família da mulher do deputado, Maria Amaral Mendonça de Souza.

No dia 3 de julho de 1928, o engenheiro Antenor de Oliveira, começou a demarcação das ruas, das datas e do largo da igreja. Mas havia um problema: a água. “Só havia um filetinho, numa mina, a mais de kilometro, na baixada”, escreveu Pires Ferraz. Quando precisava de água, era preciso buscá-la de baldes. Joaquim Poceiro foi contratado para perfurar cisternas a 2$000 o palmo. Perfurou cinco, a menos funda chegou a 200 palmos e nada de água aparecer. Major Lázaro não de deu por vencido, viajou para Rio Preto e convidou o engenheiro José Henrique Duarte para resolver o problema. A solução encontrada foi construção de uma caixa de tijolos e cimento e instalação de uma bomba. A data foi anotada: 11 de setembro de 1928. Um mês depois, em 12 de outubro, a bomba foi ligada e a água demorou algumas horas para percorrer 1.525 metros de cano da baixada até o espigão. Mas chegou e nunca mais secou.

Com a água, aflorou o progresso no vilarejo. Os primeiros compradores de terrenos apareceram e logo, em 1929, foi erguida uma capela de tábuas. No dia 12 de abril de 1930, deu-se início à construção da igreja, sob a responsabilidade do pedreiro Carlos Canzzoni. Foram 45 dias de obras e no dia 21 de maio de 1930, às 16 horas, o padre Lauretino, de Nova Aliança, fez o batizado da imagem do padroeiro que, “em plena mata” foi levada em procissão, acompanhada de uma pequena banda musical, até a nova igreja. E lá na igreja estava entre os pioneiros, o médico Cenobelino de Barros Serra, o prefeito de São José do Rio Preto.

Em 1938, que desde 1936 era distrito de paz, Mendonça contava com cerca de 200 casas, 30 estabelecimentos comerciais, um médico, dois salões de barbeiro, duas farmácias, duas serrarias, duas máquinas de benefício, uma de café e outra de arroz, e três escolas. A parte urbana abrigava cerca de um mil habitantes e, o território do distrito, cerca de 6 mil habitantes, com bairros rurais populosos como Aiuroca, Bagres, Fartura e Palmital.
*Na reportagem d’A Folha, está grafado como dada de seu nascimento 23 de junho de 1884.
**Na reportagem d’A Folha, está grafado dia 20 de maio de 1926.

O histórico da fundação de Mendonça que consta no site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, diz que:
“No decênio de 1920 a 1930, inúmeras famílias procuravam o interior de São Paulo em busca de terras férteis para a agricultura.
Lázaro Soares Dias, entre outros, conseguiu do proprietário Jacinto de Souza, a ordem para fundar no local, Mendonça, um povoado, que em 1928, recebeu o nome de Vila São Jacinto.
Falecendo Maria Amaral Mendonça de Souza, a Vila teve seu nome trocado, a pedido do fundador, para Vila Amaral Mendonça.
Popularmente conhecida por Vila Mendonça, pertencente ao Distrito de Paz de Nova Itaperema, no Município de São José do Rio Preto, em 1936, elevou-se à categoria de Distrito de Paz, conservando o nome de Vila Mendonça.
Em 1940, oficializaram o nome de Mendonça.”

Um dos sites da Prefeitura* diz que em 19 de março de 1928, o fazendeiro Jacinto de Souza e sua mulher Maria Amaral Mendonça de Souza permitiram que o major Lázaro Soares Dias e outros trabalhadores rurais construíssem suas casas em um ponto entre o ribeirão da Fartura e o córrego Borá, próximo à cabeceira do córrego do Sobrado, dentro do território do distrito de paz de Itapyrema (a velha Itapirema, localizada na margem esquerda do ribeirão da Fartura, que desapareceu antes de 1930 por causa das constantes epidemias de malária). Com essa iniciativa surgiu o povoado que recebeu, inicialmente, o nome de Vila São Jacinto. Logo depois, passou a se chamar Vila Amaral Mendonça.
*(https://www.mendonca.sp.gov.br/portal/servicos/1003/historia)

Em 29 de setembro de 1934, o governador interino Márcio Pereira Munhoz assinou o Decreto nº 6.711, transferindo para o “districto de Villa Mendonça” a sede do “districto policial de Monte Bello, com as seguintes divisas: começam na barra do ribeirão Fartura no rio Tietê; daí seguem pelo ribeirão Fartura acima até encontrar a barra do córrego Bem Comprado, seguem por este até a sua cabeceira, e daí em reta ao encontro dos espigões das fazendas Fartura, Borboleta (ou “Sant’ Anna) e córrego Grande; seguem à direita pelo espigão destas duas últimas até frontear a baixada, cabeceira do rio Grande, seguem por esta, pelo córrego Grande até o ribeirão Borá, seguem por este abaixo até o ribeirão Barra Mansa, por este abaixo até o rio Tietê e finalmente por este abaixo até encontrar a barra do ribeirão Fartura, onde tiveram começo”.

Mas, três meses depois, em 31 de dezembro de 1934, o governador Armando de Salles Oliveira baixou outro decreto. o de nº 6.897 revogando o decreto anterior (nº 6.711). Na verdade, o novo decreto corrigiu o anterior. Desta vez, o decreto transferiu a sede do distrito de Monte Belo para formar o território do Distrito Policial de Villa Mendonça, com as seguintes divisas: começam no rio Tietê, no ponto em que neste se lança o ribeirão de Fartura, daí seguem por este, águas acima, até encontrar a estrada de automóveis Catanduva – Salto do Avanhandava e por esta, à direita, até a primeira baixada na cabeceira do córrego Garcia, por dita cabeceira e córrego abaixo até a barra deste no córrego Grande; pelo córrego Grande, ribeirão Borá e Barra Mansa abaixo até o rio Tietê e finalmente, por este abaixo, até encontrar o ponto onde tiveram começo.

Todavia, três meses mais tarde, novo decreto de Armando de Salles Oliveira, o de nº 7.012, assinado em 15 de março de 1935, devolvendo ao distrito policial de Monte Belo, o território transferido para a Vila Mendonça.

A dança de território terminou em 14 de janeiro de 1936, quando Salles Oliveira assinou a Lei Estadual nº 2.624, criando o Distrito de Paz de Vila Mendonça, desmembrando-se do distrito de paz de Itapirema, dentro do município de Rio Preto, com as seguintes divisas: começam no ponto do rio Tietê, em que se lança o ribeirão da Fartura; seguem por dito ribeirão, águas acima, até encontrar a estrada rodoviária de Catanduva a Salto do Avanhandava; por ela, à direita, até a primeira baixada, na cabeceira do córrego do Garcia; pela cabeceira e córrego abaixo, até a barra deste, no córrego Grande; pelo córrego Grande, ribeirão Borá e Barra Mansa abaixo até o rio Tietê; finalmente, por este abaixo até encontrar o ponto em que tiveram começo.

O governador Adhemar de Barros assina em 4 de maio de 1940 o Decreto nº 11.060 retirando a palavra vila e deixando apenas Mendonça nome do distrito.

Na reorganização administrativa de 1944, assinada em 30 de novembro pelo governador Fernando Costa, originada pelo Decreto-Lei 14.334, o distrito de paz de Mendonça foi desmembrado de Rio Preto e passou para a administração de Nova Aliança.

A Lei Estadual nº 5.285, assinada em 18 de fevereiro de 1959 pelo presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, deputado Francisco Franco, cria, entre outros, o município de Mendonça, juntamente com Adolfo e Borboleta (Bady Bassitt). O município de Mendonça foi criado com as seguintes divisas com:
a) José Bonifácio, começa no ribeirão Fartura na foz do córrego Bonito e sobe pelo ribeirão Fartura até a foz do córrego Ferreira.
b) Nova Aliança, começa no ribeirão Fartura na foz do córrego Ferreira, pelo qual sobe até sua cabeceira, no divisor Fartura-Cachoeira; alcança na contravertente a cabeceira norocidental do córrego Mexerica, pelo qual desce até sua foz no córrego da fazenda Bandeira, pelo qual sobe até sua cabeceira, no divisor Cachoeira-Borá; alcança na contravertente a cabeceira norocidental do galho ocidental do córrego Grande, pelo qual desce até encontrar o galho setentrional; daí, vai, em reta, à foz do córrego do Sapé, no ribeirão Borá, pelo qual sobe até a foz do ribeirão Borboleta.
c) Potirendaba, começa no ribeirão Borá, na foz do ribeirão Borboleta; segue pelo contraforte fronteiro até o divisor Borá-Coqueral; prossegue por este divisor até a cachoeira ocidental da água de Domingos de Matos, pela qual desce até sua foz no córrego Coqueiral até sua confluência com o córrego Baixadão, formadores do córrego Cachoeira da Boa Vista; desce por este córrego até sua no rio Cubatão ou Barra Mansa.
d) Irapuã, começa na foz do córrego Cachoeira da Boa Vista, no rio Cubatão (ou Barra Mansa), pelo qual desce até a foz do córrego de Ladislau Ludovico da Silva. Com Sales, começa na foz do ribeirão Borá no ribeirão Cubatão (ou Barra Mansa), pelo qual desce até a foz do córrego de Ladislau Ludovico da Silva.
e) Adolfo, começa no ribeirão Cubatão (ou Barra Mansa), na foz do córrego de Ladislau Ludovico da Silva, pelo qual sobe até sua cabeceira no divisor Cubatão (ou Barra Mansa)-Bagres; segue por este divisor até atingir o contraforte que finda na foz do córrego do Moinho, no ribeirão dos Bagres; segue por esse contraforte em demanda da foz do córrego do Moinho, no ribeirão do Bagres; sobe pelo córrego do Moinho até sua cabeceira, no divisor Bagres-Sobrado; segue por este divisor até a cabeceira nororiental do córrego Ipê, daí, vai, em reta, à cabeceira sudoriental do córrego Bonito, pelo qual desce até sua foz no ribeirão Fartura, onde tiveram inicio estas divisas.

A Câmara Municipal de Rio Preto nomeou os seguintes subprefeitos para Vila Mendonça:
Eustáchio Bomfin de 24 de setembro de 1936 a 7 de fevereiro de 1938
Germano José do Carmo de 8 de fevereiro a 17 de junho de 1938
Lázaro Soares Dias de 18 de junho de 1938 a 1941
Pedro Moreira da Silva de 1941 a 1944


Fonte: Disponível em < rmriopreto.com.br> nas letras D, F e M