QUEM e o QUE

são HISTÓRIA na

QUEM e o QUE são HISTÓRIA na
Tela de Hudson Buck de Carvalho representa o pássaro azul da lenda sobre a fundação de São José do Rio Preto. A tela está atrás da sacristia da Catedral de São José. Fotografia de Karfhan e restauração de Regina Célia Ferreira.

A lenda diz que, por volta de 1840 a 1845, depois de montar acampamento nas margens do rio Preto, os pioneiros Antonio Carvalho da Silva, Luiz Antonio da Silveira e Vicente Ferreira Neto entraram na floresta para fazer o reconhecimento da região e demarcar as terras férteis. Atravessando os córregos Borá e Piedade, avançaram pela floresta fazendo picadas a golpes de foice e facão. A mata era muito fechada e de difícil acesso. No terceiro dia de caminhada, viram-se perdidos e não conseguiam encontrar o caminho de volta. Cansados e sem comida, decidiram fazer uma promessa. Cada um deles prometeu um pedaço de terra para os seus santos de fé. Antonio teria feito promessa a São José; Luiz Antonio a Nossa Senhora do Carmo e Vicente, a Santo Vicente Ferrer.

Dormiram e, pela manhã, foram acordados pelo cantar bonito e exótico de um pássaro desconhecido, de lindas penas azuis. O pássaro parecia querer lhes mostrar alguma coisa, cantando e saltitando de galho em galho. Intrigados, acompanharam os movimentos do pássaro, até então jamais visto por eles, e descobriram a picada que haviam feito anteriormente. Assim puderam, regressar sãos e salvos ao acampamento. Eles classificaram a presença do pássaro como um milagre e decidiram cumprir a promessa. Após tomaram posse de grandes extensões de terra, estabelecendo suas fazendas, eles doaram as terras prometidas em um ponto onde suas propriedades faziam divisas: as terras entre os rio Preto e os córregos Canela e Borá.

As terras entre os córregos Borá e o Canela, da foz no rio Preto até suas nascentes, foram doadas a São José por Antonio Carvalho da Silva; seu filho, Luiz Antonio da Silveira doou parte das terras na margem esquerda do Borá (Boa Vista) à Nossa Senhora do Carmo, e o primo Vicente Ferreira Neto doou área na margem direita do córrego Canela (Santa Cruz e Bom Jesus) a São Vicente Ferrer.

As doações teriam sido feitas por volta 1847 e oficializadas em 19 de março de 1852, data que marca a fundação de São José do Rio Preto, em uma festa religiosa promovida por outro pioneiro, João Bernardino de Seixas Ribeiro. Mas, existem controvérsias sobre essas doações.  Essa lenda teria surgido por volta de 1910, inventada por um advogado que defendia a Igreja Católica em uma ação movida pela Câmara Municipal para anular o imposto de laudêmio que a cidade pagava à Igreja.


Fonte:https://rmriopreto.com.br