
O povoado foi fundado por volta de 1920, pelo farmacêutico João Pacheco de Lima, que construiu o primeiro imóvel, e Joaquim Lino de Barros e sua mulher Rufina Maria de Jesus, doadores do patrimônio que deu origem ao povoado, inicialmente com o nome de Barra Funda, que logo passou a ser chamado de Corupá e depois Ipiguá.
Um documento de Antônia Marques Marcelino, casada com Antenor Marcelino Batista, comprova que seu avô, Joaquim Lino de Barros, adquiriu em 23 de setembro de 1918, de José Vicente de Oliveira, um terreno de seis alqueires, por 100 mil réis, para a formação do patrimônio de São Sebastião, na Fazenda Rangel. Essa doação permitiu o surgimento do povoado de Barra Funda, onde João Pacheco de Lima construiu o primeiro imóvel e instalou a sua farmácia.
O Álbum Ilustrado da Comarca de Rio Preto, publicado em 1929, registra nas páginas 930/931, que o povoado de Ipiguá foi fundado em 1921 “pelo conceituado farmacêutico dr. João Pacheco de Lima, “doador da terra do Patrocínio* em que se edificarão nessa época os primeiros casebres de construção rústica e que já hoje se acham substituídos por novas e recentes construções de feição Moderna higiene”.
Ainda, segundo o Álbum, no ano de 1928, Ipiguá tinha 82 prédios construídos e 410 habitantes na área urbana, contando com cerca de 8 mil habitantes com a zona rural. A atividade econômica registrava dez estabelecimentos comerciais, seis engenhos de cana, cinco olarias, dois açougues, duas padarias, duas carpintarias, uma serraria, uma máquina de beneficiar arroz e café, uma sapataria, uma funilaria, uma fábrica de fogos de artifício, três salões de barbeiro, uma alfaiataria, um hotel, uma farmácia, um dentista e um veterinário. E no setor público havia uma agência dos Correios, um posto policial, uma Escola Reunida Estadual, uma Escola Mista Municipal e um Escola Noturna. Funcionava também uma associação de escoteiros com 45 membros. A vila era servida por duas estradas, uma ligando a Nova Granada e Rio Preto e outra a Mirassol. Na agricultura havia a predominância de café, com 3 milhões de cafeeiros em produção; arroz, feijão e milho, além do rebanho bovino.
O adensamento da povoação foi rápido, pois em maio de 1921, precisamente no dia 5, o prefeito em exercício de Rio Preto, Neca Medeiros, nomeava Álvaro Liberato do Amaral para o cargo de fiscal do bairro Barra Funda. E cinco anos depois, em 23 de abril de 1925, o prefeito Alceu de Assis nomeava Julia Pastore como professora de Corupá.
A confusão em torno dos dois nomes era patente. O povoado era chamado às vezes como Barra Funda outras como Corupá, o que se poder constatar no jornal A Notícia, que publicou em 5, 6 e 7 de outubro de 1926, a transferência de 17 de outubro para 7 de novembro a realização da festa em louvor à Nossa Senhora Aparecida “na povoação de Barra Funda”, organizada por Seraphim Marangão. E ainda, em um termo de compromisso redigido em 11 de janeiro de 1927, pelo secretário da Prefeitura de Rio Preto, Vicente Filizola, nomeando Mariana Rezende como professora de “Barra Funda”, colocando entre parêntese “Corupá”. Também há nomeação de Theophilo da Conceição Affonso, em 23 de setembro de 1927, para o cargo de fiscal municipal do distrito policial de Corupá.
No dia 27 de novembro de 1927, na edição nº 1.209, o jornal O Município, de Rio Preto publicou a mudança do nome do povoado de Corupá para Ipiguá, pelo Congresso do Estado. Diz o jornal que:
“ao ser aprovado em terceira discussão no Senado. em sessão de 23, o Projeto nº 28, deste ano, criando o distrito de paz de Curupá, neste município, a Comissão de Justiça propôs uma emenda no sentido de mudar-se a denominação dessa localidade, de Curupá para Ipiguá.
O sr. senador Plínio de Godoy, justificou a emenda alegando existir na Estrada de Ferro Araraquarense outra localidade com o nome de Curupá. A mudança de nome torna-se necessária, portanto, para se evitarem naturais confusões.
Assim, entrou essa emenda em discussão juntamente com o projeto, sendo ambos aprovados. A requerimento do mesmo senador, sr. Plínio de Godoy foi o projeto juntamente com a emenda, enviado imediatamente a Câmara”. (Esclarecemos que neste período, existiam o Senado Estadual e a Câmara Estadual de Deputados).
O jornal A Notícia somente publicou a criação do distrito de paz e a alteração do nome de Corupá (Curupá) para Ipiguá em 1929, na edição nº 1.113, de 8 de agosto.
Finalmente, em 7 de dezembro, por meio da Lei Estadual nº 2.218, assinada pelo governador Júlio Prestes, foi criou o “Distrito de Paz de Ipiguá, com sede no povoado de Corupá, no município de Rio Preto”, com as seguintes divisas: começam na margem esquerda do rio Preto, no espigão divisor das fazendas Bacury e São Pedro; daí seguem este espigão até onde o espigão da fazenda São Pedro encontra o da Barra Grande, daí seguem em rumo 37.° a Oeste, até encontrar o córrego da Barra Grande, por este abaixo até ao rio Preto e por este acima até ao ponto de partida.
Ao confirmar a criação do distrito de Ipiguá, o jornalista Gaudêncio Maia, diretor d’O Município, escreveu na primeira página da edição nº 1.225, de 18 de dezembro de 1927:
“O novo distrito, como os demais recentemente criados, constitui um dos recantos mais prósperos do município e que por isso também faz jus a esse importante melhoramento.
Ante a sua prosperidade cada vez mais crescente a sua laboriosa população pelos seus legítimos representantes, se empenhou fortemente pela criação do distrito de paz e essa justa aspiração foi acolhida da melhor boa vontade e patrocinada com todo o empenho pelo Diretório Republicano local, convertendo-se então, agora, em realidade.
O auspicioso acontecimento é, além do mais, indício de que uma nova era se descortina à futurosa região, para novas conquistas do progresso, para o que se conjugarão os esforços de seus habitantes e a boa vontade da direção política do município, agora mais uma vez posta à prova.
Aos dedicados dirigentes políticos de Ipiguá e à sua laboriosa população, enviamos as nossas sinceras felicitações pelo grato acontecimento.”
A partir da criação do distrito de paz e da instalação do Cartório de Paz, a povoação adotou definitivamente o nome de Ipiguá. E logo no ano seguinte, em 29 de janeiro de 1928, foi realizada a primeira eleição de juiz de paz no distrito. Disputaram as vagas Argemiro Gusmão, 267 votos; Antonio Chrispim de Oliveira, 239 votos; Joaquim José Ferreira Nery, 190 votos, eleitos respectivamente primeiro, segundo e terceiro juízes de paz. Para a suplência foram votados João Sasso, 113 votos; Francisco Antonio de Araújo, 80 votos; Bonfiglio Bellei, João Baptista e Pereira tiveram 79 votos cada e Benedicto Rodrigues de Siqueira, 45 votos.
No dia 5 de junho de 1928, Plínio de Carvalho, que respondia interinamente pelo Cartório de Paz foi oficializado no cargo.
Em 1938, Ipiguá contava com 120 imóveis construídos na área urbana com 10 estabelecimentos comerciais e um Grupo Escolar. José Cantú é o subprefeito e Theodolino de Paula Borges é seu serventuáiro do Cartório de Paz. Na zona rural, havia 2.486.000 pés de café em produção, segundo registro do jornal rio-pretense A Folha, edição de 20 de julho de 1938.
O município de Ipiguá foi instalado em 1º de janeiro de 1997, com a eleição do primeiro prefeito, Getúlio José de Souza, no pleito de 1996.
Entre a criação do distrito, em 1927, e a emancipação política, em 1996, Ipiguá teve os subprefeitos nomeados por São José do Rio Preto:
João Pacheco de Lima, em 1927 a 1929
Sebastião Cosme de Lima
Godofredo Inocêncio do Amaral, em 1934
João Pacheco de Lima, em 1935 a 1936
Pedro Lúcio Rosa, em 1936
José Cantú
Jesus Belém Barbosa
Benedito Bento da Silva
Sebastião Sabino
Flausino Ferreira da Silva, em 1940
José de Oliveira Lima
Valdemar Borges de Carvalho
João Fernandes da Silva
José Fiorilli
José Maria
Benedito Sabino
Ernando Colognesi
* Patrocínio, neste caso, é igual a patrimônio.
Fonte: Disponível em < rmriopreto.com.br> nas letras D, F e M
