São considerados fundadores de Barra Dourada, Francisco Chanes Rodrigues, doador da área que formou o patrimônio de Nossa Senhora do Carmo, padroeira do povoado; José Ferreira Júlio Júnior, um de seus primeiros gestores, responsável pela abertura das primeiras ruas e das estradas rurais; e Quirino Cardoso de Carvalho, primeiro subprefeito, indicado pela prefeitura de Mirassol.
Em 20 de fevereiro de 1923, foi criado o Distrito Policial de Barra Dourada, dentro do município de São José do Rio Preto. No ano seguinte, pela lei estadual nº 2.007, de 23 de dezembro de 1924, o distrito foi incorporado ao município de Mirassol.
Apesar de ser um povoado muito novo, quando houve a criação do município de Mirassol, em 18 de dezembro de 1925, pela Lei Estadual nº 2.086, assina pelo governador Carlos de Campos, foi criado também o distrito de Paz de Barra Dourada, com as seguintes divisas: começam na barra do córrego do Ipê (ou Tatú), no rio São José dos Dourados e sobem por esse e pelo córrego José Braz até a sua cabeceira principal, continuando pelo divisor que deixa à direita, as águas do rio São José dos Dourados e, à esquerda as do córrego da Barra Grande até a cabeceira principal do córrego Fulgencio, pelo qual descem até ao rio São José dos Dourados, subindo por este até a barra o córrego Água Amarela, subindo por esta até á sua cabeceira principal, continuando pelo divisor que deixa, à direita, as águas do rio São José dos Dourados e, à esquerda, as do ribeirão da Fartura, até a cabeceira principal do córrego Jacaré, pelo qual descem até a barra do córrego da Onça, subindo por este até a sua cabeceira principal e continuando pelo divisor que deixa, à direita as águas do córrego Jacaré e rio São José dos Dourados e, à esquerda, as águas do ribeirão Bacury e córrego da Água Limpa, até a cabeceira principal do córrego do Barreiro, descendo por este e, pelo rio São José dos Dourados até ao ponto de partida.
Pouco antes da criação do distrito, em 1925, o jornal A Notícia, registrou que o povoado que Barra Dourada tinha cerca de 200 residências, o que levou a prefeitura de São José do Rio Preto a nomear, em janeiro, a professora Anna Sandeville, para lecionar na Escola Feminina.
Pouco tempo antes, o governo estadual havia nomeado Quirino Cardoso de Carvalho como subdelegado de polícia, Tendo como suplentes Lindolfo Garcia, João Pereira Fajardo José Ferreira Júlio Júnior. Todos foram exonerados no dia 25 de janeiro de 1925 e substituídos, na mesma data, por Manuel Maria de Oliveira subdelegado e os suplentes José Rodrigues Viana, Francisco Rufino da Silva e Jerônimo Garcia da Costa.
Em 15 de agosto de 1926, foi realizada a eleição dos juízes de paz, tendo sido eleitos José Paulino Pinto, primeiro juiz; João Pereira Fajardo, segundo, e Antônio Chanes Garcia, terceiro. O Distrito de Paz foi instalado solenemente em 19 de setembro de 1926, sob a presidência de Felício Antônio Siqueira e com a presença do prefeito Victor Cândido de Souza e outras autoridades mirassolenses como Antonio Fidélis, Modesto Moreira, Vicente Alves Vieira, João Silvestre de Sant’Ana, Arthur Franco Bueno, Oscar Arantes Pires, Arlindo Faria e André Monachesi e o cartorário e político rio-pretense Victor Brito Bastos.
Em 1929, o Álbum Illustrado da Comarca de Rio Preto, registrou na página 1.019 que o próspero distrito de Barra Dourada tinha em funcionamento duas “magnífica machinas” para benefício de arroz e café, bons estabelecimentos comerciais, um açougue, um bilhar, uma escola estadual e diversas particulares, duas sapatarias, uma barbearia, uma serraria, on cinema, uma alfaiataria e um moinho de fubá.
O distrito da Barra (como os moradores da época gostavam de chamar o povoado, segundo registrou o jornalista e escritor Abílio Cavalheiro) tinha em seu território, antes de 1930, “boas matas de pura cultura, e que, inegavelmente, prestam-se para a lavoura cafeeira”, escreveu Cavalheiro, na página 1.020 do Álbum. Ele também citou a fazenda Mata dos Pintos Como sendo a maior e a mais povoada, e a Sertão dos Inácios, também muito povoada.
Ainda em 1929, o cinema era de propriedade de Rachid e Maria Sayeg; os irmãos Fares eram donos da Casa Tem Tudo, uma das maiores do distrito. José Félix Alle detinha a concessão para a exploração do matadouro municipal, obtida por 20 anos junto à Câmara de Mirassol. Aquilino Solsi era dono da “Machina São José”, instalada em 1925 com capacidade para limpar até 180 sacas de arroz ou 100 sacas de café diariamente. A máquina era acionada por um motor a vapor de 12 HP, usado também para tocar a serraria anexa.
Em 30 de novembro de 1944, quando o governador Fernando Costa assinou o decreto lei nº 14.334, o distrito de Barra Dourada passou a fazer parte do município de Neves Paulista, ao qual pertence atualmente, com uma área de 68,521 km², segundo o IBGE.
