Adolfo é uma das pouquíssimas cidades do Brasil de que se tem notícia de ter sido fundada em torno de uma igreja protestante. Coube ao pastor Victório Voltolini, com o consentimento de sua esposa, Josepha Luccini Voltorlini, a iniciativa de, em 1936, separar um terreno equivalente a três quadras de sua propriedade rural para a construção de um templo evangélico, surgindo ali um pequeno povoado que ganhou o nome de Jericó. Essa área estava dentro do município de São José do Rio Preto e já vinha sendo ocupada por fazendeiros e sitiantes desde os meados do século XIX.
O comerciante Esequiel Vieira foi o primeiro a construir uma casa no local separado pelos Voltolinis, entre as atuais ruas Duque de Caxias e Santos Dumont. Ele estabeleceu um casa comercial para atender os sitiantes e empregados rurais que moravam nas redondezas. Entre 1936 e 1941, foram cinco anos de pouco desenvolvimento, mas por causa das fazendas em volta do povoado foi instalada uma escola que funconava nos dias úteis no templo religioso. Odila Bovolenta de Mendonça e Edith Assis foram as primeiras professoras.
Por volta de 1941, os católicos da região também decidiram construir uma igreja e procuraram o fazendeiro Adolfo do Amaral Mendonça e solicitaram autorização para construir uma capela em sua propriedade, próximo ao templo de Jericó. Ele e sua esposa, Maria Magdalena Corrêa de Mendonça, permitiram e a capela foi devotada a São José. O padre João Nolte celebrou a primeira missa, em 15 de outubro de 1941.
Surgiu, com a capela católica, o povoado de Maitinga. Com a inauguração da capela católica, os evangélicos levaram apenas quatro dias para retomaram suas atividades no templo. O movimento religioso atraiu moradores, que começaram a construir em volta das duas igreja. Com isso, o agrimensor Sebastião Volpe foi contratado para esquadrinhar a nova parte do povoado, ganhando aspecto de urbanidade.
A junção dos dos povoados, Jericó e Maitinga, deu origem ao patrimônio de Adolfo, em homenagem ao fazendeiro Adolfo do Amaral Mendonça. A palavra mais próxima de maitinga é maetinga que, segundo o dicionário informal* tem origem índigena, tupi-guarani, e significa, literalmente, “coisa branca”, igual a “mbaé+tinga”. Por sua vez, o Wikipedia confirma que “maetinga” é de origem tupi-guarani e significa: mãe (monte) e tinga (alegria), portanto, “monte alegre”.**
Em 30 de novembro de 1944, o interventor federal (governador) Fernando Costa assinou o Decreto-Lei 14.334, criando o Distrito de Paz de Adolfo, com seu território desmembrado do Distrito de Paz de Mendonça, dentro do município de São José do Rio Preto. Um ano depois, em 22 de novembro de 1945, foi instalado o distrito de Adolfo, permitindo o funcionamento do Cartório, sob o comando da cartorária Júlia da Costa Mendonça.
Nos dias 20 e 21 de dezembro de 1958, por ordem da Assembleia Legislativa, foi realizado um plebiscito para a emancipação, sob a coordenação dos juízes de direito da Comarca de São José do Rio Preto, Francisco Matera, da 125ª Zona Eleitoral, e Geraldo Araújo Guimarães, da 126ª, criando o município de Adolfo. Votaram 246 eleitores, sendo que 243 votaram a favor (Sim) e 3 votaram contra (Não).
Em 18 de fevereiro de 1959, o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, deputado Fernando Franco, promulgou a Lei n. 5.121, de 31 de dezembro de 1958, oficializando a criação município, que instalado em 1º de janeiro de 1960, com a seguintes divisas:
Com José Bonifácio, começa no rio Tietê, na foz do ribeirão Fartura pelo qual sobe até a foz do córrego Bonito.
Com Mendonça, começa no ribeirão Fartura, na foz do córrego Bonito, pelo qual sobe até sua cabeceira sudoriental, daí, vai, em reta, à foz do córrego de José Rodrigues no córrego Ipê; sobe pelo referido córrego até sua cabeceira no divisor Sobrado – Bagres, prossegue por este divisor até a cabeceira do córrego do Moinho, pelo qual desce até sua foz no ribeirão dos Bagres; deste ponto continua pelo contraforte fronteiro até o divisor Bagres – Cubatão ou Barra Mansa; segue por este divisor até a cabeceira do córrego de Ladislau Ludovico da Silva, pelo qual desce até sua foz no ribeirão Cubatão ou Barra Mansa.
Com Sales, começa na foz do córrego de Ladislau Ludovico da Silva, no ribeirão Cubatão ou Barra Mansa, pelo qual desce até sua foz no rio Tietê. Com Sabino, começa no rio Tietê na foz do ribeirão Cubatão ou Barra Mansa; desce pelo rio Tietê até a foz do rio Dourado.
Com Promissão, começa na foz do rio Dourado, no rio Tietê pelo qual desce até a foz do ribeirão Fartura, onde tiveram início estas divisas.
A criação do município foi resultado de um movimento político liderado por Adolfo Moreira Filho, que segundo o site oficial do município***conquistou junto aos deputados estaduais a autorização para que fosse realizado o plebiscito.
Com a emancipação, a primeira eleição municipal aconteceu em 4 de outubro de 1959, com a vitória de Adolfo Moreira Filho para o cargo de prefeito e de Enos Virgínio dos Santos para vice-prefeito. Para compor a primeira Legislatura da Câmara Municipal foram eleitos os vereadores Álvaro Chessa, Anselmo Emílio Moreli, Élio Lippa, Francisco José Lopes, Jacyr Lopes, José de Oliveira, José da Silva, Luiz Roberto de Souza Lima e Paulo Afonso. O município foi solenemente instalado em 1º de janeiro de 1960, com a posse dos eleitos.
Fonte: Disponível em <letras D, F e M de rmriopreto.com.br>, nas letras D, F e M.
*Disponível em <https://www.dicionarioinformal.com.br/significado/maetinga/5029/> consultado em 22/01/2024.
**Disponível em <https://pt.wikipedia.org/wiki/Maetinga>, consultado em 22/01/2024
***Disponível em <https://www.adolfo.sp.gov.br/portal/servicos/1001/historia-da-cidade/>, consultado em 22/01/2024
