Acordem, almas indolentes!
E abram suas alas para um sol nascente
A suspirar por um sorriso, ardentemente…
Suntuosa bola incandescente
Que ao despontar no horizonte faz-se o dia
Ofuscando os astros do infinito
Tão distantes a admirá-la
Com medo de suas fornalhas.
Labaredas avermelhadas e fluorescentes
Esparramadas no leito do mar,
Tão mais belas e nítidas quando um sol poente
Mornas e já cansadas de brilhar.
Não o invejo, sol amigo e tão antigo,
Observador incansável do universo
Só porque tenho uma existência pequena.
Vivê-la, ainda que fugazmente, vale a pena,
Tendo uma alma grande e serena.
Um dia margearei com minhas asas as suas chamas,
E me agregarei aos astros do céu para admirá-las
Mas não terei medo de suas fornalhas.
E aqui você ficará, ardendo eternamente,
Aquecendo a terra dos homens
E o coração de toda gente.
