Sobra muito espaço
perto de quem enviuvou:
a morte faz encolher o sobrevivente,
o frio imobiliza o ser abandonado.
Também age assim a solidão:
faz encolher,
imobiliza,
quase mata.
E na sobra do espaço
sobra a dor,
invisível e presente,
intolerável e pesante,
cantando um réquiem em allegro
para quem não conseguiu morrer.
